Levantamento: casar deixa de ser primordial na vida dos brasileiros

Por Renan Fernandes

Seguindo uma tendência mundial que está presente em países desenvolvidos, o número de brasileiros que estão adiando o casamento por conta de outras prioridades segue aumentando. Para se ter ideia, a quantidade de homens solteiros que se casaram em 2014 e pertencem a faixa etária que varia entre 30 a 34 anos, aumentou 30,8% em relação a 2013. Para as mulheres o aumento foi mais significativo entre a faixa etária que varia de 25 a 29 anos, cujo aumento foi de 28,3%. Em números brutos isso significa 7.471 casamentos para homens nessa faixa de idade e 4.956 para as mulheres.

Além disso, em 1974 a média de idade do homem na data de núpcias era de 27 anos, frente aos atuais 30 anos de idade que foram registrados em 2014, enquanto que para as mulheres a média de idade na data do casamento também aumentou, indo de 23 anos em 1974 para 27 anos em 2014. Os dados são do Registro Civil do censo IBGE e as idades apontadas são as que tiveram maior aumento de pessoas casando em relação a outros grupos de faixa etária.

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Fonte: IBGE

Para Elaine Mardegan, psicóloga especialista em terapia de casal, “este é um fenômeno cultural primeiramente sobre o significado da família que vem sendo mutilado por novos modelos de relacionamentos, além de que nossos jovens têm sido treinados pelos próprios pais a pensar que se casar e ter filhos não são prioridades importantes” destaca.

O estudante Rafael Dall’Anese, 27, e a enfermeira Kaama Oliveira, 25, são um bom exemplo do tipo de jovens que almejam outros objetivos e por isso nem pensam no casamento, por enquanto. Eles se conheceram em 2009 numa festa de faculdade, mas foi somente em 2011 que oficializaram o namoro e dois anos mais tarde  passaram a morar juntos, mas por conta de um concurso público no qual Kaama foi aprovada, ela teve que se mudar para Comburiu/SC em abril de 2015, aonde permanece atualmente.  Enquanto isso, Dall’Anese continua em Campinas até pelo menos concluir seu curso na faculdade de jornalismo, pela PUC-Campinas. “Na verdade o casamento nunca foi uma prioridade para nós. A gente até pensa em fazer uma festa pra reunir os amigos, mas só lá pra frente, quem sabe um churrasco”, afirma Kaama, com a concordância explicita de Dall’Anese.

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Fonte: IBGE

A psicóloga explica que além dos fatores primordiais que muitas vezes são baseados pelas prioridades que cada um possui, “o foco mudou, ter seu próprio espaço, preservar seu próprio eu, ter autonomia, tudo isso ganhou tanta força que acabou corroendo o casamento” além disso, “quase um terço da geração jovem vive com seus pais. Assim desfrutam por mais tempo de bens como carinho, apoio quase que inesgotáveis, liberdade, a comidinha predileta, entre outros confortos”.

Essa tendência se aproxima da lógica de alguns estudos que indicam que a juventude se encerra perto dos 25 anos, portanto é a partir daí que o indivíduo passa a ser mais conscientemente e maturo o suficiente para discernir a importância de suas decisões, nisso inclui a escolha da(o) parceira(o) para o restante da vida. Mardegan explica que “este é um momento de grandes mudanças de vida, o mais importante onde ocorre a luta pela independência financeira, acrescido de novos empregos, novos amigos, etc. É a fase em que as pessoas começa a descobrir quem elas são, em termos de carreira e o que elas querem em um relacionamento. Há tantos desafios psicológicos e isso inclui alterações dos nossos próprios cérebros, que ainda estão em transformação, as quais estão prestes a chegar num estágio maior da maturidade” finaliza a psicóloga.

Com relação ao número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, a especialista destaca a importância da “nova cultura” que segue evoluindo, mesmo que vagarosamente, e tem reconhecido a união estável entre estes casais como um direito civil. “O fator internet revelou aos jovens, que ser gay simplesmente não é estranho. Duas mulheres ou dois homens no altar não é mais uma ‘aberração’, mas sim um direito civil, uma garantia da ideologia de gênero. Portanto, é o nascimento de novas crenças sobre a sexualidade e a liberdade de expressá-las” afirma Mardegan.

Editado por Thiago Tedeschi e Thais Bueno

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