Novo livro reflete sobre a necessidade de inserção da natureza nas escolas

Por Natália Villagelin

 

Um espaço ao ar livre pode ser um elemento de escolarização, tal qual um quadro-negro ou uma carteira? A sala de aula pode prescindir de paredes e divisões? As atividades ao ar livre são tão importantes quando as aulas? Essas são respostas que Carmen Lúcia Soares, doutora em educação, tenta responder e refletir em seu novo livro, lançado dia 10 de junho: Uma educação pela natureza, a vida ao ar livre, o copo e a ordem urbana.

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Foto do livro educação pela natureza: a vida ao ar livre, o corpo e a ordem urbana. (Crédito: Natália Villagelin)

O livro, que é um compilado de artigos de diversos autores, propõe uma discussão acerca da reinvenção da natureza e seus benefícios do uso na educação de crianças e jovens. Para Carmem, essa é uma discussão importante desde o desenvolvimento da vida moderna no começo do século XX, onde as cidades começaram a se expandir e consequentemente a falta de espaço e o excesso de ar e água contaminada começaram a surgir.

As reflexões presentes no livro se baseiam em vertentes como higienismo e naturismo, pois,  para a autora,  essas são duas linhas de pensamentos que partilham uma visão história ou cultural da natureza, que não seria um mero objeto, pelo contrário, visa destacar uma necessidade de investimento intelectual na construção na natureza e seus valores.

“É preciso determinar a quantidade de ar que deve ter cada estudante, pois ar livre e água pura são considerados índices de condições de vida boa. A natureza, pretensamente elaborada e planejada por caminhos científicos, se baseando nessas vertentes, deve fazer parte da cidade e principalmente da educação.”, diz.

Preocupação antiga

Carmem explica que foi durante o início do século XX que começou a se perceber surgimento de novas preocupações com a educação, junto com preocupações com a saúde e a doença na cidade, isso devido aos problemas que as expansões das cidades geraram. “Era preciso buscar um ideal de equilíbrio entre o trabalho e o repouso, o estudo e o recreio, a cura e o divertimento”, afirma a autora.

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Autora do livro, Carmem Lúcia Soares.(Foto: Reprodução Unicamp)

Estava em curso uma ‘jornada’, como a própria autora se refere, pela educação e pela saúde. Uma das soluções encontradas na época foi por meio de práticas educativas junto à natureza, como explica a doutora, “uma nova ordem urbana desenha novas representações da natureza”.

Sendo assim, fica definido que o ar puro e a vida ao ar livre como pedagogia do corpo e como terapêutica das doenças causadas pelos novos ritmos urbanos. A explicação do uso da natureza é descrita por um dos autores no livro como “a natureza que educa, regenera, fortalece o copo e o espírito, a vida ao ar livre que expressa uma nova ordem urbana, industrial e moderna”.

Trazendo a natureza para a educação

Em entrevista ao Digitais, a autora explica que a solução encontrada para a inserção da natureza nas escolas, fato que já era discutido e comprovado a tempos como solução, foi pela prática de atividades físicas dentro das escolas. “Vários doutores faziam alusão dos benefícios da vida ao ar livre e afirmava ser a educação física e o esporte praticados em parques, verdadeiros saneadores do meio, desse modo ficou claro que era preciso trazer para dentro das escolas. ”

Antes da inserção, Carmem explica que foi muito discutido nos congressos a importância dada ao ar livre e exercícios físicos feitos juntos à natureza, cuja as conclusões recomendam ginastica natural, jogos ao ar livre, corrida, dentre outras atividades para crianças e jovens.

Porém,  Carmem explica que essa insistência com a vida ao ar livre e a necessidade do ar puro comprovada dentro das escolas, coabita um mundo dominado por um pensamento que o uso da natureza faz alusão ao mundo rural, que era considerado fonte de males. Mesmo assim,  a ideia seguiu em frente e até hoje há esforços para a inclusão.

“A natureza evocada por médicos, educadores, urbanistas das primeiras décadas do século XX surge como uma espécie de desintoxicação dos regimes de vida próprios da vida e sonha oferecer uma alternativa ao progresso e aos males modernos. ”, afirma a autora.

Para Carmem,  a educação física dentro da instituição escolas redesenha a vida ao ar livre, pois as aulas de educação física se mostram como exemplo de um novo pensamento que preza o uso da natureza. E por outro lado,  as crianças e jovens aproveitam e absorvem informações muito melhor com atividades ao ar livre, com ar puro, brincando e fazendo exercícios.

Na opinião de médicos e de profissionais vinculados à educação, os exercícios físicos ao ar livre tornam-se indispensáveis na formação de hábitos sábios e é a escola primária o lugar de sua disseminação mais eficaz. “São médicos aqueles que aconselham a ginástica natural representada pelas diferentes recreações infantis”.

Ideias acerca das possibilidades educativas e curativas da natureza e da vida ao ar livre inseridas nas escolas são encontradas nos argumentos proferidos por inúmeros médicos atualmente em congressos de higiene e educação. Além disso, a natureza,  que é objeto de interesse de pesquisa há mais de uma década, se torna uma possibilidade educativa e regenerativa que podem ser amplamente utilizadas dentro de instituições.

A autora ainda afirma “desenvolvemos durante o livro o pressuposto de que a natureza é constantemente redesenhada, e desses novos desenhos surgem a evocação da vida ao ar livre como parte da educação e como necessidade de prevenção e manutenção da saúde”.

Abaixo,  o Digitais fez um compilado de algumas pesquisas que apresentam os reais benefícios de se conviver e aprender ao ar livre.

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Crédito: Natália Villagelin

Editado por Mariana Fernandes.

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