Campineiros procuram soluções sustentáveis para o lixo

Por Guilherme Bley

A cidade de Campinas conta com aproximadamente 1 milhão e 150 mil habitantes. Agora, imagine o seguinte cenário: cada uma dessas pessoas consome produtos diariamente e consequentemente, cada uma delas produz uma quantia de lixo resultante desses produtos. Segundo dados colhidos pelo CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem), em média o campineiro produz o equivalente a 1,1kg de lixo por dia. Multiplicando esse número entre todos os moradores da cidade, chegamos ao assustador resultado de que Campinas produz 1280 toneladas de lixo todos os dias.

Entenda a situação

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Desse montante total de lixo produzido, os resíduos sólidos se fragmentam em três partes: orgânico não-reutilizável, orgânico reutilizável e reciclável. Porém, na hora de separar esse lixo e destinar cada um à seu devido lugar, é onde o maior problema se encontra.

Mesmo contando com um serviço especializado de coleta seletiva, Campinas sofre com o lixo gerado por sua população. No ano de 2014, o serviço atingiu a marca de 560 toneladas de lixo recolhido por mês. Esse número, porém, veio de uma decrescente em relação ao ano de 2012, onde a coleta atingiu a marca de 600 toneladas de lixo removido por mês; 6,6% a menos.

Ainda assim, somando-se ao problema de que a quantidade de lixo recolhido pela coleta seletiva por mês é menos da metade do total de lixo produzido por dia, o sistema em vigor é um dos mais caros do país. Para praticar a reciclagem de forma eficaz, é necessário uma estrutura que faça a separação do lixo e o destino dos respectivos resíduos.

“Você não encontra essa estrutura na cidade pois isso é custo. Colocar caminhões diferenciados, coletas diferenciadas, entre outros”, diz o professor do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas, Dimas Gonçalves.

Dimas Gonçalves, Professor e Especialista em Gestão Pública da PUC-Campinas.
Dimas Gonçalves, Professor e Especialista em Gestão Pública da PUC-Campinas (Foto: Guilherme Bley)

Para o especialista em Gestões Públicas, outro problema em relação ao lixo produzido pelas pessoas está na conscientização: “Tem o outro problema que nós chamamos de Educação Ambiental. Ainda a prática do lixo é colocar o lixo na porta simplesmente, sem haver a preocupação de que destino tomará o mesmo”, afirma Dimas.

Como fazer a diferença em meio a essa situação?

Em meio a tantos problemas, encontramos ideias inovadoras que vão na contramão desse cenário negativo. É o caso do estudante da ESALQ – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” -, da Universidade de São Paulo (USP), Matheus Grolla Martins. O jovem de 25 anos, residente em Nova Odessa, pratica a compostagem em sua própria casa.

Há dois anos, Matheus teve a ideia de plantar uma horta em sua própria casa. Ao ver resultado e pegar gosto pela coisa, o jovem passou a adotar práticas mais sustentáveis em prol do meio ambiente, até começar a reciclar matérias orgânicas.

A prática da compostagem consiste na “degradação da matéria orgânica sob condições controladas e aeróbicas”, assim como a Legislação Brasileira define. Para que isso se torne um hábito, é necessário ter consciência de como controlar as condições de temperatura, umidade, luz, e principalmente oxigenação e proporção de C/N (carbono e nitrogênio).

Para o estudante de Gestão Ambiental, é preciso unir teoria e muita prática para ter sucesso na compostagem de resíduos orgânicos, sem deixar de lado a paixão por aquilo que está fazendo: “A reciclagem da matéria orgânica é muito importante para manter a vida no planeta. Ela favorece as condições vitais do solo e das plantas, retém umidade e carbono no solo, aumenta a drenagem do solo, favorece a saúde das plantas, protegendo-as assim de pragas e desnutrição, entre muitos outros fatores”.

“Pra mim, fazer a reciclagem foi enriquecedor em vários níveis. Sinto-me parte da terra. Não tenho aversão às minhocas, bactérias e fungos mas sim vejo-os como parte fundamental da vida, que como todas as outras formas de vida, trabalham por amor incondicional à Terra. Se a sociedade entrar em contato com isso e tornar um hábito, certamente avançaremos como espécie e como sociedade”, exalta Matheus.

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Matheus Grolla, 25 anos, durante mais um dia em sua compostagem caseira. (Foto: Guilherme Bley)

Em casos até mais simples do que o de Matheus, o resultado também aparece e a diferença começa a se tornar visível aos olhos e à qualidade de vida das pessoas. É o caso de um condomínio de alto padrão em Campinas: há 5 anos, foi implementado um sistema de diferenciação entre o que é lixo reciclável e o que é orgânico. Os sacos plásticos azuis indicam o lixo reciclável e os sacos pretos, o lixo orgânico.

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Lixo é separado em dois sacos diferentes: o azul, para resíduos recicláveis e o preto para orgânicos; sistema funciona desde 2011 em condomínio de Campinas. (Foto: Guilherme Bley)

Buscar alternativas para lidar com o lixo que produzimos diariamente é o ponto chave da questão. Ao exercer novas práticas, como nos casos citados na matéria, estamos saindo da zona de conforto e dando o primeiro – e talvez mais importante passo – para mudar uma mentalidade que ficou para trás e começar um novo modelo mais sustentável no tratamento do lixo e extremamente benéfico à sociedade.

Editado por Stephanie Franco.

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