Novas drogas sintéticas chegam à região de Campinas

Por Mariana Camba

Nesta semana foram encontradas em Campinas, durante uma apreensão da DISE (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes), drogas sintéticas que já circulam há algum tempo em certos países, mas que nunca tinham sido encontradas na região. Essa foi a segunda apreensão deste tipo de substância no Brasil. As drogas apreendidas ainda possuem nomes incomuns que assemelham-se a siglas, como 2C-P e BKEBDP.

A circulação de drogas ainda é uma prática recorrente dentro do mercado ilegal, e não acontece somente na RMC (Região Metropolitana de Campinas). O comércio dessas substâncias possui uma extensa variedade de produtos, que são vendidos diariamente. Alguns dos narcóticos que fazem parte desse cardápio já são consumidos por usuários estrangeiros, porém, no Brasil, foram encontrados pela primeira vez em Campinas, durante uma operação policial.

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Drogas sintéticas em apreensão da DISE. Créditos: Divulgação/Polícia.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, Dr. Felipe, duas remeças das substâncias já foram apreendidas na cidade campineira e agora a investigação da DISE segue monitorando a aparição de novas quantias na tentativa de chegar aos fornecedores.

4C-EC e Dietilona ou Metilona, são alguns dos nomes das drogas que fazem parte do caso, sendo que a última atua no sistema nervosos central e causa ataques de pânico. Já chegou até mesmo a ser conhecida como a “droga do canibalismo”. Algumas das delas tem aparência muito semelhante a cocaína, no entanto os efeitos do consumo são bem diferentes. A médica toxicologista do Instituto de Criminalística de Campinas Dra. Sílvia Cazenave, afirma que a dependência é rápida, principalmente pela ingestão oral, podendo variar de acordo com cada entorpecente. Entretanto, o tempo de vício é mais lento quando comparado com o crack, sendo semelhante ao potencial de dependência do Exstasy e do LSD – baixo e com danos físicos maiores.

A grande questão no uso dessas drogas sintéticas está no fato do usuário não saber exatamente o que está consumindo. “Antes era muito mais difícil surgir substâncias novas nesse meio, mas hoje isso é visto com mais naturalidade, isso acontece porque novas substâncias são criadas nos laboratórios de fabricação para tentar driblar a legislação”, explicou a médica toxicologista. A droga sintética nada mais é do que uma ou mais substâncias, exclusivamente psicoativas, misturadas e produzidas por meios químicos, em que os principais componentes ativos não são encontrados na natureza.

Os perigos das drogas sintéticas

A psiquiatra especialista em tratamento com dependentes químicos Débora Cristina, alega ser raro ter um paciente com dependência de droga sintética, já que normalmente o abuso no consumo dessa substância acaba colocando em risco a vida da pessoa, podendo até levar à morte. Essas são drogas com efeito prolongado, e as de uso diário são de efeito imediato. Dessa forma, o consciente do indivíduo fica alterado, contribuindo para a ingestão de maior quantidade do produto. A médica explica que nem mesmo nos laboratórios clandestinos onde as drogas sintéticas são produzidas existe um controle das substâncias, os próprios fornecedores são incapazes de dizer o efeito exato que a droga pode causar.

Editado por Laura Clobochar e Letícia Baptista.

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