A realidade do esporte no Brasil

Por Pedro Alves

A Olimpíada chegou ao fim. Ao todo, foram 19 dias de competições de um dos melhores Jogos Olímpicos de todos os tempos. A energia do povo brasileiro contagiou os estrangeiros que vieram acompanhar os Jogos  e os atletas que participaram desta edição. Mas, nem tudo se resume a festa. Muitos atletas ainda ganharam o reconhecimento merecido pelos seus feitos.

Muitos pensam que ser um atleta olímpico é ganhar milhões em dinheiro, muita fama e pouco esforço. Mas a realidade, pelo menos aqui em nosso país, é que para se tornar um atleta de elite é preciso superar muitas adversidades. Pegando o Brasil como exemplo, a falta de investimento e apoio em algumas modalidades chega a ser muito grande até mesmo em esportes como o futebol, conhecido popularmente no Brasil e do mundo.

Para comprovar que a vida de um atleta aqui no Brasil não é fácil, temos vários exemplos da falta de investimento e de visibilidade. Na Olimpíada deste ano, alguns casos, como a inesperada medalha de prata de Felipe Wu no tiro esportivo, as três medalhadas de Isaquias Queiroz na canoagem e as incríveis medalhas de ouro de Thiago Braz e Robson Conceição são alguns deles. Esses atletas não surgiram da noite pro dia, foi preciso muito trabalho para chegar nesse momento e não ter a recognição merecida.

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Isaquias Queiroz se tornou o primeiro atleta brasileiro a ganhar 3 medalhas em uma edição dos Jogos (imagem: Lucas Lima/UOL)

Felipe Wu disse em uma entrevista para a Rádio Jovem Pan que:

“(…) eu espero que isso mude. Só vai mudar a partir do momento em que o governo investir igualmente em todos os esportes. Isso não acontece atualmente. Vai depender de alguém tirar dinheiro do próprio bolso para investir em uma modalidade, o que é improvável”

Mas a situação dos jogadores de futebol também não é tão fácil como se imagina. Claro que a visibilidade desses atletas é bem maior, até por se tratar de um esporte bem mais popular. Porém, o dinheiro ganho por eles não chega a ser um absurdo. Dos 28.203 jogadores brasileiros, a grande maioria ganha até R$ 1.000 apenas, como mostra o infográfico  abaixo com base nos dados cedidos pela própria CBF:

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Créditos: Pedro Alves

Por outro lado,ainda existe esperança. O COB  (Comitê Olímpico Brasileiro) ofereceu um prêmio total de R$ 35 mil através de patrocinadores para modalidades individuais e R$ 17,5 mil (metade do valor) para as equipes. Essa premiação não ocorria desde 2004, nos Jogos de Atenas, e foi uma iniciativa também do Ministério do Esporte, que junto com o Bolsa Atleta, visa melhorar o rendimento e o surgimento de novos atletas para as Olimpíadas. Projeto esse que deve continuar para Tóquio 2020.

Se vamos continuar com esses investimentos para os nosso atletas, ou se isso foi apenas uma jogada política, ainda não sabemos. O que pode ser dito é que a Olimpíada Rio 2016 foi um grande salto para o esporte brasileiro, talvez agora esses atletas vão ganhar o reconhecimento e investimento que merecem. Mas ainda há muito o que ser feito.

 

 

 

 

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