Mercado de filmes brasileiros cresce, mas produção cultural não chega a todos

Por Rafaela Galvão

No próximo sábado, 5 de novembro, comemora-se o Dia Nacional do Cinema Brasileiro. De acordo com o Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual , o OCA, da Ancine, a renda de filmes brasileiros quadruplicou nos últimos sete anos. Apesar desse dado, a distribuição cinematográfica no Brasil deixa a desejar.

Dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 371, (6,66%) têm salas de cinema, de acordo com o Filme B -publicação especializada na área, o que dificulta a distribuição dos filmes. Além de que somente 11,7% das produções ficam em cartaz em cinemas de rua, contra 88,3% em exibição em salas de cinema de shoppings centers, limitando o acesso à cultura, direito garantido pela Constituição Brasileira.

A data, 5 de novembro, foi criada em homenagem ao aniversário de Paulo César Saraceni, um dos principais idealizadores do movimento Cinema Novo, em conjunto com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos. No entanto, há quem discorde e afirme que o dia oficial  de celebração do cinema nacional é 19 de junho. Esta foi a data em que Afonso Segreto, cineasta italiano, fez as primeiras imagens do Brasil, quando estava a bordo de um navio europeu, prestes a ancorar no Rio de Janeiro em 1898.

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Créditos: Rafaela Galvão

Marcio Mouse é cinéfilo convicto, já assistiu mais de 3.000 mil filmes, nacionais e estrangeiros. Para ele, o Brasil tem boas produções, mas, em sua opinião, a falta de adesão do público é o que prejudica a popularização dos filmes nacionais. ” A gente tem filmes de ação, de drama, de comédia e até filmes de terror. Mas acho que é mais um preconceito do público mesmo. Falou que é filme nacional, as pessoas já começam com o pé atrás, já falam que não deve ser bom e por ai vai” afirma o cinéfilo. Marcio também comenta sobre outro problema enfrentado pelas produções brasileiras, que é a falta de espaço nas salas de cinema. “Um filme grande, de fora, tem três, quatro, cinco salas e, às vezes, um filme nacional não tem nenhuma ou passa em horários muito ruins”, explica.

Para o cineasta Bartolomeu Oli, um dos principais empecilhos para a produção cinematográfica no Brasil é o monopólio, que “restringe muito a criação de projetos diferenciados”. Atualmente, Oli mora nos Estados Unidos. Para ele, “o mercado de cinema é bem complicado em qualquer lugar do mundo e é muito importante você se especializar ao máximo”. Ele também comenta que o surgimento de novas plataformas de produção independentes é um mercado que abre portas.

 

Valorizando o cinema nacional

Anualmente, uma rede de cinemas realiza um projeto com objetivo de incentivar o cinema nacional. Por um dia inteiro as sessões estarão voltadas a veicular longas metragens nacionais. O ingresso custa R$ 3,00 e o valor arrecado é usado para investir em produções brasileiras. Em Campinas, o evento acontecerá na segunda-feira, 7 de novembro.

Editado por Letícia Baptista

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