“Saiaço” reune cerca de 150 manifestantes em Campinas

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O movimento organizado pela internet reuniu alunos, ex-alunos, outros professores e integrantes de movimentos sociais (Foto: Gabriel Furlan)

 

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Alex concorda, apoia o motivo da manifestação e a ideologia de sua filha Maria (Foto: Gabriel Furlan)

Por Gabriel Furlan

Foi realizado às 17 desta segunda-feira (4) um “Saiaço” em frente à Prefeitura de Campinas. O ato teve como objetivo apoiar o professor de geografia da Escola Municipal de Ensino Fundamental Caic Zeferino Vaz, Vitor Pelegrin, suspenso no último dia 14 por ter vestido saia em um evento da escola em que leciona. O “Saiaço” foi organizado por alunos em uma rede social  e teve adeptos de outras instituições de ensino e de movimentos sociais. “Fizemos esta manifestação baseada nas que ocorreram ultimamente. Não imaginei que fosse ter tamanha repercussão. Estou impressionada!” destaca Maria (13), uma das organizadoras do evento.

 

 

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Vitor Pelegrin aguarda pela decisão judicial que ainda possui data incerta (Foto: Gabriel Furlan)

A indignação acabou sendo ainda maior por parte dos alunos pela escola não prestar nenhum tipo de esclarecimento a eles. Ficaram sabendo do ocorrido por meio do professor em uma rede social. A partir deste momento, os adolescentes promoveram um manifesto dentro da própria instituição de ensino com objetivo de obter algum posicionamento da escola, mas foi em vão. Além de dar aulas de geografia, Vitor também participava do grêmio estudantil, e  segundo os integrantes, seu afastamento está prejudicando o andamento do mesmo.

Vitor defende a discussão de gênero nas escolas:“Silenciar assuntos sobre os quais há a necessidade de se abordar, é uma ação ruim. O ambiente escolar reproduz muitas das violências existentes em nossa sociedade, entre elas opressões como machismo, racismo e LGBTfobia. Isso causa grande trauma sobre os estudantes, obstruindo a sua expressão enquanto indivíduo, a socialização e até mesmo a participação em sala. Oferecer informações e buscar uma convivência respeitosa auxilia a reverter esse quadro de violência e a tornar a escola um local mais agradável para os jovens”.

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Alunos da Unicamp também participaram da manifestação (Foto: Gabriel Furlan)

 

 

Ainda não há prazo previsto para o resultado final do processo que pode exonerar Vitor Pelegrin do cargo de professor. Seguno ele, há duas semanas atrás cancelaram 4 depoimentos sem justificativa e não tocaram mais no assunto. O docente espera que o desdobramento do caso na mídia acelere a decisão judicial e que termine com um final positivo para ele, garantindo a volta ao trabalho.

 

 

Em seu breve discurso, Vitor luta pelo direito de professores e alunos e questiona o governo do atual prefeito Jonas Donizette (PSB):

O OCORRIDO
No desfile do dia 7 de setembro do ano passado os funcionários da Escola Municipal de Ensino Fundamental Caic Zeferino Vaz saíram às ruas de Campinas/SP para comemorar a independência do Brasil. O professor afastado, além de comemorar tal data, levou às ruas mensagens que visam uma sociedade mais humana e menos intolerante – elas pediam o fim da homofobia e que destacavam a importância de debates referentes à questão de gênero. Seus alunos carregavam mensagens contra o crime de homofobia; pedindo paz, respeito e afirmando que “menina também joga bola”. Essa apresentação fazia parte de um projeto pedagógico que o professor faz parte para discutir a igualdade de gênero.

Atualmente Vitor Pelegrin responde a um processo administrativo movido pela prefeitura e, por este motivo, pode ser exonerado. A Secretaria de Educação Municipal não pode revelar o motivo de tal ação judicial por ter caráter sigiloso. Este processo é responsável pelo afastamento do professor dos nonos anos da escola da Vila União por um período de 60 dias.

CAMPANHA
A mobilização vai além dos eventos promovidos. A hashtag #SaiaSemPreconceito ganhou adeptos em todo o Brasil e no mundo. Em apoio ao professor de geografia, a ONG Rede Minha Campinas organizou uma petição visando a revogação da suspensão de Vitor. O site da campanha “Saia Sem Preconceito” foi criado para propor uma sociedade mais inclusiva e menos preconceituosa.  As assinaturas reunidas serão entregues à Secretaria Municipal de Educação.

APOIO
Os alunos  e professores da escola já realizaram manifestações pedindo a volta do professor deixando claro tanto para a Secretaria de Educação quanto para a Escola o apoio por Vitor e acima disso, o interesse pelo debate de gênero. Além deles, estudantes e professores da Faculdade de Educação da Unicamp também se mobilizaram pela causa e discutiram a importância do debate de gênero na escola.

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Professores da Escola Municipal Caic Zeferino Vaz demonstram apoio a Vitor Pelegrin no evento realizado na tarde de hoje (Foto: Gabriel Furlan)

30 DE JUNHO DE 2015

Nesta data era votado na Câmara dos Vereadores de Campinas o projeto que veta qualquer proposição legislativa que tenda aplicar nas escolas municipais a ideologia de gênero ou orientação sexual. A proposta foi aprovada por 25 votos a favor e 5 contrários.

ENTENDA MELHOR

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Editado por Stephanie Franco

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