Educação e política nas mãos do futuro

Por Júlia Freitas

Em meio à crise econômica e política do país, o Digitais procurou entender qual é a participação dos estudantes, das escolas e das universidades no cenário atual.

Tudo começou, nos anos conhecidos como período pós-guerra, 1960 e 1970, com a formação de uma série de movimentos de caráter social e transformador, organizado, liderado e composto, inteiramente por jovens. Esses grupos, conhecidos como hippies, foram responsáveis por um período de grande percepção jovem na política. Percebemos que desde então, o espaço dos jovens nesse âmbito não tem tomado a mesma proporção.

E nos dias de hoje, os jovens estão fazendo a diferença?

Luiza Gonzalez, 18, estudante de Educação Física, na universidade UNESP – Rio Claro, conta que aos 14 anos começou a questionar-se sobre os padrões pré-estabelecidos. “Percebia que me encontrava em uma sociedade machista e patriarcal, onde sofria uma série de agressões verbais, físicas e psicológicas, tanto na escola, quanto dentro da própria casa. Esse foi o empurrão que faltava para me envolver com a política. Foi uma tentativa de eu reverter a situação”, comenta Luiza.

A jovem optou por sair de casa, pois, segundo ela, por mais que viesse de uma família com dinheiro, ela não estava isentava do preconceito sofrido fora e dentro da própria casa. Emancipou-se aos 16 anos e com ideias baseadas nas aulas de Sociologia e Filosofia, tomou como referência a linha de Marx, a qual propõem ‘saídas’ para a sociedade, com os movimentos sociais e com o partido – a luta institucionalizada.

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Luiza Gonzales em atividade feminista organizada na Praça Othoniel Marcos Teixeira rc –Créditos: Júlia 

Hoje, com posicionamento político de esquerda, é militante filiada ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e representante do feminismo em sua universidade. Ela conta que acredita que suas principais referências ou as “figuras chaves” para nortear seu posicionamento, foram o professor de Sociologia, quando ainda estava na escola (que atualmente é seu dirigente partidário) e alguns nomes da política, como, por exemplo, Luciana Genro, que se afina com a ideia de a política ser construída pela via institucional.

Em relação à situação atual, Luiza reforça seu posicionamento. “Um bom exemplo, agora com Temer assumindo, é que em menos de 12 horas, ele já conseguiu fechar ministérios, deixar uma composição totalmente majoritária, masculina e branca. Extinguiu a CGU e provavelmente vá mudar sua atuação, enfim, em pouco tempo, uma mudança presidencial transformou muita coisa. Por isso, acredito tanto que a via partidária é uma das saídas. É necessário um enfrentamento a nível institucional desses fatores”.

Luiza afirma que a escola em si, não a influenciou, nem “cobrou” por um posicionamento, ao menos a induziu para o interesse na política; apenas um professor, que a procurou para ajudá-la, a favor de sua luta, por fora da escola. “Minha faculdade não tenta envolver os alunos na política, mas os próprios universitários organizam debates, movimento, por conta”, pontua.

E a jovem tem planos de continuar envolvida com a militância. “Eu e o pessoal da UNESP estamos construindo um movimento, vamos criar um núcleo universitário, a posteriori, enraizá-lo dentro da universidade, para defender a educação juntamente com os secundaristas, fazendo uma luta unificada”, finaliza.

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Participações Luiza Gonzalez em prol a seus valores e causas – Debate sobre o Impeachment na UNESP RC Créditos: Maria Luisa Freitas – E Atividade feminista na praça Othoniel Marcos Teixeira rc

Outras visões

Com ideias diferentes de Luiza, João Pedro Berbert, 20, conta que se interessou por política desde muito novo. “Meus pais sempre foram pessoas politicamente engajadas e participantes ativos de debates”, comenta. O estudante de Direito da Mackenzie, em Campinas, começou a trabalhar dentro de um Diretório e exercer função no partido, aos 18 anos. Atualmente, é filiado do Partido NOVO -o segundo maior partido em rede social no Brasil, atrás apenas do PSDB-.

Além disso, participa de um grupo seleto, chamado “Voluntários 30”, no qual dá palestras sobre liberdade econômica no Diretório de Campinas, com base em um curso de extensão de Ação Empresarial e Investimento Financeiro, sob a perspectiva da Escola Austríaca de Economia, realizado na Faculdade Mackenzie, em São Paulo,

Ao se definir politicamente, cita o grupo “Libertários”, pessoas que defendem o Estado Mínimo. Para João, o Estado deve ser atrelado as áreas de segurança pública, defesa externa e administração da justiça.

Ele defende um Estado pequeno e luta pela liberdade econômica, o qual não intervenha em regulamentações, no aspecto financeiro do país. Diz que a cooperação pacífica e voluntária dos indivíduos tende a proporcionar mais riqueza e qualidade de vida, do que a intervenção de um órgão, batendo de frente com toda a linha exposta pela estudante citada a cima. Ele também defende a plena liberdade de expressão, a liberdade de ir e vir e acredita que o Brasil limita a disseminação de ideias.

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João Pedro Berbert – reprodução Facebook

Facebook João – Defendendo sua linha política

Quando indagamos João sobre suas referências dentro da escola, ele contou que suas referências foram distantes, como por exemplo, o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan e João Calvino, pois se interessa muito por teologia, já que nasceu e cresceu em um berço de família protestante.

Mas se tratando de influências da escola, pela primeira vez, ele concorda com Luiza e acredita que em momento algum a escola se posicionou para que os alunos se engajassem ou pelo menos tomassem algum interesse sobre o assunto. Assim como a jovem, João diz que um professor de Geografia, que é vereador do partido PDT, mesmo que na época não tivesse sua linha política, o instigou para esse meio.

Berbet conta também que, como aluno de Direito, dentro de suas aulas, existem debates sobre o momento atual do Brasil, mas que a universidade não o induz a pender para um lado ou partido.

Quanto a suas perspectivas para o futuro, o jovem é claro. “A curto prazo, não é ‘lá tão boa’, mas acredito que Temer ao adotar novas medidas política, pode deixar a crise menos intensa. E a logo prazo, são boas sim, a ética da liberdade individual do Estado não intervir no ir e vir do indivíduo tem sido cada vez mais disseminada entre as pessoas, principalmente pelos jovens estudantes. Estamos no caminho certo, mas infelizmente isso ainda é pouco. ”

A opinião profissional

A professora Rita de Cássia Farinaccio, ao ser abordada sobre a questão da educação e a política andarem juntas, afirma que a educação passa valores, que tornará os adultos de amanhã uma nação consciente.

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Rita de Cássia Farinaccio – Auditório Monteiro Lobato – Campinas – credito: Júlia Freitas

Rita ainda afirma que por mais que, dentro das escolas não seja explícito a matéria “política”, inconscientemente são passados princípios e noções para um país melhor. Diz ainda que os estudantes possam vir a ser a salvação para o futuro e acrescenta sobre a situação da juventude no passado, sem conscientização, já que, tudo era tudo reprimido, oculto, diferente do que acontece hoje em dia. Como atualmente ministra aulas para a educação infantil, de 3 a 5 anos, procura instruir os pequenos alunos para o futuro que esperando, através destes valores citados por ela.

Editado por Natália Villagelin

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