Vana Lopes e Malu Magalhães participam da Jornada de Jornalismo

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Autoras do livro “Bem-vindo ao inferno” são recebidas pelos estudantes (Créditos: Susane Sanches)

Por Susane Sanches

 

Na noite dessa quarta-feira (02), a Jornada de Jornalismo da PUC-Campinas recebeu Malu Magalhães e Vana Lopes, autoras do livro “Bem-vindo ao inferno”, que narra a caçada ao médico estuprador Roger Abdelmassih.

A palestra foi iniciada pela professora Cyntia Andretta que, ao introduzir o tema do abuso sexual, relembrou o caso da adolescente de Jacarepaguá que sofreu um estupro coletivo.

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Vana Lopes dá inicio às perguntas (créditos: Susane Sanches)

Vana iniciou sua participação fazendo um paralelo entre sua história, que ocorreu em
meados de 1993 e foi transformada em um livro, com o novo meio de comunicação e propagação de histórias como a dela e a da adolescente carioca: a internet.

 

No início da palestra, Malu conta que soube da história de Vana através das redes sociais e a procurou para propor que fizessem o livro: “foi um namoro de mais ou menos dois meses, mas deu certo, a gente diz que teve um filho, porque nove meses depois o livro estava pronto”, brinca Malu.

Vana explica que o livro foi escrito por três pessoas: ela, Malu Magalhães e Claudio Tognolli, parceria que conseguiu levar o projeto adiante, já que, segundo Vana, era muito difícil relembrar o estupro e os inúmeros traumas decorrentes dele.

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Malu Magalhães responde estudantes (créditos: Susane Sanches)

Para que o livro ficasse conciso, segundo Malu, os autores tiveram que trocar e-mails e, muitas vezes, “trocar o lápis”, para evitar que houvessem qualquer tipo de omissão, já que, como se trata de um tema pesado, é também um terror psicológico relatá-lo.

 

As autoras foram questionadas quanto à participação de Claudio Tognolli no livro, por se tratar de um tema em que a figura masculina é opressora. Vana disse, no entanto, que houve momentos em que Claudio foi essencial para a narrativa, já que foi ele quem teve a ideia de trazer indícios temporais, que indicassem ao leitor a época em que o fato narrado estava acontecendo, o que se tornou possível através de datas, horários, músicas e publicações, como jornais e revistas da época. Vana pontua, porém, que houveram momentos e lembranças específicas que só conseguia expor para Malu, a cena do suicídio é citada como uma delas.

Sobre o estilo literal, Malu explica que adotou o confessional, o que transformou o livro em um diário em primeira pessoa, pois era importante resgatar o histórico de vida de Vana Lopes, como ela era antes e como se transformou depois da violência que sofreu, além da obra ser munida de provas e documentos que legitimam os abusos do médico.

Em uma pergunta sobre o que havia acontecido em relação ao seu ex marido, Vana Lopes não quis se aprofundar: “meu marido não acreditou em mim, ele era ciumento e eu era muito bonita”, pontua. Vana contou posteriormente que, depois da publicação do livro, seu ex marido voltou atrás e chegou a pedir desculpas: “mas já havia passado o momento”, conclui a autora.

Chegando ao final da palestra, Vana toma uma bíblia nas mãos e conta que foi um presente de sua mãe quando soube da violência.

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Vana Lopes mostra as páginas da bíblia que ganhou de sua mãe (créditos: Susane Sanches)

 

 

 

 

 

 

 

A autora mostra que algumas páginas estão derretidas, e que isso aconteceu já que a leitura das passagens era um momento de refúgio e muitas lágrimas, que acabaram derretendo o papel.

 

Sobre as vítimas citadas no livro que colaboraram com o sucesso de Vana ao conseguir encontrar o médico, todas elas têm importância na denúncia, “mas eu fui a caçadora”, enfatiza. “Algumas delas não ficaram felizes e não gostaram de como a história foi explorada no livro”, lembra a autora.

Vana finalizou sua participação dizendo que seu exorcismo é ajudar outras vítimas, salvar alguém de suicídio, encorajá-la:  “é como se eu colocasse um band-aid na minha ferida e eu sinto que tenho essa missão”, finaliza.

Após a palestra, Vana Lopes e Malu Magalhães autografaram os livros e tiraram fotos com os estudantes que participaram do evento.

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Malu Magalhães e Vana Lopes autografam os livros dos estudantes (crédito: Susane Sanches)

Editada: Bianca Oliveira

 

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