Com plateia fervorosa, PUC-Campinas realiza sabatina com candidatos à Prefeitura

Por Mathias Sallit

Nesta terça-feira (20), a PUC-Campinas recebeu os candidatos à Prefeitura Municipal de Campinas para realizar uma sabatina para diálogo com alunos, professores e funcionários da Universidade. Todos os nove concorrentes foram convidados, dos quais oito estiveram presentes no Auditório Dom Gilberto, no Campus I da Universidade, discutindo suas propostas de governo com a comunidade acadêmica. O único candidato ausente no encontro foi o ex-prefeito Doutor Hélio, cassado em 2011, no caso Sanasa.

Após Roberto Brito de Carvalho, mediador da sabatina e professor de economia, anunciar a ausência de Doutor Hélio, justificada por “problemas na agenda”, a plateia reagiu com uma sonora vaia ao médico. Essa foi apenas a primeira das reações eufóricas que marcaram a noite dos candidatos na universidade.

Distribuídos nas mesas por ordem alfabética, os candidatos responderam perguntas elaboradas por docentes da Universidade com temas tratando o desenvolvimento urbano, econômico e social, além de questões sobre assuntos gerais que foram feitas por alunos das faculdades.

Como esperado, a grande maioria das respostas eram acusações diretas à atual gestão da cidade, enquanto o prefeito Jonas Donizette respondia usando feitos realizados no governo em progresso. Mas além de promessas e acusações, a sabatina teve seus momentos peculiares, principalmente vindos da plateia, um dos principais motivos que diferenciaram o encontro na PUC-Campinas dos debates tradicionais.

Ao final do debate, alguns candidatos posaram para foto junto ao mediador Roberto Brito (Créditos: Mathias Sallit)
Ao final do debate, alguns candidatos posaram para foto junto ao mediador Roberto Brito (Créditos: Mathias Sallit)

Artur Orsi (PSD)

Artur Orsi fez questão de lembrar que é um “Filho da PUC” como a maioria dos presentes. Respondeu sobre o transporte público, sobre preservação do patrimônio histórico campineiro e saúde. Sempre levantou dados para questionar a atual administração, citando panes de combustível em linhas de ônibus, degradação do centro da cidade e números orçamentários para justificar que não falta verba para a saúde, mas, segundo ele, uma boa gestão. Em um momento, quando anunciado que a questão era direcionada a Orsi, uma reação de um integrante da plateia chamou a atenção dos presentes, e fez o mediador proferir um provérbio que diz que a paciência é uma virtude que deve ser exercitada. Encerrando sua participação, o candidato do PSD disse que os que acham que a cidade está melhor, devem votar em Jonas, mas pediu apoio para aqueles que querem mudanças.

Edson Dorta (PCO)

Ao lado de Orsi estava Edson Dorta, candidato do Partido da Causa Operária, que sabia que não estava lá para ser eleito. O objetivo de seu partido era outro: denunciar o “golpe de estado que vem ocorrendo no Brasil”, referindo-se ao impeachment de Dilma Rousseff. Desde a primeira resposta, deixou claro que sua prioridade era apontar que o governo federal atrapalharia o país a ter progresso e que as propostas que prometem melhorias em educação, saúde e emprego só deixarão de ser “falácias” depois de derrubar o novo governo. Citando privatizações e o fim de políticas sociais, chamou a juventude para lutar contra o que, segundo ele, foi um golpe e falou que os países latinoamericanos estão sendo dominados pelos “imperialistas” norte-americanos. Dorta teve boa reação de grande parte da plateia, que o aplaudia a cada vez que criticava o presidente Michel Temer. Ao final da sabatina, estava comercializando o jornal “Causa Operária”, que estampava uma foto do ex-presidente Lula na capa.

Jacó Ramos (PHS)

Durante todo o debate, Jacó Ramos insistiu em dizer que é um empresário. Alegou que Campinas possui problemas burocráticos que afastam grandes empresas e prometeu trazê-las para a cidade. Disse que vai resolver todas as dificuldades básicas que o município passa. Não teve momentos que destoaram no decorrer do evento, mas disse que tem orgulho de ser empresário e patrão, o que causou olhares tortos em alguma parte dos presentes, mesmo dizendo que multinacionais entram no país para sugar o dinheiro nacional.

