17% dos jovens brasileiros já são empreendedores

Um grande número de jovens recém-saídos de cursos de graduação tem optado por “dar a cara a tapa” e entrar para o perigoso mercado, não para ter uma carteira assinada, mas para assinar carteiras. Uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada pelo Sebrae no ano passado, aponta que, em números absolutos, apenas a China possui  mais empreendedores que o Brasil – uma média de 21,1 milhões de brasileiros estavam à frente de atividades empreendedoras no ano de 2010, ou seja 17,5% da população. O mesmo levantamento revelou que a  faixa etária que apresentou maior aumento na taxa de empreendedorismo, em relação ao último ano da pesquisa, é aquela que vai dos 25 aos 34 anos. Isto quer dizer que entre os brasileiros dessas idades, 22,2% estavam envolvidos em algum empreendimento em 2010. Neste ponto o Brasil segue a mesma tendência dos grupos de demais países analisados, nos quais esta é a faixa etária que prevalece.

A pesquisa revela que pessoas ainda mais novas já começaram a tocar um negócio. Jovens de 18 a 24 anos tiveram taxas superiores a dos brasileiros com 35 anos ou mais, demonstrando a jovialidade dos empreendedores em estágio inicial. Mais da metade dos empreendedores (57%) ainda não estão na faixa etária de 35 anos de idade.

Gabriele Meirelles e Rodrigo Andrade são dois exemplos de jovens empreendedores que trocaram o salário certo do fim do mês pelo incerto mundo do lucro. Ela trabalhou em loja de shopping e em confecções de roupas, em Campinas, até que decidiu fazer um curso de Estilismo e Coordenação de Moda, no Senac,  e desenvolver a própria marca. Hoje, orgulha-se em ter uma loja que veste mulheres com um misto de conforto e sofisticação e, ainda mais, da ampliação prevista para o negócio. “A Santa Costura De Todos Os Panos deve entrar para o mercado de franquias até o fim deste ano”, conta a estilista. Ele demorou um pouquinho mais para começar. O jovem gestor de negócios, antes de se tornar sócio de cinco distribuidoras de água e de lançar dois produtos feitos de material reciclado, trabalhou em diferentes cargos dentro de empresas multinacionais. Hoje ele está se especializando em Gestão Ambiental e seus planos para o futuro também seguem a linha ecológica. “Costumo dizer que não vendemos só água, mas vendemos saúde e sustentabilidade integradas ao produto”, explica Andrade sobre seu negócio.

Diana Siquelero
Gabriele Meireles em sua loja de marca própria. Expansão para o mercado de franquias é objetivo deste ano.

Os dois, no entanto, reconhecem que a atitude não vem à toa. Para a tomada de decisão, eles têm as dicas que a própria vida dá. Gabriele notou que podia lançar a própria marca quando trabalhou na produção de uma confecção de roupas esportivas. “Ali, aprendi tudo para poder produzir minhas próprias coleções com mais profissionalismo e qualidade”, declara. Já Andrade, teve seu principal sinal quando, depois dos seis anos na área comercial – onde apresentou diversas formas de redução de custos para os acionistas – foi convidado para trabalhar na área financeira, e aceitou o desafio. “Lá eu percebi que tinha uma grande capacidade de aprender novas atividades e, sobretudo, de dar soluções para problemas do cotidiano. Tenho a plena certeza de que toda esta experiência vivenciada capacitou-me para ser um profissional empreendedor”, completa o rapaz.

Diana Siquelero
Rodrigo Andrade com um de seus produtos sutentáveis. O piso plástico feito a partir de galões de água que seriam descartados na natureza é mais barato que os não reciclados do estilo.

Dificuldades

As dificuldades aparecem, e não foi de primeira que Gabriele Meirelles obteve sucesso em sua jornada empreendedora. A primeira tentativa dela, ao lado de uma amiga, foi uma loja com estilo retrô, mas a ideia não vingou. Com a Santa Costura o trabalho dá certo desde 2006, mas, ainda assim, Gabriele não pode vacilar. “O mercado da moda não é fácil. Não há tanto espaço para novas marcas brigarem com as tradicionais já fixadas no cotidiano do brasileiro, principalmente com baixo investimento. Falta reconhecimento do público”, justifica. Já para Rodrigo, a maior dificuldade foi a de aprender a falar “não”. “Muitas vezes esta palavra deixa de ser agradável para algumas pessoas, porém é necessário saber fazê-lo, pois ‘baixar a guarda’ e concordar com certas negociações pode representar custos e gastos a mais em seu orçamento, o que poderá lhe prejudicar gravemente no caminho adiante. Isso eu tive que aprender rapidamente”, conta.

Futuro

Mais difícil ainda é dizer chega. É como se a mente empreendedora não parasse e, uma vez alcançado um objetivo, ela logo estipula outro. O próximo passo de Gabriele é a rede de franquias da marca. “A ampliação será corajosa, mas até o fim do ano estaremos prontos para isso”, conta confiante. O futuro de Rodrigo Andrade é ainda mais elaborado. Ele e o sócio pretendem investir na divulgação dos produtos sustentáveis para as grandes empresas nacionais e internacionais e oferecer assessoria ambiental a esses clientes, para que eles possam também dissipar a ideia a seus colaboradores. “Assim, será possível aumentar o número de consumidores de nossos produtos e estaremos com a consciência tranquila de que estamos fazendo a nossa parte para deixar o mundo mais limpo para as futuras gerações”, planeja.

Diana Siquelero
Outro produto da empresa de Rodrigo Andrade são os copos de água feitos de papel. Ideais para empresas e escritórios, eles são mais baratos que os de plástico, ocupam menos espaço e se degradam em pouco mais de um ano.

Dicas!

A internet está repleta de dicas para quem quer começar. O Digitais PUC-Campinas indica este Manual do Jovem Empreendedor, desenvolvido por Antonio Carlos de Matos, Alecsandro Araújo de Souza e Melhem Skaf Hariz, disponível na biblioteca do Sebrae, por ser um material “oficial”. Nele tem informações importantes sobre a área jurídica de uma empresa além de toques sobre coisas fundamentais para se pensar antes de abrir um negócio.
A revista Exame vai dar um curso de dois dias em abril para pequenos e médios empresários. Quem tiver interesse pode conferir as informações aqui.

Tags: Empreendedorismo, jovens, moda, sustentabilidade.

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