Atletas e voluntários da RMC nas Olimpíadas Rio 2016

Por Susane Sanches

De malas prontas para o voluntariado

Aprender mais sobre um esporte pouco conhecido no Brasil foi o principal motivo da professora de educação física Solange Ramires, 51 anos, se inscrever no programa de voluntariado das Olimpíadas, que acontecerá no Rio de Janeiro de 5 a 21 de agosto. A campineira estará entre os 50 mil voluntários escolhidos para atuarem nos Jogos Olímpicos. Sua função será de assistente administrativa tanto nas Olimpíadas quanto nas Paraolimpíadas. Ao todo o evento contará com 500 cargos diferentes de voluntários.

O interesse da professora pela modalidade surgiu quando conheceu um holandês em 2012,

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Dinâmicas em grupo fizeram parte da primeira etapa do processo seletivo

no Rio de Janeiro, e conversando com ele veio a descobrir que o mesmo era da equipe da seleção brasileira de hóquei sobre grama. Pesquisando sobre o assunto, Solange viu na prática uma possibilidade de implantar em escolas um esporte pouco conhecido no Brasil. Com isso, passou a estudar e se profissionalizar nessa prática e agora terá a oportunidade de acompanhar de perto os melhores do mundo no esporte, além de ganhar conhecimento para ser usado em seu projeto escolar, “a experiência será importante principalmente para passar tudo que aprender lá na escola em Valinhos, onde implantei um projeto de hóquei indoor”.

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Dentre os 500 cargos de voluntariado alguns precisaram passar por eventos teste

Outro campineiro que participará do evento é Rafael Marcos, 27 anos, que sempre se interessou por esportes, mas os Jogos Olímpicos de fato passaram a chamar a sua atenção quando fez um intercâmbio na Irlanda, em 2012. No país europeu teve a oportunidade de ir à Londres e assistir algumas competições dos jogos daquele ano, “vendo toda a estrutura, o engajamento dos voluntários, os torcedores e todo o clima de confraternização, foi neste momento que surgiu a vontade de participar. Não apenas como torcedor, mas como voluntário no evento. De uma maneira mais ativa”, contou. Praticante de tiro com arco e atleta do Círculo Militar de Campinas, o campineiro se inscreveu para atuar nessa área e garantiu sua vaga no esporte, que acontecerá entre o final de julho e começo de agosto. Para Rafael atuar na modalidade que pratica é um dos pontos positivos, mas ajudar na realização do evento e a experiência também tem seu destaque.  Questionado sobre os gastos que podem impedir muitos de participarem, ele acredita que nem seja um ponto negativo, “talvez eu poderia considerar os gastos com hospedagem e transporte barreiras. Mas, entendo que são gastos que eu teria em qualquer viagem, seja para as Olimpíadas ou para uma viagem de férias”.

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A carta convite é a garantia de que o candidato passou nas etapas de seleção

Marina Matos, jornalista, 23 anos, também compartilha da ideia que o financeiro não seja um empecilho tão grande, que até ajude a selecionar pessoas que de fato estão dispostas a trabalhar. “Se o comitê pagasse tudo ia chover de gente querendo ir e muitos iam aproveitar para ficar só assistindo os jogos e não ajudar na sua função. Então no caso vai só quem de fato quer ir trabalhar”.

Marina também se interessou pela oportunidade por gostar muito da área de esportes. Na Copa do Mundo havia perdido o prazo das inscrições do voluntariado e desde então já ficou de olho para não perder dos jogos olímpicos. A jornalista queria uma vaga na área de comunicação, mas acabou conseguindo como assistente de local de competição, na parte da natação do Pentatlo: “Queria ficar na área de jornalismo por ser a área da minha formação, mas como não deu acho importante essa outra função que me foi dada, pela responsabilidade e por serem pouco dias. Acho que são só três dias de voluntariado, diminuindo os gastos com a viagem.” Para a campineira o mais interessante de participar é estar ajudando em um evento grande em seu próprio país e ter uma experiência rica culturalmente pelo contato que vai ter com pessoas de vários países. Outro ponto é o currículo, a jornalista está desempregada no momento e em busca de um emprego na área empresarial acredita que experiências como essa podem ser usadas a seu favor, “as empresas valorizam bastante essa questão de fazer voluntariado e participar de atividades como essa”.

