Ansiedade atinge 23% dos brasileiros e bate recordes de medicação

Por Alan Duenha

Se formos debater doenças psíquicas, a ansiedade tem se mostrado a mais emergente do século XVI. E também a mais preocupante, pois ela acaba por desencadear complicações devastadoras da mente humana, como a síndrome do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o estresse pós-traumático, entre outras. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quarto país com maior porcentagem de pessoas que sofrem de algum distúrbio ansioso. Cerca de 23% dos brasileiros passam por este problema em algum momento da vida, ficando atrás somente do Paquistão (28%), dos Estados Unidos (25%) e da Colômbia (24%).

A venda de medicamentos contra a ansiedade, por sua vez, só cresce. No ano de 2010, por volta de duas milhões de caixas foram vendidas, um índice assustadoramente maior do que o de 2006, quando foram comercializadas pouco mais de 70 mil. O salto da receita das indústrias do setor farmacêutico saltou de US$ 271 milhões para quase US$ 648 milhões, neste período de 4 anos.

O porque da ocorrência deste “fenômeno” já é sabido. Ele é originado pela insegurança em relação a algo que está prestes a ocorrer ou então de situações imaginárias que o indivíduo idealiza. Segundo a psicóloga Ana Paula de Sá Campos, nem sempre a ansiedade deve ser considerada ruim: “É algo que deixa as pessoas em alerta. Por exemplo, uma gestante que está esperando seu primeiro filho tem diversas preocupações, mas são justamente estas que a fazem procurar um bom obstetra e ter um acompanhamento adequado da gravidez.”

Ana Paula ainda aproveitou a entrevista do Digitais para falar a respeito do nervosismo que muitos jovens passam ao ter de escolher uma profissão, principalmente nesta época, com a proximidade dos vestibulares das universidades públicas:

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Candidatos realizando o vestibular de 2015 da USP – Foto: Acervo fotospublicas.com

Um caso que quase resultou em tragédia

Andréia Aparecida Fávaro, atualmente gerente de negócio próprio no ramo de hortaliças, ainda cursava faculdade em Piracicaba quando um momento de extrema ansiedade por pouco não lhe custou a vida. Ela e mais três amigos estavam tirando o atraso de um trabalho para o curso, quando perceberam que haviam sido trancados no departamento. “Como a porta a qual passávamos estava sempre aberta, nunca me dei conta que o vidro pudesse me machucar e dei uma batida muito forte nela. Na mesma hora percebi que havia cortado o pulso. Foi desesperador. Fui socorrida a tempo pelo rapaz da secretaria, mas tive de passar por cirurgia e reabilitação. Foram seis meses sem escrever e quase um ano sem dirigir.”

Hoje, aos 28 anos, casada, ela conta que o episódio lhe rendeu o aprendizado: Hoje não importo com coisas tão pequenas e, para resolver determinados problemas, faço o que posso e está ao meu alcance. Se for impossível, eu entrego a Deus.” Andréia afirma, inclusive, que ficou pouco ansiosa no dia de seu matrimônio, mesmo o cabeleireiro e a maquiadora tendo se atrasado em mais de 40 minutos. “Fui uma das noivas mais tranquilas que já viram” – comentou, rindo.

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Andréia em seu dia de noiva – Foto: Facebook

Tratamento

Apesar do aumento frenético da produção e venda de medicamentos, Ana Paula falou sobre a possibilidade de atitudes ou mudanças de hábitos no dia a dia ajudarem no caso daqueles que não dispõem de recursos financeiros para pagar uma terapia:

Porém, ela admite que há casos em que a única saída é a procura de uma ajuda especializada

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Curiosidades

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Foto: Site crisedeansiedade.com

A Universidade de Columbia (EUA) mostrou através de um experimento que a ocorrência de transtornos de ansiedade é de 30 a 40% maior em gêmeos.

Na Alemanha, a Universidade de Bonn determinou a mutação de um gene denominado COMT como determinante para a indução a pensamentos catastróficos. Este gene está presente em 1 a cada 4 pessoas, por todo o mundo.

Entre os estados brasileiros, São Paulo e Rio de Janeiro são os que possuem o maior número de ansiosos se tratando com medicação.

Já existem termos para dar nome a ansiedade trazida pelos novos dispositivos de comunicação modernos: Technologyrelated Anxiety ( que surge quando computadores travam e atinge metade da população americana ); Ringxiety ( é a sensação de que o celular está tocando a todo momento; também designa a aflição de não estar conectado à internet e, logo, não saber o que está acontecendo no mundo).

Editado por Vitor Domingues

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