Cinco animais exóticos para se ter em casa

Por Mariana Fernandes

O cachorro é o animal de estimação em maior quantidade no Brasil: são 52 milhões espalhados pelas casas no país. O peixe aparece em segundo lugar,  com 25 milhões, seguido do gato, que está presente em um número total de 19 milhões. As aves, ocupantes do quarto lugar da lista, representam um total de 18 milhões. Os dados são de uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), divulgados em 2012. O Brasil tem, de acordo com a pesquisa, 101,1 milhões de animais de estimação, é a quarta maior população de pets do mundo. O último lugar da pesquisa destina-se a categoria “outros”, répteis e mamíferos, que fogem ao senso comum. Eram dois milhões e cem outros animais nas residências no ano de 2012, e de acordo com pesquisa do IBGE divulgada em 2013, esse número já chega a dois milhões e meio.

Com a ajuda da Dra. Débora Moretto, veterinária pós graduanda em Fisioterapia, que mora em uma chácara com cinco cachorros, uma chinchila, um coelho e dois porquinhos-da-índia, e de Breno Jancowski, graduando do 7º semestre de medicina veterinária, apaixonado por animais silvestres, e que mora em um apartamento com uma cobra e um papagaio, listamos os cinco animais mais procurados para serem criados em casa, e que pertencem à categoria “outros” , crescente a cada ano nas pesquisas nacionais.

Dra. Débora e Breno, ambos apaixonados pelo que fazem, e por animais

 

Porquinho-da-índia
O porquinho-da-índia é um roedor que pode ser criado tanto fora, como dentro de casa por ser um animal resistente. As fêmeas apresentam uma gestação que dura em média 60 dias, e seus filhotes, que já nascem todos peludinhos e formados, vivem por cerca de 6 anos. A alimentação dos porquinhos-da-índia é composta por uma ração especializada que também pode ser acrescida de alfafa, verduras, frutas e legumes.  É necessário um cuidado especial aos dentes desses animais que, por serem roedores, estão em constante crescimento. É necessário, por isso, que eles os desgastem. É essencial ter sempre um pouco de madeira, para que eles possam roer, e também a presença de alimentos duros na alimentação, para que sejam desgastados os dentes da frente, e do fundo principalmente.

porquinhos
Juliana e Catarina, as porquinhas de cinco anos de Débora (Foto: Mariana Fernandes)

Chinchila
Original dos Andes, a Chinchila foi melhorada geneticamente para tornar-se um animal doméstico. É muito criada para ser bicho de estimação, também por conta de sua carne, e principalmente, por sua pele. É um animal habituado ao frio, por isso, mais sensível. Não pode tomar sol e nem se molhar, pois corre o risco de passar mal. A higienização das Chinchilas é dada por meio de banho seco, no qual a Chinchila rola em meio a um pó de mármore. A alimentação desse animal também se dá por meio de ração especial, mas eles também comem alfafa. Devido ao fato de não pode se molhar, elas devem ter um bebedouro especial, com um pequeno cano que goteja a água. Com a gestação similar à do porquinho-da-índia, a Chinchila pode viver até os 18 anos.

Olhando atentamente
Safira, a Chinchila de 4 anos da veterinária (Foto: Mariana Fernandes)

 

Coelho
É um animal muito parecido com os já descritos anteriormente. Por procriarem muito, a gestação gira em torno de 30 dias, apenas, e os filhotes nascem sem pelos e prematuros. Os coelhos se alimentam de ração especial, mas comem também mato e feno. Podem ser criados dentro ou fora de casa. Breno tem coelhos e optou por cria-los ao ar livre. “ Os bichos adoram cavar e comer mato, a longevidade deles se torna muito maior”, diz.

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Os coelhos de Breno vivem soltos em sua chácara. (Foto: Facebook Selva Urbana)
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Com 6 anos, Chiquinho vive na chácara com Débora próximo aos cães da veterinária (Foto: Mariana Fernandes)

Os animais tratados até aqui, são considerados animais domésticos, por isso,  não necessitam de nenhum tipo de documento especial na hora da compra, já que não são fiscalizados.

Os últimos animais de nossa lista são considerados animais silvestres. Por isso, só podem ser adquiridos por meio de um criatório ou em uma loja credenciada ao IBAMA, que possua autorização para vender esses animais.