Em Campinas, 77 atletas revezarão percurso da tocha a cada 200 metros

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Percurso da tocha olímpica por Campinas

 No dia 20 de julho, 77 atletas nascidos em Campinas ou que fizeram sua carreira esportiva na cidade irão carregar a tocha olímpica. No revezamento de 15 quilômetros, cada atleta irá conduzir a chama por 200 metros. A partir das 16h, os campineiros poderão acompanhar a tocha pela cidade que passará pelos principais pontos turísticos da cidade.

O percurso terá duração aproximada de duas horas, com saída da Estação Cultura e chegada na Praça Arautos da Paz, onde haverá a celebração com acendimento da pira olímpica. José de Souza Campos, Anchieta, Orosimbo Maia, Av. Brasil e Francisco Glicério são apenas algumas das principais ruas e avenidas pelas quais a tocha irá passar. Os dois estádios de futebol, Brinco de Ouro da Princesa (do Guarani) e Moisés Lucarelli (da Ponte Preta) e a Lagoa do Taquaral também receberão a tocha.

De acordo com o comitê organizador, Rio 2016, Campinas é a única cidade da região metropolitana de Campinas (RMC) que receberá a celebração da tocha olímpica. Americana e Indaiatuba também receberão a tocha, porém apenas de passagem.

Ao todo, a tocha passará por 330 cidades do Brasil, mas somente 89 terão a celebração. De acordo com a diretora de Turismo de Campinas, Alexandra Caprioli, o critério para a seleção das 89 cidades foi feito com base na representatividade turística da cidade para os estados, além do número de habitantes e outros méritos reconhecidos nacionalmente. No caso de Campinas, a escolha se deu por causa do histórico da cidade em formar atletas profissionais – mais de 30 – além dos diversos pontos turísticos reconhecidos tanto no Estado de São Paulo quanto no restante do Brasil.

Para não atrapalhar o trânsito local, os organizadores e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) estudam liberar o tráfego logo após o revezamento.

A chama olímpica é um símbolo dos Jogos e representa a paz, a amizade e a união por meio da passagem da chama pelos atletas de todo o país. Nas olimpíadas do Rio de Janeiro, a tocha traz uma inovação: a abertura dos segmentos, que revelam “elementos de brasilidade”, como a diversidade harmônica, natureza exuberante e energia contagiante.

O alpinista Rodrigo Raineri é um dos atletas que vai carregar a tocha olímpica em Campinas. Natural de Ibitinga, interior de São Paulo e formado em Engenharia da Computação pela Unicamp, Raineri construiu a maior parte de sua carreira em Campinas, wonde reside até hoje. Alpinista há 27 anos, o atleta explica que carregar a tocha olímpica é uma emoção muito diferente da que sente em sua carreira. “Ter a oportunidade de carregar a tocha olímpica é participar desse espírito olímpico de solidariedade, de união, de fé no esporte e na saúde. O ‘beijo da tocha’, como é chamado quando você recebe e depois passa a chama em diante é um momento muito emocionante. Eu acredito que ficarei muito emocionado e honrado de poder carregar a tocha e, muito mais que isso, poder representar o Brasil em um momento tão importante como as olimpíadas em nosso país”.

Além de Raineri, outros 76 atletas também vão carregar a tocha olímpica por Campinas. Entre eles estão a campeã mundial de salto com vara, Fabiana Murer, o ex jogador da seleção brasileira de vôlei Maurício Lima, o ex jogador de futebol do Guarani João Paulo e a campeã pan-americana de heptatlo, Conceição Geremias.

De acordo com Alexandra, ao final da celebração, os atletas podem comprar a réplica da tocha que carregaram por um valor simbólico (ainda não divulgado pelo comitê organizador, Rio 2016). “Essa é uma forma dos atletas terem a recordação para sempre de que participaram de um momento tão importante para o país e para a cidade de Campinas”, explica.

Ainda, segundo Alexandra, a expectativa é que o turismo na cidade aumente após a passagem da tocha olímpica. “Por todas as cidades que a tocha passar serão feitas reportagens em diversos meios de comunicação e em Campinas não será diferente. Queremos que as pessoas vejam os pontos turísticos da cidade e tenham vontade de conhecê-los”, afirma.

O percurso completo da tocha olímpica e os detalhes da celebração serão divulgados mais próximos à data, conforme estabelecido pelo comitê organizador, Rio 2016.

O revezamento dura entre 90 e 100 dias e vai percorrer todos os estados brasileiros. São em torno de 12 mil condutores e cerca de 20 mil quilômetros percorridos por estradas, ruas e avenidas de todos os estados, além de 10 mil milhas aéreas.

