O caso de Loro, urubu de Indaiatuba

Por Livia Jacob

Cerca de dois anos atrás, uma amante de animais recebeu uma proposta curiosa: cuidar de um urubu que havia caído do ninho, em uma escola de Indaiatuba. “Eu sou a mãe do Loro”, se apresenta Telma Crepaldi. “Ele é meu filho. Os pais dele não o alimentaram, então eu o criei como se fosse da família. Ele sempre foi muito mimado”.

Loro, o urubu de Indaiatuba.
Loro, o urubu de Indaiatuba. Créditos: Livia Jacob

O urubu-de-cabeça-preta acabou conquistando o coração de toda a cidade. Ganhou um lar e recebeu o nome de Loro. “Quando ele chegou, eu conversava muito com ele, e minha filha ficava inconformada. Ela dizia: ‘mãe, ele não vai responder, ele não é um loro!’, e eu respondi ‘quer saber? Cada um tem o Loro que merece!” brinca Telma.

Loro chegou pequeno e com a penugem branquinha. No começo, Telma e o marido, Norberto, relutaram em aceitar a missão de cuidar do animal. “Eu me apego muito aos meus bichinhos, e sabia que ele iria embora e eu sofreria”, conta a “mãe” do urubuzinho. Porém, ele continua frequentando a chácara de Telma geralmente em dias alternados: ele foi criado como uma ave livre e, sempre que volta, chega fazendo festa.

Tem os lugares que ele costuma ficar: escolas, estacionamento de shopping e no Parque Ecológico. “Aonde ele vê pessoas, ele pousa e quer brincar. É muito mansinho e carinhoso”, conta Telma.

Loro na chácara de Telma. Créditos: Livia Jacob
Loro na chácara de Telma. Créditos: Livia Jacob

A imagem de um animal sujo, nojento e fedido não se encaixa em Loro.  “Ele não tem cheiro, tem penas brilhantes, não come carniça, e é muito limpinho, ele toma banho na bacia dele aqui na chácara”, conta Telma. “Se a carne está há mais de dois dias na geladeira, ele não quer. Só come se for fresquinha!”.

Não é somente nas ruas de Indaiatuba que Loro pode ser encontrado: ele também está nas redes sociais. Com medo de que sofresse maus tratos, Telma criou uma página para ele no Facebook, com a intenção de que todos conhecessem o urubu querido da cidade. Conhecido, o Loro fica mais protegido. Além disso, os “beijinhos” e “cafunés” do urubu são postados constantemente na página, e os internautas ajudam Telma no monitoramento do bichinho. Hoje, a página tem quase 10 mil curtidas.

Aurora, nova irmãzinha do Loro. Créditos: Livia Jacob
Aurora, nova irmãzinha do Loro. Créditos: Livia Jacob

Além dos doze cachorros e do Loro, o urubu não é o único animal diferente na chácara de Telma. Aurora, uma porquinha, é o membro mais novo da família. “Meu marido me deixou adotar de dia das mães. De uma ninhada, ele era muito fraca e ia morrer. Tenho muitos animais, mas aqui todos gostam”, conta Telma. E a irmã do Loro também é mimada: “estou cuidando na mamadeira e agora ela está gordinha. Já a amo”.

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