Fisiculturismo: a persistência diária para esculpir o corpo

Por Aline Domingos

Período de competições. Guilherme Tartaro, 24, acorda as sete horas da manhã e com a ajuda de sua mãe prepara um café da manhã reforçado. Em seguida, vai para a academia dar de duas a três aulas, além do próprio treino em que levanta mais de 50kg em cada exercício. Quando seu treino acaba, vai para o clube Mogiano dar aulas, pois, além Personal Trainner, Guilherme é professor de Educação Física. Os treinos vão de segunda a domingo, com descanso apenas aos sábados, assim como a alimentação regrada, com liberdade de apenas um dia semana para comer o que quiser, mas sempre controlando cada porção. É fisiculturista há 2 anos.

img_2009
Guilherme Tartaro á direita e seu aluno (Créditos: Aline Domingos)

Letícia Rapucci, 26, tem uma rotina um pouco mais complicada. Além de fisiculturista, ela é comissária de voo. A rotina não é regrada por conta das viagens, por isso, Letícia tem de conciliar a rotina da aviação e aproveitar os intervalos em hotéis para treinar, além de tentar manter a dieta, levando sempre seus alimentos em uma bolsa térmica. É fisiculturista há 5 anos.

1796643_615109055234706_337822114_n
Letícia Repucci (Foto: Facebook)

Força e resistência são os princípios básicos do Fisiculturismo. A alimentação é controlada grão a grão, os treinos são pesados e intensos. Esse método de transformação corporal existe desde 1990, quando começou a disseminação da hipertrofia.

O Fisiculturismo ou bodybuilding é uma prática que desenvolve os músculos aumentando a massa muscular. Mesmo não sendo considerado oficialmente como um esporte, essa modalidade possui competições que visam julgar principalmente a força, a proporção, o tamanho, a definição e a estética dos músculos.

Os treinos são pesados. São levantados em torno de 50kg por aparelho, com séries de 8 a 10 movimentos e 3 tempos de repetições. O corpo todo treme a cada movimento. O suor escorre pela testa e pelas costas e acompanhado de um urro de dor, dificilmente os atletas interrompem o exercício, eles sempre vão até o final da série.

Mas não para por aí. Para se tornar um fisiculturista não basta somente esculpir os músculos. “As competições de fisiculturismo são como um desfile, vence o melhor conjunto. Isso envolve o porte físico do atleta, mas não o mais volumoso. Eles avaliam a harmonia dos ombros e do corpo. O conjunto envolve sorriso, cabelo, pele e também a presença de palco. Existem regras relacionadas ás poses. A vestimenta é a bermuda então elas não pode estar sujas ou manchadas pois perde ponto.”  Conta o fisiculturista Guilherme Tartaro.

Além do treino intenso, a alimentação também conta muito no desenvolvimento corporal. Em período de competições, Guilherme conta que o fisiculturismo exige muito do atleta, pois ele fica fraco e acaba dependendo muito das pessoas ao seu redor. Isso acontece porque quando a pessoa não está treinando para campeonatos, ela tem que aumentar o nível de massa muscular e para isso acontecer, deve-se ingerir uma quantidade de calorias muito alta. Já em período de competição, que é o período em que o atleta precisa “secar”, há a necessidade de reduzir as calorias e aumentar o treino físico.

“Em período de competição a gente fica muito fraco, e minha mãe me ajudava muito. Levava comida pra mim ás vezes na cama porque eu estava muito fraco e é difícil pra pessoa que não faz o esporte entender o que é isso. Eu estava acostumado a comer uma quantidade de calorias muito alta, aí você reduz a caloria e aumenta o treino porque você precisa daquele físico para a categoria da competição. “

Letícia e Guilherme tem outro ponto em comum além de serem fisiculturistas, o motivo que os levou á pratica dessa modalidade: a magreza.
Letícia sofria bullying na escola. Guilherme pesava 60kg com 18 anos. Ambos disseram que o principal fator para a busca, tanto do fisiculturismo como da musculação é a parte estética. Pouquissimas pessoas procuram uma academia visando a saúde.

O que os levou até a academia pode ter sido a magreza. Eles foram em busca de estética, mas o que os segura hoje é a paixão pelo fisiculturismo.

“Decidi entrar na academia porque eu era muito magra, sofria complexo  e bullying na escola. Depois de um tempo eu desencanei, mas comecei a treinar só para dar uma encorpada. Aí uma vez me chamaram pra ir em um campeonato de fisiculturismo assistir e foi amor a 1° vista. Desde então eu quis entrar nesse mundo e comecei a me preparar, aprender tudo sobre dietas e treinos.” Contou Letícia

fisiculturismo1
(Foto: Facebook)

“Eu comecei a treinar porque eu era muito magro, só treinava por estética. Faz 6 anos que eu treino e na academia tinha um cara que já era fisiculturista. Uma vez, em 2013, fizeram uma van para ir na competição dele e eu fui para ver como era e dar uma força pra ele.  Chegando lá, eu não conhecia o que era fisiculturismo. Aí o pessoal de lá começou a falar que eu tinha perfil pra participar da categoria e a partir dai eu falei “ah, vou tentar”. Em 2014 já estava na minha primeira competição. O fisiculturismo é uma arte. Eu me sinto bem fazendo, me sinto feliz fazendo isso e não me vejo fazendo outra coisa. ” Contou Guilherme.

(Foto: Facebook)
(Foto: Facebook)

Tabela de competições Guilherme Tartaro

guiler
Por Aline Domingos
13592212_1778620185749972_4883168251590366589_n.jpg
(Foto: Facebook)

Tabela de competições Letícia Rappuci

le
Por Aline Domingos
10511159_795831023829174_5009984186695806678_n
(Foto: Facebook)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fotos: Aline Domingos

Editado por Pedro Alves

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s