Facebook é citado em mais da metade dos divórcios nos EUA

por Giovana Seabra

Por Giovana Seabra

Você já enfrentou brigas, discussões ou até términos de relacionamento por causa do Facebook? É muito provável que a resposta seja sim. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Wall Street Journal, em maio deste ano, mais de 1/3 dos divórcios nos EUA tem a palavra “Facebook” citada no processo. O estudo é da Divorce Online, uma empresa de advogados.

Além disso, 80% dos advogados que cuidam dos processos de separação afirmam que as redes sociais têm participação no aumento do número de divórcios, de acordo com a Academia Americana de Advogados Matrimoniais, como mostra o infográfico:

Foto: Giovana Seabra

O motivo disso? Já é possível imaginar. Com a presença do Facebook na vida das pessoas, os casos extraconjugais, que antes poderiam durar anos sem serem descobertos, podem ser revelados em poucos cliques. Se não comprovados, causam, ao menos, o início de uma discussão.

Especialistas afirmam que o site pode estimular as pessoas a traírem, por facilitar o encontro, colocando em tentação pessoas que nunca teriam coragem de correr o risco de trair.

Polêmico?

Para a estudante de Jonalismo Andrea Nuñez é quase impossível que o Facebook não gere discussões entre casais, principalmente quando o assunto é ciúme. “Mas isso gerar divórcio acho que é uma reação um tanto quanto exagerada”, conclui.

Segundo a socióloga Débora Zanini, as redes sociais realmente aproximam pessoas com o mesmo interesse, mas é preciso levar o contexto em consideração. Ela observa que o conceito de casamento tem mudado seu caráter nestas últimas décadas: “Não há mais a obrigação social, como antigamente, de que a união seja ‘para sempre’. Assim, a decisão do divórcio pelo casal se torna relativamente mais fácil.”

Débora, que também é analista de comportamento digital, diz que dessa forma, não se pode afirmar que o Facebook faz com que as pessoas se divorciem mais: “Fazer essa afirmação seria de igual delicadeza a dizer que um homicídio combinado pelo Facebook é culpa da rede social”.

Neste ponto, Paulo Noboru, estudante de Letras, concorda e afirma que não há como responsabilizar redes sociais pelos insucessos dos relacionamentos líquidos: “A maneira com que lidamos com os relacionamentos hoje em dia é a consequência do pensamento sócio-histórico que nos antecedeu até o ponto em que estamos”, diz.

A verdadeira raiz do problema não está nas redes sociais. O que acontece é que as pessoas se divorciam, discutem ou rompem por descobrirem mentiras e se sentirem traídas, seja por qual meio for. Isso se mostra na razão mais frequentemente apontada pela pesquisa para o divórcio: o descobrimento pelo cônjuge de conversas sexuais inadequadas com outras pessoas na rede social. “É aí que entra o Facebook. Não podemos deixar de analisar que fica mais fácil, com as redes sociais, de se descobrir as traições e as mentiras do seu par. As pessoas ainda estão aprendendo a lidar com a exposição”, explica Débora.

Exposição essa que deixou de ser “privilégio” de celebridades. Qualquer um que possua conta em um site de relacionamento pode ter sua vida divulgada e acompanhada por quem tiver acesso. Se você for a uma festa hoje, pronto. Sua rede de contatos inteira já está sabendo (inclusive seu par romântico). O Facebook pode mostrar onde você esteve, com quem e quando. E mesmo que todas as precauções de privacidade sejam tomadas, já existem várias empresas lucrando com a infidelidade através de softwares especializados em realmente “perseguir”, mostrando absolutamente tudo, até mensagens privadas trocadas pelo seu par.

Qual seria, então, a melhor maneira de lidar com tudo isso?

por Giovana Seabra
O status de relacionamento é uma das informações de destaque no perfil.

Andrea Nuñez, a estudante de Jornalismo do início desta reportagem, nos conta sua experiência: “Meu namorado e eu temos Facebook e lidamos muito bem com isso. Na verdade, estabelecemos um ‘código’ de comunicarmos ao outro sempre que uma pessoa do sexo oposto nos adicionar, seja conhecida ou não. Isso tem dado muito certo. Só discutimos uma vez por ele ter esquecido de me avisar de uma pessoa que o adicionou. E as outras discussões eu diria que foram bem bobas, pois foram por ele demorar para ver algo que postei no mural dele ou algo do tipo (risos)”.

O lado socióloga de Débora alerta para o fato de que muita gente acha que a vida dentro das redes sociais é uma realidade paralela a nossa vida: “Da mesma forma que você é julgado pelos seus atos no mundo offline, o seu comportamento está sendo visto e analisado no universo online.”

Já seu lado de analista de comportamento, meio psicóloga, lembra que dentro de um relacionamento as coisas ficam mais complicadas mesmo: “Ao contrário da maioria das outras pessoas, o par romântico cria expectativas altas do nosso comportamento e, quando estas são quebradas, cria-se um problema conjugal. Ainda mais no Facebook, em que é muito difícil de monitorar e controlar tudo o que está sendo dito sobre você.”

Débora conclui que a melhor forma de se comportar nestas redes sociais, portanto, é saber que tudo o que é escrito e compartilhado terá consequências, tanto positivas quanto negativas, para a sua imagem pessoal: “Acredito que para o Facebook não se tornar um problema para o relacionamento, a sinceridade precisa estar muito em alta. Parece coisa de aconselhamento de terapia de casal, mas as informações realmente fogem do nosso controle no meio online. Uma foto ou um comentário pode ter dimensões inimagináveis, mesmo com todas as configurações de privacidade ativadas”.

E você? Como lida com o relacionamento online?

Editado por Juliana Duarte

1 comentário

  1. As pessoas ainda estão aprendendo a lidar com a vitrine que as redes sociais representam em suas vidas, esquecendo-se de que através delas, ficam realmente expostas de forma total ou parcial, dependendo a privacidade que buscou preservar. Porém penso que apontá-las como uma das causas para o divórcio é tão imaturo como deixar de assumir que um relacionamento se constroi na total transparência entre um casal, na cumplicidade e no respeito mutuo. Se houver a necessidade de entrar ou abrir “brechas” para um novo relacionamento, é porque o atual não amadureceu o suficiente ou não é um relacionamento de verdade
    . Nos dois casos, o problema está nas pessoas envolvidas e não nas redes sociais.

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