Benefícios da maconha: o que pensam os estudiosos?

Por Ana Paula Perez

No dia 11/11/2016 o juiz Marcelo Rebello Pinheiro, do Distrito Federal, liberou o uso do THC, princípio ativo da maconha para uso medicinal, no entanto, a decisão permanece provisória e o processo segue na justiça. Originária da Índia, a planta se tornou ferramenta de estudo no âmbito da medicina, isso porquê a erva que é capaz de alterar os sentidos do usuário, também é um dos mais eficazes métodos de tratamentos para inúmeras doenças como AIDS, câncer, TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), esclerose múltipla, náusea decorrente da quimioterapia, doença de Crohn, glaucoma, epilepsia, insônia, enxaqueca, dentre outras.

Mas, será que o Brasil está apto para esse marco na história da medicina?

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Como o THC age no cérebro Créditos: Ana Paula Perez Fonte: UOL

Para a pesquisadora e socióloga Evelyn Salles, os estudos científicos vêm mostrando cada dia mais que a maconha é extremamente menos perigosa do que centenas de remédios que causam dependência química e que são vendidos regularmente em drogarias de todo o país. Estudos apontam que o THC extraído para o uso medicinal age consolidando-se aos receptores de endocanabinoide do cérebro, resultando no usuário uma visível redução de ansiedade e dor.

Evelyn explica que o uso desenfreado da maconha pode também agravar outras doenças, como o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e a esquizofrenia. Segundo ela, a relação da cannabis com a esquizofrenia caminham em um paradoxo cientifico, pois ao mesmo tempo em que a erva desencadeia surtos de esquizofrenia em pessoas com predisposição genética para tanto, ela também pode melhorar os sintomas da doença em pacientes com o diagnóstico mais agravado.

Isso vai variar de pessoa para pessoa, de organismo para organismo. O que resta aos pesquisadores agora é estudar a variedade de organismos para descobrir a dosagem certa para cada um. Isso pode ser utópico, mas é necessário e além do mais existe um preconceito muito forte em relação à esta substância. Precisamos lembrar que a maconha não causa dependência química e sim psíquica.

O pesquisador Fernando Pascoal Vieira de Lima, da FMU, frisa a importância desse marco histórico no âmbito da saúde pública brasileira. Para ele, a questão da maconha vai muito além daquilo que tratamos como senso comum.

Precisamos enxergar a questão da maconha como um marco social e continuar caminhando em prol de uma sociedade menos preconceituosa e hipócrita. A legalização da erva poderia ser avanço contra o tráfico de drogas brasileiro.

O uso da maconha para fins recreativos

A estudante Alexia dos Pinhais que se declara como usuária da maconha para fins “recreativos”, conta que já sofreu preconceito ao dizer que usufruía da substância. Alexia conta que a maconha ajudou seu organismo a reagir contra os efeitos da crise de enxaqueca.

O uso indiscriminado de álcool causa cirrose, comportamento violento, dependência, etc… O uso indiscriminado de tabaco causa câncer, forte dependência, inúmeros problemas respiratórios e envelhecimento precoce. O uso indiscriminado de água causa afogamento. O uso indiscriminado de oxigênio causa barato e até morte. O uso indiscriminado de comida causa obesidade (…)

A estudante frisa a ideia de que tudo o que é consumido em excesso faz mal, não apenas a maconha. “Uso há mais de 5 anos e nunca tive nenhum problema em relação à isso. Meus pais não apoiam porque dizem que faz mal, mas bebem vinho em basicamente todas as refeições. O governo e a mídia alienam as pessoas e destilam preconceito em torno de algo que faz menos mal do que um comprimido de anti-depressivo. Acontece que o anti-depressivo, os remédios para ansiedade e o álcool estão nas novelas, a maconha não. A mídia faz questão de impor uma juventude clichê, que vai à festas, tomam remédios para lembrar de tomar remédios e o problema em questão ainda é uma planta que nunca matou ninguém.”  — Completa a estudante.

Estudante montando seu cigarro de maconha. (Créditos: Ana Paula Perez)
Estudante montando seu cigarro de maconha (Créditos: Ana Paula Perez)

 

Combate ao tráfico de drogas

 Evelyn Salles também ressalta a importância da legalização para outros fins, pois segundo ela o combate às drogas deve ser inteligente.”Ninguém acabará com o tráfico somente com a repressão. Por isso eu sou a favor da legalização desde que seja tributada, produzida como é feito o tabaco, contendo campanhas que mostrem as suas consequências, e assim com o cigarro, o uso iria diminuir e com isso enfraquecer o tráfico, uma vez que seu poder econômico é reduzido (…)”

 Editado por: Isabela Ariolli

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