Até que ponto as redes sociais são benéficas aos usuários?

Por Bruna Trindade

Pode parecer assustador, mas uma pesquisa conseguiu provar que é mais fácil resistir a uma transa ou a um cigarro do que deixar de acessar redes sociais, como Facebook e Twitter. O estudo foi realizado pela  Chicago University’s Booth Business School, que durante 7 dias consecutivos, monitorou a rotina de 250 participantes.

O monitoramento acontecia através de mensagens enviadas diversas vezes ao dia, em que cada participante deveria responder quais atividades havia realizado nos últimos 30 minutos. Na resposta os participantes também diziam se a atividade realizada havia influenciado em alguma decisão posterior. O resultado? Segundo o autor da pesquisa,  Wilhelm Hofmann, 42% das atividades que mais estimulou o desejo dos entrevistados era a interação em redes sociais, mais até do que fumar um cigarro ou fazer sexo.

Em uma entrevista ao jornal The Guardiam, o pesquisador ainda justificou a dificuldade dos participantes em resistir ao Facebook ou a qualquer outra rede social:  “É comparativamente mais difícil de resistir por conta da alta disponibilidade e do baixo custo. Ninguém precisa muito resistir a este tipo de ação, e mesmo quando quer, é complicado, porque os estímulos e a oferta são muito grandes”. Considerando os dados da pesquisa, e analisando o quanto o uso das redes sociais vem se tornando essencial e quase obrigatório para garantir uma aceitação e interação com a sociedade, não seria a hora de discutir até que ponto a interação virtual pode beneficiar seus usuários e a partir de quando pode os prejudicar?

O “Digitais” já mostrou os impactos das redes sociais na vida dos brasileiros, o quanto as  redes sociais influenciam o consumidor, e até como o Facebook pode estar relacionado aos casos de divórcios, mas como podemos analisar os aspectos positivos e negativos do uso dessas redes e saber se elas são mesmo essenciais nos dias de hoje? O gráfico abaixo revela quais são as redes sociais mais acessadas atualmente:

O facebook lidera o ranking

Vamos tomar  como exemplo o Facebook, acessado diariamente por cerca de 500 milhões de usuários. Você seria capaz de ficar uma semana sem acessar sua timeline, postar ou receber mensagens? Essa é, sem dúvidas, uma atitude difícil.  Isso porque, para muitos, a rede social significa muito mais do que uma forma de interagir com amigos, mas também pode funcionar como um negócio para professores que utilizam a rede social, compartilhando conteúdos com seus alunos, e outras tantas formas.

Tentando descobrir em quantos níveis e quais níveis somos afetados pelas facilidades e formatos do Facebook – e se isso pode (ou não) ser compensado de algum outro modo, o publicitário Felipe Teobaldo, de 25 anos resolveu criar uma “Rede Antissocial”, o blog 100face.

Página inicial do blog onde os participantes revelam sua experiência depois de abandonarem o Facebook

Tudo começou quando Felipe se perguntou “e se eu deletasse meu Facebook?“. Intrigado com a ideia, Felipe consultou alguns amigos, e em uma dessas conversas, teve a ideia que criar o blog para relatar a experiência. Na época – começo do mês de setembro –  o publicitário percebeu que faltavam pouco mais de 100 dias para o fim do ano. Foi aí que surgiu a ideia de passar o resto do ano sem atualizar, checar ou interagir de qualquer forma com o Facebook.

Outras 99 pessoas se interessaram pelo projeto e decidiram abandonar seus perfis na rede social. Em uma das publicações do “100face”, Felipe explica que o intuito do grupo não é cultivar o ódio à rede social: “Em tempo, O “100face” não é um grupo que não gosta do Facebook. São estudantes querendo se concentrar no vestibular, corações partidos querendo saber menos da vida alheia e até desejo de desapego do mundo virtual sendo testado. Qualquer que seja o motivo, é um desafio gigantesco que iremos acompanhar e pesquisar.”

Já são 66 dias sem login e, dentre os posts, estão desde depoimentos de pessoas que se sentem muito melhor sem passar a maior parte do dia atualizando o Facebook, até pessoas que desistem do projeto por não conseguirem lidar com a “exclusão” do mundo virtual. Para Paula Chachon, participante do grupo “100face”, o problema de quem não consegue cumprir o projeto não está na pessoa, e sim na maneira como ela é vista: “O problema de todos os que estão tendo hiper dificuldades em ficarem sem Facebook é justamente, ao meu ver, o fato da necessidade de aprovação de terceiros; necessidade de reconhecimento. Eu vivo “nem aí” pra o que os outros vão achar de mim, e espero seguir assim.”

Segundo a professora de Psicologia, Luciana Ruffo, a opinião da Paula tem fundamento:  “O Facebook é o grande catalisador social do momento; o desejo é muito mais de mostrar para o outro onde se esteve, do que na verdade guardar uma lembrança de um momento bom”. Isso quer dizer que muitos usuários das redes sociais se preocupam mais com aquilo que vão mostrar sobre suas vidas, do que com o que eles realmente vivem.

Já a psicóloga Marisa Morales acredita que esse comportamento pode ser comum em adolescentes, já para os adultos, pode existir um agravante:

Pode-se considerar o perfil das redes sociais como uma construção daquilo que as pessoas gostariam de ser. A forma como elas gostariam de ser vistas e os sonhos que elas gostariam de realizar. Analisar onde termina a realidade e começa a construção de uma fantasia é um dos objetivos do “100face”.

Quem estiver disposto a testar a sobrevivência longe das redes sociais pode pegar um impulso com os participantes do blog. Através de comentários e troca de e-mails, não só os 100 participantes, mas outros milhares de adeptos, trocam ajudas com quem também pretende descobrir se vem sendo beneficiado, ou não, pelo uso das redes.

Editado por Juliana Duarte

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