Brasil, a esperança para haitianos

Por Renan Fernandes e Rafael Dall’Anese 

Desde 2010 o Haiti tem sofrido com desastres naturais, seguido por uma forte onda de doenças fatais para o ser humano. Na época um terremoto abalou o país deixando mais de 300 mil mortos e 1,5 milhão de desabrigados, além disso, houve um enorme surto de cólera no país, o que fez com que autoridades nacionais e parceiros internacionais disponibilizassem meios para cuidar das vítimas e conter o avanço da doença. A economia do país também ficou fragilizada pelo desastre, gerando um enorme número de desempregados. Embora as informações sobre a taxa de desemprego no país sejam rasas, estima-se que após o terremoto de 2010 mais de 40% da população se encontrava em situação de desemprego, conforme o site de dados e estatísticas de diversos países, index mundi. Em 2013 quase 95% da população era desempregada. Mais recentemente o país foi devastado pelo furacão Matthew. Segundo a Cruz Vermelha local, mais de 1 milhão de pessoas foram afetadas no país pelo desastre natural, e ao menos 877 pessoas morreram, segundo autoridades locais ouvidas pela agência Reuters em outubro de 2016. O balanço oficial feito pela Defesa Civil informa 271 mortos.

A falta de oportunidades no país caribenho provocou uma forte onda de emigração no Haiti desde então. Em 2014, no ultimo levantamento feito sobre o tema, cerca de 830 mil haitianos viviam nos EUA, 800 mil na República Dominicana, 100 mil no Canadá e 80 mil na França. Atualmente, o Brasil é o grande foco para os Haitianos. Já são mais de 35 mil imigrantes, segundo a ONG VivaRIO, que atua em ações solidárias no país caribenho. De acordo com a professora de sociologia da Universidade Metodotista EAD Campinas e pesquisadora da Unicamp até 2006, Andréa Frou, “o Brasil sempre foi visto com bons olhos devido ao seu futebol, mas a presença do Exército brasileiro no Haiti fez com que essa empatia aumentasse. Eles procuravam países como EUA, Canadá e México, agora chegou a vez do Brasil” explica a professora.

Em Campinas existem mais de 1.300 imigrantes, sendo a maioria Haitianos, conforme o gráfico aponta.

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Woodly Joseph, 25 anos, morava em Porto Príncipe, capital do Haiti. Um dos imigrantes haitianos que vieram para o Brasil, ele conta que chegou recentemente ao Brasil, em busca de emprego. O Haitiano deixou seu país no dia 10 de agosto de 2016, às 17h30 horário local. Ás 19h30 daquele dia Joseph chegou ao Panamá, local da primeira escala da viagem, dali seguiu às 22hrs local para Assunção, no Paraguai, onde chegou às 6hrs da manhã. Minutos depois, Joseph finalmente seguiu viagem para o Brasil, sua chegada aqui ocorreu as 9hrs de Brasília, em 11 de agosto de 2016.

Embora o Brasil esteja passando por uma crise econômica e política, a procura por vistos é alta no Haiti. Segundo dados da Policia Federal, o número de haitianos que entram legalmente no Brasil aumentou gradualmente de 481 em 2011 para 14.535 no ano passado. Os dados de 2016 ainda não foram disponibilizados. Segundo Fábio Custódio, diretor da Secretaria de Cidadania de Campinas, “isso foi possível graças a nova lei de imigração aprovada durante o Governo Dilma”, e completa ainda, “Antes o mundo considerava a imigração como uma questão de segurança, mas mais recentemente este pensamento mudou, agora os líderes mundiais passarão a considerar como um problema humanitário, a partir desse aspecto, é possível observar as necessidades do imigrante no que diz respeito ao desemprego, violência, calamidades e fome”. Embora o país possa parecer pouco atraente neste momento, devido à crise econômica, Andréa Frou explica que é uma alternativa viável, “O contexto mundial é muito complicado. Comparado com o Haiti ou algum país africano, por exemplo, o Brasil se torna uma alternativa boa, principalmente diante de países europeus ou dos Estados Unidos, que têm políticas agressivas em relação aos imigrantes” conclui a professora.

Além da extrema pobreza em que o país vive e as recentes tragédias naturais que provocaram milhares de mortes, outro fator que contribui de forma efetiva na emigração entre o povo haitiano consiste na política de repressão presente no país. Joseph afirma que “são muitas as razões que me trazem para cá, primeiramente os ideais políticos, lá no Haiti não tem condições favoráveis para o desenvolvimento da juventude”. O presidente eleito recentemente deve assumir o poder em fevereiro de 2017, após o Governo provisório em exercício realizar a transição.

A vida de Joseh em seu país de origem se resume a estudos, trabalho, diversão com familiares e amigos, além de jogar futebol.

Entre os motivos que levaram Woodly Josef a escolhr o Brasil, a paixão pelo futebol e pela dança que ambos os países possuem, embora algumas coisas ainda o incomodem, como o alto número de brasileiros que fumam em locais públicos. “No Haiti não tem isso”, atesta o haitiano. Diretor da Secretaria de Cidadania de Campinas, Fábio Custódio alerta para a importância das políticas públicas que possam ajudar na integração social dos imigrantes. “Na década passada o Brasil recebeu centenas de imigrantes vindos do Oriente Médio por meio de um programa social da ONU, mas muitos acabaram retornando ao seu país de origem porque não conseguiram se adaptar a cultura local, isso apontou para falhas no programa de imigração e ratificou a necessidade de uma discussão sobre a inclusão cultural deles também” afirma.

Esse choque cultural, segundo Custódio, “é o maior problema que um imigrante vai enfrentar, e finalmente os países trabalham com algumas políticas públicas capazes de diminuir esses conflitos de maneira significava”, desta forma, minimizando alguns problemas na vida do imigrante que busca por oportunidades. “O maior problema que um imigrante pode enfrentar ao entrar num país diferente é o idioma. Os haitianos têm como idioma oficial o francês”, finaliza Fábio Custódio. Em Campinas, a prefeitura por meio da Secretaria da Cidadania, desenvolve programas de Inclusão Sócio Cultural, destinado a comunidade de imigrantes. Já existem cursos de português que são oferecidos a partir de parceria com fundações, além de cursos profissionalizantes nas áreas de construção civil, beleza, moda, saúde e atenção ao próximo, qualificação em serviços domésticos e em serviços de varejo alimentar. Além disso, a secretaria também auxilia os imigrantes com a documentação, por meio de um serviço de apoio para que imigrantes/refugiados possam tramitar o processo de regularização da sua situação no Brasil junto à Policia Federal e demais órgãos competentes.

Editado por: Juliana Cavalcante/Joel H.Silva

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