O ostracismo da Mídia Ninja nos protestos contra o impeachment

Por Susane Sanches

midia ninjaNos protestos pró-impeachment desse ano, a Mídia Ninja executou o mesmo papel proposto em 2013 e exerceu a liberdade de imprensa durante todos as manifestações e movimentos pelo Brasil, porém, com uma diferença: não foram explorados pela grande mídia como em 2013. Isso se deve muito ao fato de estarem atrelados às manifestações de esquerda e, consequentemente, este não ser um foco interessante aos meios de comunicação, uma vez que o assunto impeachment ganha cada vez mais força na grande imprensa.

A Mídia Ninja ganhou visibilidade nos protestos de julho de 2013 com uma cobertura em tempo integral das manifestações contra o aumento da tarifa do transporte público por todo o país. Sua popularidade ganhou ainda mais força quando os grandes veículos de comunicação começaram a se sentir ameaçados pelo numeroso grupo de jovens, que com apenas um celular e uma conexão 3G, eram capazes de movimentar a grande massa através da internet.

Não é nenhuma novidade que existem espaços privilegiados na mídia e o ostracismo da Mídia Ninja deixa ainda mais evidente que, para ser notícia, ou você agrega um conteúdo de linha editorial específica à empresa ou, pelo menos, propõe um debate. No momento em que houve um posicionamento político forte do grupo de jornalistas da Mídia Ninja, o trabalho que executam foi totalmente descartado.

Não se vê nem se houve absolutamente nada sobre a presença do grupo nos protestos. Em pesquisas nos sites de busca não há resultados que apontem outra data que não seja 2013, o que é preocupante, pois deixa claro a influência da grande imprensa no que é pautado na sociedade.

Para Bruno Torturra, um dos idealizadores do Mídia Ninja, a origem do movimento atual é oposta à de junho de 2013, que teve uma pauta específica: o transporte gratuito. Já nas manifestações pró-impeachment, Bruno pontua: “tem muitos oportunistas por trás dessas manifestações pelo Brasil, que não vem à frente. Na verdade, é um movimento antítese ao de junho”, completa.

Segundo Rafael Vilela, fotógrafo que pertence ao conjunto de jornalistas livres que cobrem as manifestações, o que a Mídia Ninja propõe tira o chão de muita gente, por esse motivo há uma “desconfiança” por parte da imprensa: “Num cenário já instável e inseguro do jornalismo, por uma questão mercadológica acima de tudo, quando a gente vem com uma proposta que funciona, a gente dá uma desestabilizada”, completa.

Ao contrário da grande mídia, na internet, a popularidade das páginas mantidas nas redes

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Crédito: Susane Sanches

sociais pela Mídia Ninja alcançou grande número de seguidores com as publicações das coberturas nos protestos contra o impeachment e hoje, só no facebook, soma mais de 642 mil seguidores, seguidos pelos 63 mil seguidores do twitter e pouco mais de 26 mil no instagram. Para os idealizadores, o grande número de seguidores no facebook deve-se ao fato de ser a rede social que, além de fotos, hospeda também os vídeos gravados nos protestos e as transmissões ao vivo.

 

 

Assista trecho de cobertura do protesto em Brasília.

Editado por Mateus Souza

 

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