Produção regional de cinema ganha destaque na 1ª Campinas Mostra Curta

Por Paula Fonseca

A 1ª Campinas Mostra Curta que se iniciou nesta sexta, dia 29 de agosto atraiu um público tímido na calçada da escola Pró-Arte para conferir alguns curtas que foram exibidos ali mesmo ao ar livre, porém na tarde do dia 30 de agosto, o espaço Carlos Gomes da Livraria Saraiva teve todas suas cadeiras ocupadas nas duas sessões de exibição dos curtas.

O evento que terá duração total de cinco dias, como falado aqui anteriormente, trouxe no sábado um debate sobre o a situação da produção cinematográfica na região de Campinas e contou com cinco importantes especialistas, entre eles Paulo Evan, Carlos Barbieri, Erika Prado, Germano Pereira, Igor Capelatto, Vânia Azevedo e Helvécio Alves Junior. Com uma mesa redonda de mais de 1 hora os convidados puderam expor seus desafios e seus pontos de vista em relação ao cinema na região. Abaixo você pode ouvir alguns trechos do debate.

A iniciativa da mostra foi idealizada por Angie Lucena e realizada com o apoio de alunos, ex-alunos e também outras pessoas que se interessam pelo tema. O foco foram os curtas da RMC, porém entre as 42 películas algumas selecionadas são de estados como Rio de Janeiro, Bahia e Paraná. O evento então que aconteceria em 3 dias, foi prolongado para 5 dias para poder exibir todos os curtas inscritos. Um dos organizados, Fábio Waki explica que o edital a princípio seria mais restritivo e após algumas conversas toda a organização revolveu então expandir a oportunidade para curtas de outras regiões e também que foram produzidos em outros anos, como o curta “Adaptação” que foi produzido por ele em 2010.

foto por Paula Fonseca
Os debatedores falaram ainda sobre a regionalização nos curtas (Crédito: Paula Fonseca)

A valorização dos curtas foi o ponto forte de todo o debate e Erika Prado enfatiza a dificuldade dos profissionais desta área em ter o trabalho valorizado. O curta “Espectro” com autoria de Fernando Negrovsk e produção de Igor Capelatto, Charbel de Campos e Carol Pastore chegou a ter um investimento de aproximadamente oito mil reais e durante todo o debate houve a explicação de como este investimento prévio é revertido no mercado, ainda é um orçamento baixo e de pouco retorno para todos que produziram o filme.

foto por Paula Fonseca
Erika Prado é produtora de cinema e atua no polo cinematográfico em Paulínia (Crédito: Paula Fonseca)

“A gente consegue fazer esses filmes com custo baixo , mas a gente não consegue remunerar os profissionais de acordo com o que eles precisam e eu não acho justo. A gente tem feito por causa de companheirismo mesmo, porque os atores estão ali junto com a gente, eles estão apostando junto eles querem crescer e por isso que eu acho importante essa mostra e o festival que está vindo aí.”

O festival de Paulínia deste ano teria sido também uma das fortes influências para a realização do 1º Campinas Mostra Curta, que este ano, não apresentou nenhuma produção da região, diferentemente de todos os outros anos; deixando assim grandes produções da RMC de fora do festival. Helvécio conta que o projeto já estava sendo pensado quando o episódio aconteceu, porém não nega que isto tenha sido um dos fatores que motivaram a mostra.

“Quando aconteceu o episódio de Paulínia, porque nos outros anos sempre tinha filmes de Campinas e região, porque nos outros festivais até tem uma categoria de cinema regional de se valorizar as produções regionais e em Paulínia não teve ninguém, como “A Noite dos Palhaços Mudos” que foi super premiado e não entrou nem em Paulínia. Então houve um movimento das pessoas que fazem filmes em Campinas e já havia desde o ano passado um trabalho na Fundação Geraldo, mas ai o Paulo Evans e a fundação chamaram pessoas e a gente tem se reunido lá pra discutir a produção cinematográfica não esperando mais nada de Paulínia.”

foto por Paula Fonseca
O Espaço Carlos Gomes tem capacidade máxima para 80 pessoas e fica na Livraria Saraiva no Shopping Iguatemi (Crédito: Paula Fonseca)

A mostra terá continuidade entre os dias 5, 6 e 7 de setembro e contará também com oficinas e outras palestras e debates. Muitos projetos foram comentados durante o debate e nota-se um crescimento na área cinematográfica em Campinas. Projetos como o 1º Festival Estudantil de Cinema e o 1º Festival de Filmes de Campinas são outras iniciativas de Helvécio e Paulo para continuar a mostrar e incentivar a produção. Ouça a entrevista na íntegra com o organizador Helvécio Alves Junior.

Editado por Keyla Cavalcante

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