Projeto Ateliê no escuro propõe jantar misterioso de olhos vendados

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Sem talheres, a regra é se lambuzar e conhecer as diversas texturas da comida. Foto por Joel H.Silva

Por Joel H.Silva

Na última quarta-feira, 24, quem escolheu jantar no restaurante D’autore no Cambuí, região central de Campinas, teve a oportunidade de degustar pratos de uma forma totalmente diferente: de olhos vendados e sem a utilização de talheres. O jantar inusitado faz parte do projeto Ateliê no escuro, que busca levar ao público experiências gastronômicas sensoriais, ou seja, que utilizam simultaneamente os sentidos, com exceção da visão.

Segundo a psicóloga Elis Feldman, uma das criadoras do projeto, pelo fato da visão ser sempre predominante, existe um potencial pouco explorado em todos os demais sentidos (tato, olfato, audição e paladar). “Existe uma riqueza muito grande de sentidos que a gente não explora por conta da visão, é como se a gente já fosse deficiente dos nossos próprios sentidos” explica.

O projeto criado em São Paulo, já passou por diversas cidades como Rio de Janeiro, salvador e Lisboa, em Portugal. O Ateliê no Escuro vai ao encontro de uma tendência no setor gastronômico Brasileiro dos últimos anos, que segundo um levantamento da GS&MD tem apostado cada vez mais na criatividade e na inovação para cativar o público.

Ao chegar no local, o cliente é totalmente vendado e o único questionamento  é sobre possíveis restrições alimentares, porém, o conteúdo do prato permanece em sigilo. “A ideia não é que seja uma coisa de preferências, pode acontecer da pessoa comer algo que não goste, porque realmente o sentido da experiência é ampliar horizontes” esclarece Elis.

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Instrumentos utilizados para estimular os sentidos

Durante toda a experiência, os clientes degustaram os pratos com as mãos, enquanto tentavam redescobrir os sabores através do tato, olfato e paladar. A ambientação inclui música de fundo ao vivo para aguçar a percepção auditiva. Durante toda a experiência, a equipe do ateliê utiliza chocalhos, aromatizantes e até equipamentos de massagens para oferecer estímulos sensoriais aos participantes.

O projeto além de contemplar restaurantes, inclui um trabalho realizado com empresas que buscam oferecer novas experiências a seus colaboradores e clientes. “O RH (recursos-humanos) de empresas chama muito a gente para fazer dinâmicas com a equipe, o marketing pra divulgar produtos de uma forma diferente” Completa Elis.

O Início do Ateliê

Criado por meio de uma parceria das psicólogas Elis Feldman, Gabriela Pistelli, Maria Lyra e a terapeuta corporal Janaína Audi, em 2008 na grande São Paulo, o Ateliê no Escuro foi inspirado em um projeto inclusivo criado na Alemanha, chamado Diálogo no Escuro, que convida os participantes a sentirem o mundo através dos sentidos, como um deficiente visual.

Editado por Aline Domingos

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