Má alimentação corresponde a 35% das mortes causadas pelo câncer no Brasil

Por Karina Rocha

Os meses de outubro e novembro foram marcados pelas campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, movimentos mundiais que visam à conscientização para prevenção ao câncer de mama e próstata. Apesar de esses serem os tipos de cânceres mais falados, eles não são os únicos. Atualmente, existem outros 200 tipos de câncer como o de pulmão, de colo de útero e pele, o mais comum entre a população.

Quando falamos na doença, não apontamos para a cura, mas sim para a prevenção, como explica o Médico Clínico Geral, Dreison Iatarola. “A prevenção é importante em todas as doenças, mas certamente no câncer ganha um papel de destaque, uma vez que as chances de cura estão intimamente relacionadas à precocidade do diagnóstico. Um câncer de próstata ou de mama, por exemplo, se diagnosticado em suas fases mais iniciais, apresentam taxas de cura próximas a 100%. Entretanto, se as mesmas doenças forem descobertas nas fases mais avançadas, as chances de cura são mínimas ou inexistentes”.

Dois itens essenciais para a prevenção, como explica Dreison, incluem uma alimentação adequada e a prática regular de atividades físicas. “Esses são fatores protagonistas, já que muitas doenças, inclusive vários tipos de câncer, estão relacionados ao excesso de peso corporal”.

Atualmente, a alimentação e a nutrição inadequada são consideradas a segunda causa de câncer capaz de ser evitada, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a má alimentação corresponde até 20% dos casos de câncer e 35% das mortes causadas pela doença, ficando atrás apenas do tabagismo.

No pain, no gain!

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A prática de exercícios é peça-chave no tratamento. (Crédito: Karina Rocha)

A expressão “sem dor, sem ganho” é muito utilizada no mundo do exercício físico, um dos grandes fatores no combate à doença. Segundo Dreison, “a atividade física, desde que individualizada para cada paciente, pode manter uma maior capacidade cardiopulmonar e muscular, essenciais nesta batalha”.

A atividade física regular auxilia no controle do peso corporal (que contribui para a formação e a progressão de diversos tipos de câncer), promove o equilíbrio dos níveis de hormônios, reduz o tempo de trânsito gastrintestinal (diminuindo o período de contato dos tecidos locais com substâncias que promovem o câncer) e fortalece a defesa do nosso organismo. Segundo o INCA, é recomendado praticar, pelo menos, 30 minutos de atividade física todos os dias e limitar hábitos sedentários, como assistir à televisão, usar por muito tempo o computador ou jogar videogame.

Entretanto, é importante seguir atentamente as restrições médicas, pois para cada paciente é recomendado um tipo de exercício, como explica Dreison. “O tipo e a intensidade da atividade física vai depender da capacidade individual do paciente, levando em consideração as doenças pré-existentes, o tipo de câncer e quais os tratamentos em uso.”

Você é o que você come

A alimentação é essencial, não só no combate ao câncer, mas também a doenças crônicas e cardiovasculares, por exemplo. Enquanto muitos alimentos podem aumentar os riscos de desenvolver doenças, outros podem ajudar na proteção e combate, por isso, é essencial ter uma dieta balanceada, como afirma Dreison Iatarola. “Uma alimentação saudável poderá fornecer ao organismo nutrientes fundamentais para ajudar no combate ao câncer.”

Para isso, é recomendado uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultraprocessados, como comidas congeladas, e bebidas açucaradas. Com esses cuidados, é possível prevenir de 3 a 4 milhões de novos casos de câncer a cada ano no mundo, como aponta o Inca.

Mas não se esqueça: não existem alimentos milagrosos! Além de evitar certos tipos de alimentos em excesso, cada paciente deve ser avaliado por um conjunto de profissionais para que a dieta seja personalizada. Para o médico, “é preciso levar em consideração os hábitos alimentares pregressos, o tipo do câncer e o tipo do tratamento, visando à manutenção dos principais nutrientes para que o organismo possa se manter o mais saudável possível”.

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Medicina alternativa

Uma alimentação saudável e a atividade física, quando bem indicados e executados, tem a função de auxiliar o organismo para receber o tratamento principal da doença. “Geralmente o tratamento consiste em cirurgia e/ou quimioterapia e/ou radioterapia, a depender do tipo do câncer e de outros fatores”, como explica Dreison.

Entretanto, cresce o número de adeptos a medicina alternativa, que não considera a alimentação um simples auxílio ao tratamento, mas a principal fonte de cura à doença. Dentre as “receitas” mais famosas está a Dieta de Budwig, que curou cerca de 90% dos pacientes de câncer e auxilia no tratamento de hipertensão arterial, artrite, artrose, esclerose múltipla e outras patologias.

A história de Budwig

A dieta foi desenvolvida Johanna Budwig, sete vezes indicada ao Prêmio Nobel da Medicina, em 1950. Depois de diversas pesquisas, a médica alemã concluiu que todos os pacientes diagnosticados com câncer tinham um sistema imunitário debilitado e carência de muitos micronutrientes, principalmente de ácidos graxos essenciais, como ômega 3 e ômega 6.

Com o objetivo de alcançar uma respiração celular eficiente, ela desenvolveu uma dieta com dois ingredientes essenciais: óleo de linhaça, fonte abundante de ômega 3 e 6 e queijo cottage, proteína sulfurada que facilita o transporte dos elétrons das moléculas de ômega 3 e 6 para dentro das células. Dessa forma, seria possível a criação de um ambiente rico em oxigênio, que não permite a sobrevivência das células cancerosas.

É possível encontrar na internet inúmeros relatos de pessoas que seguiram a dieta e foram curadas. Entretanto o método não foi confirmado, por isso sempre recorra a um especialista.

E depois?

Assim como a alimentação e a prática de exercícios físicos são essências no tratamento, o suporte de familiares e amigos pode fazer toda a diferença. Confira a última reportagem da Série Câncer.

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