“Tiro uma selfie, logo existo”

Por Priscilla Geremias

Você está sempre tirando uma selfie? Não tem problema, todo mundo já se rendeu à palavra do ano de 2013 segundo o dicionário Oxford. Selfie é o autorretrato, aquela foto que você faz de você mesmo, e essa tendência chegou aos museus e galerias de arte pelo mundo.

Pensando nisso, a Galeria Nacional de Arte Moderna (GNAM) de Roma lançou em outubro uma  iniciativa que convida o público a se imortalizar em uma foto de si mesmo frente às obras da coleção, com o objetivo de atrair os jovens ao museu e divulgar o patrimônio cultural.

Foi se o tempo em que fotografar dentro dos museus é proibido, se você for no Museu do Louvre em Paris pode tirar uma selfie com o pequeno quadro da Monalisa de da Vinci. As opiniões dos críticos são distintas, uns dizem que é o fim de um dos grandes templos de contemplação da arte, outros discordam e dizem que isso não impede que a pessoa usufrua da obra.

O professor Ernesto Boccara, do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) faz uma relação das selfies em museus com o ato de fotografar intensamente uma viagem, e faz uma analogia ao “penso, logo existo” de Descartes e diz “me fotografo, logo existo”. Confira mais no vídeo abaixo:

A exposição “Obsessão Infinita” da artista japonesa Yayoi Kusama ficou à mostra em São Paulo de maio a julho deste ano no Instituto Tomie Otahke, e teve o recorde de 500 mil visitantes. Recorde também de selfies e menções nas redes sociais, o Instituto promoveu uma campanha para que os visitantes fotografassem a exposição e publicassem no Instagram, as imagens mais criativas foram respostadas na conta oficial do instituto.

No Instagram a #obsessaoinfinita teve 13,018 menções. Confira na imagem abaixo junto das menções a #monalisaselfie, que são 861 e a hashtag #casteloratimbum com 42,102 menções que está atualmente em exposição no Museu de Imagem e Som de São Paulo (MIS-SP).

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Menções no Instagram de hashtags de exposições populares em São Paulo e no Museu do Louvre em Paris. (Crédito: Reprodução Instagram)

 As galerias de arte e museus estão pensando cada vez mais em trazer mostras que utilizem de tecnologia e estimulem a interatividade com o público. A mais recente em São Paulo é a exposição Salvador Dalí do Instituto Tomie Otahke que tem a Sala Mae West “que reproduz uma instalação inspirada na atriz americana e rende boas selfies”, segundo resenha da Veja SP.

 A jornalista Rosana Hermann acredita que o fenômeno de tirar selfie é “mais uma oportunidade que a pessoa detecta ao encontrar um cenário, uma pessoa ou um espelho, qualquer ambiente ou objeto que a torne especial, que a projete de forma positiva. Na Selfie sempre há uma intenção. Toda Selfie é uma afirmação, manifesta, uma venda”, afirma.

Editado por Verônica Miranda

 

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