O silêncio da verdade

Por Harold Ruiz

Na história sul-americana, as pessoas que se atrevem a dizer a verdade são silenciadas por causa do ódio e da intolerância.

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(Arte: Harold Ruiz)

O Século XX foi repleto de eventos que marcaram a história dos países sul-americanos, mas sem dúvida, as que mais têm mais impacto em países como o Brasil e a Colômbia, foram as mortes dos jornalistas Vladimir Herzog e Jaime Garzón, respectivamente, os quais, na tentativa de informar a sociedade da verdade dos fatos ocorridos na época, foram silenciados pela oposição para permitir que todos os massacres e a injustiça caíssem no esquecimento.

O jornalista brasileiro Vlado Herzog, como também era conhecido, foi assassinado em uma prisão de São Paulo, em 25 de outubro de 1975, pelos membros do regime militar, que o acusavam de ser parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Os militares alegaram que Vlado incitou a sociedade a rebelar-se contra o governo.

Rose Bars professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC) diz sobre o jornalista brasileiro: “A morte de Herzog representou um alerta para sociedade, que realmente despertou para o que acontecia nos porões do DOI-CODI e pela impunidade para os torturadores que eram orientados e controlados por um governo ditador, sem respeito aos direitos humanos. Com a sua morte todos nós perdemos. Perdemos um jornalista que tinha sensibilidade crítica sobre os acontecimentos sociais e que poderia ajudar a restabelecer a democracia no Brasil e a sua família perdeu um ente querido”. Biografia de Vlado Herzog

_20160416_150737Rose Bars professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC)

(Créditos: Harold Ruiz)

Por outro lado, 24 anos depois, em Bogotá, na Colômbia, o jornalista Jaime Garzón foi silenciado por razões semelhantes. Enquanto fez alegações contra grupos armados e o governo, recebeu ameaças de morte. Garzón foi executado em 13 de agosto de 1999, quando levou seis tiros, dentro de seu caminhão, quando dirigia-se ao seu local de trabalho.

Após esses dois acontecimentos infelizes, milhares de pessoas reuniram-se em diferentes avenidas, a fim de fornecer suporte para as famílias dos jornalistas e pedir justiça.

Mas até hoje, infelizmente,  os dois casos permanecem sem solução e os culpados pelos assassinatos destes jornalistas, que pararam de fazer o que amavam com apenas 38 anos de idade, nunca pagaram pelos crimes executados contra dois grandes países sul-americanos.

O ódio e a intolerância foram as principais razões para estas mortes ocorrerem. Os jornalistas não podiam contar a verdade para a sociedade, fato que violava a liberdade de expressão e de imprensa, entre outros direitos humanos, e não puderam viver como em países onde os todos podiam desfrutar de uma vida tranquila e sem qualquer tipo de ameaça. A vida de um grande jornalista

Herzog e Garzón não foram os únicos atores nesta história. Após suas mortes, a luta continuou. No caso da morte do brasileiro Herzog, durante os chamados “Anos de Chumbo”, sua mulher, Clarice Herzog, durante anos trabalhou em busca da verdade. Por outro lado, a irmã do jornalista colombiano é a heroína que, depois de 17 anos, continua a investigação e recolhe provas para que a justiça seja feita.

si ustedes los jovenes no asumen la dirección de su propio país, nadie va a venir a salvarlo !Nadie!jaime garzón (1)

(Arte: Harold Ruiz)

Editado por Mateus Souza

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