Jonas Donizette (PSB)

O atual prefeito de Campinas entrou no palco com muitos aplausos e muitas vaias de uma plateia bastante dividida. Era para Jonas Donizette que os dedos dos demais candidatos apontavam. A ele, coube rebatê-los usando ações de seu governo, considerando que a cidade foi reconstruída após assumir o cargo em meio a uma das maiores crises políticas vividas no município. Falou sobre audiências realizadas sobre o plano diretor e melhorias na saúde e no transporte público, momento em que foi contestado por parte dos presentes, que o interromperam, fazendo-o pedir tempo adicional para resposta. Foi questionado sobre atenção à saúde dos trabalhadores, quando respondeu sobre projetos gerais da saúde, quando se pôde ouvir alguns “e o trabalhador?” vindos do público. Finalizou dizendo que ainda há um longo caminho pela frente mesmo com o progresso que diz estar em andamento. Conta com um diálogo sincero e apoio da população para atender as necessidades, fazendo isso em época de “vacas magras”, referindo-se à crise econômica do país.

Marcela Moreira (PSOL)

“Primeiramente, fora Temer”. Foi assim que Marcela Moreira começou a responder sobre o aeroporto de Viracopos. Suas falas foram sempre firmes e críticas aos governos municipal e federal, trazendo boa parte do público para seu lado. Disse que vai cortar cargos comissionados para que esses gastos sejam distribuídos em benefício à população, reprovou “incompetência” da atual gestão no problema da dengue, dizendo que a culpa da dengue não é do “vaso da Dona Maria”, e sim da “má administração”. Apresentou propostas de moradias populares e vagas em creches, mas era celebrada pelo público quando acusava Jonas Donizette. Marcela não participará dos debates a serem realizados pela EPTV e TV Band devido a inaptidão do PSOL. Por isso, disse que precisa dos presentes para “multiplicar o sonho”. Encerrou dizendo que pode derrotar a força de 23 partidos, fazendo menção à coligação de Jonas. A plateia respondeu com o grito de “fora Temer” mais alto da noite. Detalhe: depois de ouvir um “miado” debochando da candidata Surya Guimaraens, da REDE, Mariana pediu respeito com sua concorrente e repudiou o “ato machista”.

Marcio Pochmann (PT)

Marcio Pochmann foi bastante saudado por parte do público e pela militância do PT presente na sabatina. O economista docente da Unicamp defendeu um novo modelo e uma mudança de concepção de Campinas. Falou de construir um plano diretor com participação social para os próximos anos, descentralizar o poder de grandes empresas, dando atenção para pequenos e micro empreendedores, cobrou do governo estadual um repasse maior de verba para organizar a questão da saúde e falou sobre o financiamento militante de sua campanha, criticando o uso abusivo de recursos privados para esse fim. Finalizou defendendo uma maior participação feminina em seu secretariado e extinção de seu salário como prefeito, mantendo-se apenas com a remuneração vinda da Unicamp. Marcio não citou muito o impeachment de Dilma, ao contrário dos demais candidatos de partidos de esquerda. Ele apenas classificou um “atentado à jovem democracia” enquanto respondia sobre o custeio de sua campanha.

Marcos Margarido (PSTU)

Depois de elogiar o “clima olímpico” vindo da plateia, o candidato do PSTU foi bastante claro em suas falas: está lá para defender os trabalhadores. Atacou os empresários, patrões, banqueiros e o sistema capitalista, que, segundo ele, é o causador da corrupção. Para Marcos Margarido, acabar com o capitalismo é a solução para dar fim à corrupção. Defendeu uma greve geral e uma revolução socialista no país. Disse para não confiar nos “poderosos” para resolverem os problemas do Brasil, pois eles estão ao lado dos patrões e a crise “vai para as costas do trabalhador”.  Gritou “fora Temer” e disse que Dilma traiu os trabalhadores. Ao encerrar sua participação, agradecer aos presentes que aplaudiram e vaiaram, direito democrático de cada um, segundo ele.

Surya Guimaraens (REDE)

Debutando em debates políticos, Surya aparentava um certo nervosismo quando questionada sobre políticas básicas e orçamentárias. Isso gerou reprovas de parte da plateia. Foi quando se ouviu deboches vindos de alguns indivíduos, como o caso do “miado”, retrucado pela Marcela Moreira. Mas Surya foi saudada pelos presentes por reconhecer que destoa dos demais candidatos por estar iniciando na política, carreira que entrou com o “propósito de mudar”. Disse que a sabatina foi importante para conhecer o processo e defendeu gestões com participação de pessoas comuns. Escutou um “parabéns pela coragem, Surya” vindo de um presente, que foi seguido por aplausos de grande parte dos que lá estavam.

Editado por Pedro Alves

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s