Campeã do Parapan em 2015, Seleção Brasileira de Futebol de 5 é esperança de medalha nas Paraolimpíadas.

Por Guilherme Bley.

(Foto: Guilherme Bley)
(Foto: Guilherme Bley)

Futebol: esporte, cujas partidas são disputadas por duas equipes de 11 jogadores, em que é proibido (exceto aos goleiros, quando dentro da sua área) o uso dos braços e mãos, e cujo objetivo é fazer entrar uma bola no gol do adversário.

Agora, já parou para pensar que esse esporte pode ir muito além de uma simples definição técnica? O esporte que se tornou paixão nacional desde sua chegada em território brasileiro, por volta de 1895, com o paulista Charles Miller, tem histórias que só puderam se tornar realidade graças às famosas quatro linhas. Histórias essas que ultrapassam os limites de um campo de futebol e compõem parte da história de vida dos apaixonados pelo esporte, bem como dos protagonistas dos jogos.

Mesmo em um período onde nossa Seleção principal está em crise, com frequentes mudanças no comando da Confederação Brasileira de Futebol e sem uma perspectiva de melhora imediata na mentalidade daqueles que comandam o futuro do esporte no país, ainda assim a paixão pelo esporte é unanimidade em todo o país. Porém, de outro lado, deixamos cair em esquecimento quem vem honrando de fato a camisa de nossa seleção canarinho: a Seleção Brasileira de Futebol de 5. Histórias de vida, que se transformam em inspiração para muitos, graças ao esporte.

CONHECENDO O FUTEBOL DE 5:

Segundo relatos passados, estima-se que o Futebol de 5 deu seus primeiros passos por volta dos anos 50. Na ocasião, cegos jogavam futebol com latas e garrafas, e por meio do som que esse tipo de material emitia, conseguiam encontrar onde estava a “bola” e assim praticavam o esporte, adaptando-o às suas limitações.

Porém, jogar futebol com uma lata ou garrafa não é o mais adequado, não só devido ao formato do objeto como também pela segurança, já que podem ocorrer acidentes por se tratarem de materiais cortantes. Surgiu então a ideia de envolver a bola, a mesma utilizada nos jogos de futebol comum, em uma sacola plástica, para que assim a mesma também produzisse um som de auxílio aos jogadores e possibilitasse a prática do esporte.

Após diversas tentativas e adaptações ao futebol para deficientes visuais, hoje temos um padrão definido com regras, adaptações e peculiaridades do Futebol de 5.

Créditos do Infográfico: Guilherme Bley

No último torneio Para-Panamericano, realizado em 2015, a seleção Brasileira de Futebol de 5 venceu a Argentina pelo placar de 2×1 na partida final do torneio e se sagrou campeã. A seleção canarinho saiu com a vitória, levou a taça e junto com a conquista traz consigo a responsabilidade de ser a anfitriã dos jogos Paraolímpicos no Brasil este ano e de ser uma das favoritas à medalha de ouro.

Confira o vídeo produzido pelo Governo Federal em parceria com a Confederação Brasileira de Desportos para Deficientes Visuais, como forma de homenagear a seleção pela conquista e mostrar às pessoas o que é o futebol de 5:

Luis Felipe de Campos é doutor em Educação Física pela Unicamp, e está desde 2010 como preparador físico da Seleção Brasileira de Futebol de 5. Luis Felipe, junto aos atletas e toda a comissão técnica, vem colhendo os frutos de um trabalho a longo prazo. Já são 3 títulos consecutivos de Paraolimpíada (Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012) e uma invencibilidade histórica entre as seleções: a Seleção nunca perdeu uma partida sequer nos jogos Paraolímpicos, somando todas as suas participações.

Trabalho positivo que será colocado à prova mais uma vez, agora jogando em casa diante de toda a torcida, nas Paraolimpíadas do Rio de Janeiro 2016. Na primeira fase, o Brasil enfrenta as seleções de Marrocos, Turquia e Irã. Do outro lado da chave, estão, por exemplo, as seleções de México, Rússia, China e a arquirrival e adversária na final do último Para-Panamericano, Argentina.

Luís Felipe, 29 anos,(em pé, segundo da direita para esquerda) junto com seus atletas na preparação para os Jogos Paraolímpicos de 2016.
Luís Felipe, 29 anos, (em pé, segundo da direita para esquerda) junto com seus atletas na preparação para os Jogos Paraolímpicos de 2016.

A competição, que começa no dia 9 de setembro no Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, já atrai o “frio na barriga” de todos no grupo. Mas com a consciência de que a preparação foi bem feita, a possibilidade do quarto título consecutivo é muito grande.

“O grupo está confiante, temos consciência da pressão de jogar dentro de casa mas sabemos também de nosso potencial para conquistar mais um ouro na competição”, diz o preparador físico Luís Felipe de Campos.

Clique para mais informações sobre a Paraolimpíada Rio 2016.

Edição por Vitor Santos

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