Digitais nas Olimpíadas: campeão brasileiro apresenta as dificuldades do tiro esportivo

por Laura Baiè

Seis vezes campeão brasileiro, quatro vezes campeão continental, campeão da Copa América, recordista no Brasil, com participação de dois Pans, três Pré-Olímpicos, mais de trinta Copas do Mundo, dez campeonatos mundiais e uma Olimpíada. Cerca de duzentos troféus e medalhas ilustram a vitoriosa jornada de Filipe Fuzaro, empresário de 33 anos, atleta de tiro esportivo.

Segundo ele, o sucesso é consequência do amor que sente pelo esporte. ” Já nasci um apaixonado pelo tiro. Meu pai e meu avô, que era amante da caça esportiva, me empurraram para esse caminho, do qual eu nunca pensei em sair”, comenta. Filipe teve seu primeiro contato com o tiro aos cinco anos de idade. Aos onze, iniciou na modalidade “Tiro ao Prato” e um ano depois, começou a competir. Em pouco tempo, conquistou o 1° lugar no Campeonato Paulista, na categoria “Junior”, chegando aos pódios dos 12 aos 16 anos, consecutivamente. Almejando sempre mais, passou então, a competir dentro da categoria “Senior”, carregando, posteriormente, o título de campeão brasileiro. Do garotinho habilidoso do interior de São Paulo, tornou-se um destaque mundial no esporte, conquistando inúmeras vitórias, até chegar as Olimpíadas de Londres, em 2012. Na competição, conquistou o 15º lugar, uma ótima posição para sua primeira Olimpíada.

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Galeria de troféus do atleta  (Foto:arquivo pessoal)

Para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, o atleta não foi classificado. “Mas isso não me abalou. Já estou nos treinos a todo vapor para conquistar uma vaga nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020”.

Filipe limita-se a treinar três vezes na semana. Quando está em competições muito grandes, estende um pouco os dias. De qualquer forma, confessa que gostaria de se dedicar mais. Contudo, não é apenas a falta de tempo que restringe sua dedicação ao esporte.. “O tiro tem pouca visibilidade aqui no Brasil. Ainda é considerado como esporte de elite por causa do alto preço dos materiais”.

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Atleta Filipe Fuzaro durante treino (Foto: arquivo pessoal)

 

Um alto preço

Em média, os atiradores investem durante um treino por volta de R$300 a R$400 reais. No Tiro ao Prato, modalidade que Filipe compete, são feitas séries de 30 tiros, que dão 15 dublês. Sempre saem dois discos juntos, ao comando do atirador, a aproximadamente oitenta quilômetros por hora. Em cada bateria de 30 tiros, participam seis atiradores, formando uma ciranda, como costumam dizer. Os cartuchos, hoje em dia, não compensam recarregar, então praticamente todos os atiradores compram novos a cada bateria. O valor da caixa de cartucho com 25, sai por 44 reais, mais os dois discos, 15 reais, num total de 60 reais por 25 tiros, lembrando que em um treino, são aproximadamente 150 a 200 tiros.

Além disso, para executar as séries com excelência, é necessária uma boa arma, que custa aproximadamente 60 mil reais. Fuzaro disputa com uma Perazzi, arma italiana feita sob medida, considerada uma das melhores marcas do mundo.  “Nas Olimpíadas de Londres, havia 26 atiradores concorrentes e 24 utilizavam essa mesma marca”, relembra o atleta, destacando a eficiência do armamento. Para iniciantes ou para caça, as armas brasileiras são suficientes, mas para alto rendimento, como uma competição a nível nacional, não são indicadas.

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Filipe Fuzaro disputa com arma feita sob medida. (Foto: Laura Baiè)

As regras

Se tratando do esporte, o tiro teve grande influência da prática militar, que é considerada a origem da modalidade. Além disso, os clubes de caça também tiveram sua parcela para a criação do tiro esportivo. Tanto que as atividades dos caçadores foram infundidas em algumas provas do esporte, como skeet e a fossa.

O esporte olímpico é disputado em três categorias diferentes: Carabina, Pistola e Tiro ao Prato. Além disso, são provas em 15 modalidades olímpicas.

Pistola – as provas podem ser: pistola livre, sport (só para mulheres), pistola de ar e tiro rápido (só para homens).

Carabina – as provas podem ser: três posições (armas diferentes para homens e mulheres), deitado (somente para homens) e carabina de ar.

Tiro ao prato – as provas podem ser: skeet, fossa olímpica e fossa dublê. Nessa categoria, em todas as provas, há uma diferença no número de pratos para homens e mulheres. Os pratos têm 11 cm, são feitos de argila, calcário e alcatrão. São dois tipos de campos (normal e skeet), nos quais pode ser praticado o tiro esportivo.

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Infográfico: Brasil 2016

O esporte nas Olimpíadas

Dentro dos Jogos Olímpicos, o tiro esportivo esteve presente, desde a primeira edição, em 1896, em Atenas. Até o ano de 1964, em Tóquio, somente os homens podiam disputar. As mulheres iniciaram na competição na Cidade do México em 1968, misturando-se nas provas com os homens. As primeiras disputas exclusivamente femininas surgiram em Los Angeles, no ano de 1984, em duas categorias: pistola de ar e carabina de ar.

Quando as mulheres ainda disputavam medalhas com os homens, em 1976, em Montreal, a norte-americana Margaret Murdock, tornou-se a primeira mulher a subir no pódio olímpico no tiro esportivo, deixando seu compatriota Lanny Bassham, com o segundo lugar.

Para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, as grandes promessas brasileiras da modalidade são Julio Almeida,( pistola de ar 10m e pistola 50m) , Cassio Rippel (carabina deitado 50m, carabina de ar 10m e carabina três posições), Daniela Carraro (skeet), Emerson Duarte (pistola tiro rápido 25m), Felipe Wu (pistola de ar 10m e pistola 50m), Janice Teixeira (fossa olímpica), Renato Portella (skeet), Roberto Schmits (fossa olímpica) e Rosane Budag (carabina de ar e carabina três posições).

Editado por Mariana Fernandes.

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