 

Gasto com viagem para RJ no mês das Olimpíadas sobe 80%

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Rodoviária de Campinas terá movimentação agitada de passageiros durante os jogos olímpicos

Nas Olimpíadas de 2016, que acontecem de 5 a 21 de agosto, a ponte aérea entre Campinas (SP) e Rio de Janeiro (RJ), com embarque no Aeroporto Internacional de Viracopos (VCP), poderá ter um valor 80% maior do que se o mesmo voo fosse marcado para um mês antes das competições esportivas começarem. Além das passagens aéreas, quem ainda não reservou lugar para ficar e deixou para procurar hospedagem de última hora, próximo ao evento, encontrará menos opções de acomodações e com valores 85% mais caros.

As principais companhias aéreas do Brasil, TAM, Gol e Azul, oferecem, no período dos jogos, passagens que variam de R$ 1.209,00 a R$ 1.419,00, tanto de ida, quanto de volta, valor superior aos disponibilizados no mês de junho, por exemplo, quando os preços oscilam entre R$ 99,99 e R$ 801,00.

Os altos valores das passagens aéreas, porém, são para as datas mais próximas à cerimônia de abertura, que acontecerá no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. Se o viajante embarcar com pelo menos uma semana de antecedência irá desembolsar uma quantia compatível ao trecho fora da ocasião. O percurso terrestre Campinas/ Rio de Janeiro, feito pelo acesso Rodovia Presidente Dutra/ Via Expressa Presidente João Goulart, é outra possibilidade para quem deseja economizar com o transporte, bilhetes com saída da Rodoviária de Campinas para a cidade cede do evento variam de R$ 99,97 a R$ 189,00, no entanto, o percurso leva 6h30 para ser completado, contra 1h25 se o voo for direto ou 7h15 com escala no aeroporto Santos Dumont (SDU), em Brasília (DF).

O estudante de farmácia da Universidade São Francisco (USF), Rafael Maróstica, 25 anos, preferiu a opção terrestre para assistir as primeiras fases feminina de voleibol, no Maracanãzinho, dia 06 de agosto e diz não ter se arrependido da escolha. “Paguei R$ 139,00 na passagem de ônibus e economizei cerca de mil reais só na ida. Saí no lucro porque vou ter esse dinheiro para gastar lá com outras coisas e com certeza fará muita diferença no meu bolso”, afirma.

Além da despesa com o deslocamento, o valor da hospedagem é outro vilão quando se trata dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. As estalagens estão praticamente com todas as vagas esgotadas e os disponíveis chegam a custar até cinco vezes mais do que em datas comuns. Um hotel quatro estrelas, como o Golden Tulip Ipanema Plaza, com diária habitual de R$ 373,00 custará R$ 2.525,00 nas semanas do evento. Já aqueles que optarem por quartos compartilhados, como são os casos de pensão e hostel, desembolsará cerca de R$ 80,00, quase quatro vezes mais do que o comum, que tem as opções mais baratas por volta de R$ 19,00.

O pacote turístico, oferecido nas agências de turismo de Campinas e região, é outra opção a se pensar. O serviço individual de um final de semana, com check-in no hotel na sexta-feira, dia 5, check-out na segunda-feira, dia 6, pensão completa e aérea, custa R$ 2.593,00 – 77% mais caro que o habitual. Se a reserva for feita para dois o desembolso será de R$ 2.191,36 por pessoa, possibilidade muito procurada nas agências, afirma Viviane dos Santos, supervisora do escritório CVC de Sousas. “As pessoas chegam aqui, em grupos, procurando a alternativas mais baratas para curtir os Jogos Olímpicos, então sempre oferecemos os pacotes, pois além de já ter hotel e aéreas inclusas, tem pelo menos uma refeição e o cliente não precisa se preocupar procurando tudo, principalmente agora. É um custo benefício melhor”, explica.

Aqueles que não adquiriram ingressos para os jogos da ocasião ainda podem comprar tíquetes online, no site oficial dos Jogos Olímpicos ou em bilheterias físicas, a partir de R$ 40,00 a R$ 4.600,00. Aproximadamente dois milhões de convites ainda estão disponíveis para venda, o que representa cerca de 30% dos ingressos disponibilizados. Entre os esportes mais pedidos estão futebol, basquetebol, vôlei, atletismo e handbol. Os estados que mais compraram são liderados pelo Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal (DF), Minas Gerais (MG) e Bahia (BA).

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