Brinquedos quebram barreiras e reconfiguram padrões de beleza

Por Júlia Freitas

Este ano está sendo um marco para grandes acontecimentos no mundo fantástico das crianças. Brinquedos que estão por décadas no mercado, como Barbie, Ken, Lego, Princesas Disney, reconfiguram padrões de beleza estabelecidos pela indústria cultural a mais de 50 anos, para que meninos e meninas consigam se identificar.

Em especial a marca Mattel, foi o ponto de partida para essa revolução. Sabemos que a Barbie, criada a 57 anos pela marca, é um símbolo do feminismo e da cultura POP desde sua criação. Com padrões nunca alterados, a boneca loira, alta, muito magra, de pele clara, faz sucesso ensurdecedor no universo dos negócios. Mas, estatisticamente falando, nesse momento de transição social, cultural e política, a boneca perdeu 19% de público no mercado, sendo alvo de críticas, por conta das proporções de corpo inalcançáveis e efeitos que levam a inúmeros casos trágicos de crianças, adolescentes e até mesmo adultos, tentarem se ‘transformar’ na boneca.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon e da Universidade da Califórnia, ambas nos Estados Unidos, em 2015, quantificaram como a boneca tem influenciado nas ideias sobre o futuro de garotas; a pesquisa assegurou que brincar de Barbie não afeta apenas a percepção sobre a imagem feminina ideal, mas também em suas aspirações de carreira e visões de mundo.

TOYTOYSBRASIL
(Divulgação Toytoys – Barbie Pediatra)

Após a Mattel ser altamente criticada e estudada pela sociedade, com pesquisas de mercado e comportamento, ao longo dos anos, resolveu “virar o jogo” e apresentar o projeto “Fashionista”, com Barbies de etnias, culturas e tons de pele diferentes, que transformou-se em “Project Dawn” (projeto amanhecer), arquitetado em sigilo durante dois anos, mudando completamente os padrões estabelecidos.

O projeto inova, revelando no início desse ano, Barbies de corpo “curvy” (um corpo mais baixo e mais “cheio” nas pernas, braços e cintura); “petite” (baixa estatura); e “tall” (estatura maior). A assessoria da Mattel nos contou que os lançamentos estão em prol a uma causa cada vez maior sobre diversidade, padrões de beleza, feminismo e quebra de estereótipos. E também que os novos modelos chegarão ao Brasil, no segundo semestre desse ano.

Vídeo Mattel Barbie – 1º comercial que aparece um garoto – teor feminista

 

PROJECT DAWN
Divulgação Mattel – Barbies Project Dawn

 

Como se não bastassem tantas mudanças, a quem diga que a Lyst, uma loja online que criou suas próprias versões do boneco Ken, namorado da Barbie, que sairá do ‘papel’, com ‘shape’ sem tanquinho, visual hipster e estilos diferentes do original, seguindo tendências e padrões do momento. Mas por enquanto, são apenas projetos.       Ken Moderno

 

Depois do barulho estrondoso feito pelas Barbies, foi a vez do Lego. O projetista dos bonecos revelou sua ideia inspirada em seu melhor amigo, que tem distrofia muscular, soltando nota em seu site:  “Nós dois estávamos fazendo algumas minifiguras de nós mesmos e nos demos conta de que não havia um acessório de cadeira de rodas para elas. Então decidi fazer uma cadeira de rodas para fora das peças.” A novidade sobre os bonecos cadeirantes foi lançada na feira de brinquedos de Nuremberg, na Alemanha, e também em Londres, na Ingraterra, com previsão de chegada no Brasil, apenas em novembro, segundo a assessoria do Lego.

 

Boneco Cadeirante

Divulgação PromoBrinks – Lego Cadeirante – Haverá bonecos femininos e masculinos, sendo dois idosos, quatro crianças, oito adultos e um bebê

 

Para entender melhor essa transição que afeta principalmente o comportamento do ser humano, a psicóloga Maria de Fátima Franco, da PUC-Campinas, explica: “Praticamente todos os conceitos no desenvolvimento emocional e psicológico do indivíduo estão relacionados ao que ele recebe quanto modelo, principalmente na infância…” A partir disso, conclui-se que se uma criança começa, desde a infância, a brincar com bonecos que não são representativos ao padrão de pessoas que ela convive. Ou o boneco está alheio ao seu mundo (coisa que é difícil uma criança deduzir), ou o padrão que o boneco passa é simbologia de prazer e identificação. Se caso ela se espelhar no boneco, se identificar aparentemente com ele, alcançará o prazer desejado.

Maria de Fátima
Psicóloga Maria de Fátima Franco (Foto: Júlia Freitas)

 

Por fim, o Digitais indagou Duda Cecanho, uma garota de 5 anos, loira, branca, que não foge aos padrões de beleza que a maioria de suas bonecas representam, o que ela acha dessa nova tendência de bonecas morenas, baixas, gordinhas, cadeirantes e etc. A resposta foi: “Acho que todo mundo consegue ser o que quiser, hoje assisti na TV o desenho novo da princesa Ariel e, mesmo ela não tendo pernas como as outras princesas, deu um jeito de dançar e entrar para a sala das bailarinas.”

Já Lucca Oliveira, 4, é o menor garoto da sua sala. Ele nos afirmou que gostou dos novos brinquedos, que é “legal” ser diferente e o tamanho não importa, além do boneco ser muito “fortiiiiii”.

Crédito: Júlia Freitas                 Duda Cecanho                                                    Lucca Oliveira

Dia após dia, essa causa se torna maior. 2016 é apenas o ponto inicial para uma grande batalha, que vem movimentando pessoas de todas as idades, em todos os cantos do mundo.

Editado por Mateus Souza

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