Cutia
Roedor, cujo nome significa “animal que come com as mãos”, não pode ser criado dentro de casa, precisa de muito espaço. Elas se alimentam de um pouco de ração, mas a base da alimentação das cutias são verduras, frutas e legumes. Gostam muito de mandioca, milho, mamão e banana, e na hora de comer, sentam com as patinhas de trás e seguram o alimento com as patas dianteiras. Breno, que cria duas cutias, conta ao Digitais um hábito curioso: “Elas comem frutas e sementes da natureza, mas quando encontram alimentos em excesso, enterram para comer depois. Quase sempre esquecem que os enterraram, dando origem a várias árvores durante a vida delas.”  Para o estudante de medicina veterinária, cutias são excelentes pets, mas precisam ser condicionados.

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Breno e suas duas cutias, Pitica e Pitoco (Foto: Reprodução/ Facebook)

 

Iguana
Réptil e herbívoro, a Iguana só se alimenta de verduras e frutas. Por serem animais frios, necessitam ser criados em terrários expostos a luz do sol, mas caso sejam criadas em terrários internos, necessitam de uma lâmpada especial, com iluminação UVB, que imita o trabalho do sol. Almeirão, agrião, rúcula, banana, beterraba, chicória e abobrinha, fazem parte da alimentação das iguanas, mas essa alimentação também é suplementada com cálcio e outras vitaminas. É um animal muito grande, que pode chegar a 2 metros de comprimento e, por este motivo, necessita de espaço muito grande para viver.

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Por serem animais frios, as Iguanas precisam sempre de luz do sol, ou de lâmpadas especiais ( Foto: Reprodução/ Facebook)

Os criatórios de cutia ainda existem, portanto, esse é um animal que não sofre com o tráfico, mas sim com a caça. Porém, desde 2011, os criatórios de iguanas fecharam, e por isso, ela é um dos animais silvestres que mais sofrem com o tráfico. Quem as compra agora, paga em média o valor entre R$150 e R$200. Esses compradores normalmente não tem condições de arcar com os gastos da criação que ultrapassam o valor de compra. Só a consulta de animais silvestres em média R$200. Breno nos conta que caso ainda houvessem criatórios, a situação seria melhor, pois as pessoas pagariam em média R$2.500 por um animal como esse, logo dariam valor aos cuidados básicos que esses animais necessitam para viver bem. “Ter um animal não é uma necessidade, é um luxo. Tem quem pode, quem tem condições. O animal não pediu para você comprá-lo, ganhá-lo ou adotá-lo. A partir do momento em que você assume essa responsabilidade, você tem que arcar com os cuidados para o bem estar e a saúde do bicho”, diz.

Novas Aquisições
Atualmente as iguanas só podem ser adquiridas por meio de transferência, de um antigo proprietário para um novo com tudo devidamente registrado e documentado. Breno explica: “O documento do bicho é a nota fiscal. Uma nota é emitida no nome do comprador que deve ser maior de 18 anos. Caso ele não tenha mais condições de criá-lo e queira repassar o animal para alguém, deve fazer um termo de transferência e autenticá-lo em cartório. Nesse termo deve conter o nome do antigo e do novo proprietário, assim como o número do microchip do animal, que deve ser o mesmo número contido no documento da nota fiscal”.

E.P., que mora e trabalha como barbeiro em Campinas, participa de alguns grupos de animais exóticos em redes sociais e tem o desejo de adquirir uma Iguana. “O valor era em média R$ 150, mas como não sabia se [os animais] eram coletados ou de criadouros, não me interessei”, diz. Devido a falta de documentação e o baixo custo, E.P. ainda não realizou seu desejo, já que não confia na procedência do animal.

Já Bruno Quagliarini, 25, é estudante de medicina veterinária em Campinas, e adquiriu uma iguana há 5 anos de um criadouro legalizado. O animal é criado em um terrário dentro de casa, “mas eu solto ela no jardim também, e fico tomando conta”, diz. Por ter conhecimento, cuida ele mesmo das necessidades básicos da iguana, e diz que nunca precisou levar o animal ao médico por algum motivo mais sério. Sobre os custos mensais, Bruno conta: “Não considero um animal caro de se manter. O mais caro é preparar o terrário, mas alimentação é relativamente barato”. A lâmpada especial, que no Brasil custa cerca de R$350, é encontrada por cerca de R$130 fora do país.

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A Iguana do estudante de veterinária, Bruno, de 5 anos de idade.

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E você, diz aí nos comentários, qual desses animais você escolheria para ter em casa?

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