Câncer: uma doença da modernidade?

Por Rodrigo Sales

O câncer é a segunda maior causa de mortes no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares e se consiste em uma multiplicação desenfreada de células que invadem tecidos e órgãos. Há muitas dúvidas sobre quais as causas do câncer nas pessoas, podendo ser ambiental, genética ou pelo estilo de vida, mas se sabe que cada vez mais casos surgem pelo mundo.

Afinal, os avanços da modernidade criaram o câncer, aumentaram a sua incidência, ou não há nenhuma relação entre os avanços e a doença?

Para chegar a uma resposta, precisamos saber se o câncer já existia na antiguidade. E a resposta é sim. Arqueólogos descobriram há cerca de 10 anos, na Rússia, um esqueleto, de aproximadamente 2700 anos atrás,  de um homem que tinha claros sinais de ter câncer nos ossos.  Ao mesmo tempo, pesquisadores britânicos divulgaram em pesquisa que encontraram indícios de câncer em um cachorro, há cerca de 11 mil anos.

Com essas informações, pode-se afirmar que o câncer não é uma doença recente, moderna e nem que os homens foram a causa de seu aparecimento. Mas é possível dizer que o desenvolvimento dos seres humanos está causando o alto número de pessoas atingidas pela doença?

Não há um consenso médico sobre isso. Muitos acreditam que não se sabe a real quantidade de casos de câncer no passado, pois a expectativa de vida da época era muito menor e a maioria das pessoas não passava dos 50 anos – idade em que os casos da doença ficam mais frequentes. Por outro lado, esse argumento não explica o câncer infantil, um problema enfrentado hoje e que praticamente não há sinais no passado.

Os maiores indícios são de que a modernidade trouxe diversos problemas de saúde – entre eles o câncer – principalmente após a revolução industrial no século XVIII. Os cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, encontraram provas de que a modernidade tem sim influência na doença.

Eles analisaram restos mortais e escrituras do Egito e da Grécia Antiga e encontraram um caso de câncer dentro de mais ou menos mil corpos estudados, comprovando que era uma doença rara na antiguidade. Na pesquisa, o professor Michael Zimmerman,um dos responsáveis pelo projeto, disse:

“Em uma sociedade antiga sem intervenções cirúrgicas, as evidências de câncer deveriam ficar em todos os casos. A falta de tumores em múmias deve ser interpretada como indício de que doença era muito rara na antiguidade, indicando que os fatores causadores de câncer estão limitados à sociedades afetadas pela moderna industrialização”

Escrituras encontradas pela equipe da pesquisa mostram que os primeiros relatos encontrados  sobre a doença começam a aparecer por volta de 1750, por limpadores de chaminé e por usuários de pó de tabaco. Se a doença tivesse a mesma proporção que tem hoje, era de se esperar que relatos mais antigos sobre a doença aparecessem nas pesquisas, o que não aconteceu.

A medicina atual também tem provas de que os avanços da sociedade fazem com que o número de pessoas afetadas pelo câncer seja cada vez maior. A Organização Mundial da Saúde categoriza os elementos ou substâncias que são causadores de câncer. A divisão é feita em quatro grupos, com as substâncias classificadas como:

  • Categoria 1: “causadoras de câncer”
  • Categoria 2A e 2B: “provável” e “possivelmente causadoras”
  • Categoria 3: “não classificáveis quanto a sua carcinogenicidade a humanos”
  • Categoria 4: “provavelmente não cancerígena aos humanos”

Sabe quantos agentes estão na categoria 1, que comprovadamente causam câncer? 118 substâncias. E 363 itens estão classificados como provável ou possivelmente, nas categorias 2A e 2B. No infográfico, estão os 10 maiores causadores de câncer pelo mundo, se eles são naturais ou se o mundo moderno os criou.

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Créditos: Rodrigo Sales

Como evidenciado pela lista, mesmo o câncer já existindo nos tempos antigos, a sociedade veio ao longo do tempo criando substâncias cada vez mais tóxicas ao organismo, de tal forma que hoje temos mais chance de ter a doença ao simplesmente andar na rua (raios ultravioleta), ou ao respirar (poluição e fumo passivo).

Ainda não conseguiram criar uma cura total para o câncer, que consiga acabar com a doença, mas como visto, o estilo de vida da pessoa, a alimentação e vários cuidados com o corpo podem diminuir as chances de sofrer com esse mal.

Esse é o próximo tema da série de Reportagens sobre o Câncer: Má alimentação corresponde a 35% das mortes causadas pelo Câncer no Brasil.

Editado por: Isabela Ariolli

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