Panorama dos transportes brasileiros

Por Amanda Oliveira e Victor Hugo Buzatto

O maior investimento em transporte brasileiro é no modal rodoviário. Diretora adjunta da Faculdade de Administração, Logística e Serviços da PUC-Campinas, Rosane Maria Soligo de Mello Ayres, afirma que essa predominância é decorrência do incentivo à indústria automobilística nos últimos 50 anos. A região centro-sul foi a maior beneficiária, atraindo empresas e gerando empregos.

Os transportes aquaviário e ferroviário também possuem espaço na malha de transportes brasileira, entretanto, com objetivos bastante definidos e investimento inferior ao rodoviário. “O modal aquaviário é muitas vezes o único meio de transporte de cargas e pessoas em determinadas regiões como o norte, sendo predominante na Amazônia. Já o transporte ferroviário é destinado a insumos e commodities”, explica a diretora.

Entrevista com a diretora adjunta da Faculdade de Administração, Logística e Serviços da Puc- Campinas, Rosane Maria Soligo de Mello Ayres

Concessões

Atual ministro dos transportes, Maurício Quintella, em entrevista à rádio CBN Campinas na última quarta-feira (15), afirmou que o governo interino está montando um pacote de concessão de quatro aeroportos: Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. Segundo o ministro, para que os leilões se tornem mais atrativos seria preciso uma revisão de práticas que garantam a segurança jurídica ao investidor e, com isso, o governo arrecadaria mais e melhoraria a logística brasileira. Para Quintella, o Estado não deve ter grande intervenção na regulação das concessões.

Modais:

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Tipos de transporte (crédito: Amanda Oliveira e Victor Hugo Buzatto)

Transporte Aquaviário

O transporte hidroviário é o tipo de transporte aquaviário realizado nas hidrovias – percursos pré-definidos para o tráfego sobre a água – para transportar pessoas e cargas. No interior, as hidrovias são rios, lagos navegáveis e lagoas, que receberam algum tipo de sinalização para algum determinado tipo de embarcação poder trafegar com segurança.

As hidrovias desempenham papel de suma importância na logística brasileira, pois é capaz de transportar grandes quantidades de mercadorias para localidades distantes. A malha hidroviária é predominante na região amazônica, com 80% das hidrovias. Produtos como minérios, cascalhos, areia, carvão, produtos não perecíveis em geral são característicos desse tipo de transporte.

As principais hidrovias do país são a Amazônica (17.651 km), Tocantins-Araguaia (1.360 km), Paraná-Tietê (1.359 km), Paraguai (591 km), São Francisco (576 km) e Sul (500 km). O Brasil aproveita 52% do potencial navegável para o transporte de cargas e passageiros.

Transporte Ferroviário

Realizado sobre linhas férreas, é o mais antigo meio de transporte de cargas do interior para os portos do país, além de poder também transportar pessoas. Geralmente, são transportados produtos de baixo valor agregado – matéria prima – em grandes quantidades como minério, produção agrícola, carvão entre outros. Com extensão de 28.190 Km, há 3.340 locomotivas e 103.141 vagões em circulação, segundo dados da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Uma característica importante da linha férrea é a bitola que tem como definição a distância entre os trilhos de uma ferrovia. No Brasil, existem três tipos de bitola: larga (1,60m), métrica (1,00m) e a mista. Destaca-se que grande parte da malha ferroviária do Brasil está concentrada nas regiões sul e sudeste com predominância para o transporte de cargas. Segundo a diretora adjunta da Faculdade de Administração, Logística e Serviços da PUC-Campinas, Rosane Maria Soligo de Mello Ayres, o custo para implantação e manutenção desse modal é baixo, em comparação com as outras modalidades. A maioria da malha ferroviária brasileira está concentrada nas regiões sul e sudeste.

 

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Mapa transporte ferroviário (crédito: relatório Transporte 2015 Ministério dos Transportes)

Transporte Rodoviário

É o meio de transporte predominante no Brasil, utilizado para o transporte de mercadorias e passageiros, por meio de veículos utilitários e ônibus. Pode ser de vias pavimentadas ou não. Possui preço de frete, geralmente, superior ao ferroviário e aquaviário e é usado para o transporte de produtos de maior valor agregado ou perecíveis, acabados ou semiacabados.

O Brasil possui 1,7 milhão de km de estradas, dentre elas 12,9% são pavimentadas (221.820 km), e  79,5%(1.363.740 km) não pavimentadas. Estradas planejadas representam 7,5% (128.904 km);  14,8% (255.040 km) são rodovias estaduais; 78,11% (1.339,26 km) rodovias municipais; e 7% de rodovias federais, segundo o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). 

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Fontes: ANTT, DNIT e ANTAQ (crédito: Amanda Oliveira e Victor Hugo Buzatto)

Editada por Carolina Orssolan e Leonardo Castro

 

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