Clubes de Livros atraem jovens leitores

Por Rebecca Veiga

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“Jovem não lê”. Já ouviu alguém falar essa expressão? Segundo uma pesquisa da Fecomercio do Rio de Janeiro, 70% dos brasileiros não leram um único livro em 2014. Porém, é difícil continuar com essa visão estereotipada dos jovens quando muitos Clubes de Livros fazem encontros, pelo menos, mensais por Campinas e região. Com o objetivo de ler, debater e analisar as mais diversas obras literárias já publicadas, os Clubes possuem grande adesão.

O grupo do Clube do Livro da Unicamp no Facebook, por exemplo, possui quase 700 membros. Criado em janeiro de 2015 pela estudante Laura Migliorini, estudante de mestrado na genética da Unicamp, o Clube nasceu como uma “retomada” da estudante aos seus hobbies, que ela havia deixado para trás graças à universidade: “Minha mãe sempre disse que livro é um bem que nunca é perdido, sempre vale o investimento, então sempre que a gente tinha condições, comprávamos,” diz Laura. No final de 2014, a ideia do clube de livros surgiu. Laura criou um grupo no Facebook e, desde então, as reuniões acontecem mensalmente. “Eu não esperava que a recepção fosse ser tão grande, fiquei muito feliz por isso,” completa ela.

Os jovens que frequentam o clube provém dos mais variados cursos da universidade – não só exclusivamente da Unicamp – combinam de se encontrar no Centro Acadêmico da Engenharia Elétrica e discutem a obra que haviam escolhido, por meio de uma enquete, no mês anterior. “Um fator importante é que o pessoal envolvido no clube não é somente da área de Letras e Teoria Literária, assim as discussões fogem um pouco daquela visão acadêmica padronizada do meu Instituto,” diz o estudante de Letras da Unicamp, Fabio Castilho, que entrou no Clube há apenas dois meses.

Paulo Henrique Ferreira, que estuda Relações Internacionais na Facamp, participa das reuniões do grupo desde seu início. Ele diz que sempre gostou de ler, mas que por conta da faculdade, não conseguia tempo para ler algo que não fosse relacionado ao seu curso. “O que acabou me motivando a participar também foi a chance de conhecer novos livros, e como o deadline das reuniões me incentivavam a terminar o livro a tempo, eu acabo até, de vez em quando lendo algum outro livro que eu queira”, diz Paulo Henrique. Ele ainda ressalta que acha importante que não apenas os jovens se envolvam com a leitura, mas também todas as pessoas.

Enquanto isso, em Itapira, as amigas Marina Razzo, Paula Montanari e Nádia Godoy criaram o Clube Outra Xícara Por Favor, em junho de 2011. Os membros do clube se encontram a cada dois sábados na Casa de Cultura da cidade. “Dependendo do livro, damos prazos mais extensos para a leitura, então discutimos, em média, um livro a cada dois meses,” diz Marina. Além dos encontros para discussão de livros, quem participa também se encontra para falar sobre autores, gêneros e suas histórias originais. “O pessoal do clube também escreve superbem!”, ela conta.

O Outra Xícara Por Favor também realiza, anualmente, uma feira de troca de livros beneficente. Quem quiser participar, além de levar os livros para troca, também tem que cumprir outra exigência: “(A feira) É um evento beneficente que arrecada produtos de higiene pessoal e doa para instituições de saúde de Itapira e região,” diz Paula, uma das cofundadoras do clube. Ela lembra que o ele surgiu com o intuito de reunir pessoas para discutir livros e expandir o conhecimento, mas que, com o tempo, foi ganhando novas proporções.

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Membros do clube do livro Outra Xícara Por Favor na feira organizada pelo grupo em 2014. (Crédito: acervo do clube)
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Membros do Outra Xícara Por Favor durante a feira de 2015. (Crédito: acervo do clube)

Sobre a adesão dos jovens, Marina comentou que ela e as amigas ficaram impressionadas: “Nós também tínhamos um pouco desse ‘preconceito’ de que o jovem não lê, e ficamos contentes em ver que não é bem assim! A feira, principalmente, nos mostra como isso é verdade”. Hoje, o Outra Xícara Por Favor possui cerca de 30 membros, a maioria deles na faixa dos 20 anos.

A professora de Letras, Tereza de Moraes, ressalta a importância da leitura na vida do jovem: “O leitor se forma lendo. A maturidade do leitor é uma questão da quantidade de leituras que ele faz. Quanto mais leituras ele faz orientado, mais crítico ele vai se tornar”.

Editado por: Bárbara Cintra

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