Pesquisa apresenta novo perfil do jovem brasileiro

Por Natália Villagelin

A Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) realizou uma pesquisa com 1.500 voluntários, por todo país, com o intuito de descobrir as ideias e aspirações dos jovens brasileiros da geração Y, que hoje estão na faixa etária de 18 a 34 anos. O estudo apresenta o pensamento dos jovens em diferentes assuntos, como religião, consumo, planos de vida e família.

A apuração constatou que a grande diferença entre as gerações anteriores para esta acontece, principalmente, porque os jovens de hoje priorizam sua liberdade de escolha.  Autonomia para escolher sua religião, para decidir a hora de ter um filho e, principalmente, na sexualidade que, segundo a pesquisa, teve um aumento significativo de jovens que se assumem homossexuais e bissexuais.

Novos objetivos e aspirações

Com mais de 70% das respostas, viajar, expandir fronteiras e conhecer novas culturas é uma das principais aspirações do jovem nessa idade. É o caso da estudante Rafaela Micheloni (20 anos) que diz acreditar na importância das viagens para ajudar em sua formação, “o que diz no currículo não te define, o que realmente importa são as experiências que você traz consigo”, afirma.

Rafaela Micheloni
Rafaela Micheloni de malas prontas para mais uma viagem (Crédito: Rafaela Micheloni)

Laís Campelo, publicitária de 24 anos, acredita que depois de formada é muito importante conhecer a maneira que cada cultura enxerga a vida, porém, se tivesse que escolher isso antes de se formar, escolheria o diploma, pois valoriza muito a formação escolar.

A geração Y não prioriza ter filhos, segundo a pesquisa, para eles o que importa mesmo é ter uma estabilidade financeira e emocional, para então começar a pensar em gerar seus herdeiros. Para Flora D’Ávila, estudante de 18 anos, ter uma segurança financeira é importante para não faltar oportunidades e conforto, mas o equilíbrio emocional é essencial, “ter filhos não deve ser um processo fácil, então acredito que seja importante, para quem quer tê-los, que esteja psicologicamente bem, para dar conta de passar pelo processo de ter um filho e sua criação”, conta Flora.

Os jovens não são tão ambiciosos como as outras gerações. A pesquisa apresenta que para mais de 80% dos entrevistados é importante ganhar o suficiente para se dar “pequenos luxos” e para ter uma vida confortável.

Marina Crubelatti, estudante de 23 anos, pensa que é importante ganhar o necessário para se manter, ter uma casa própria e conseguir viajar quando quiser, não vê necessidade de ter muito dinheiro, “acredito que para ficar muito rica a pessoa precisa abdicar de muitas coisas, dentre elas a família, e não é o que desejo. ”

Consumo na era da tecnologia

A pesquisa aponta um fato o qual não surpreende, tendo em vista as novas tecnologias disponíveis: o compartilhamento das experiências é um fenômeno essencial. Em média, 90% dos entrevistados julga importante ter, principalmente, internet, notebook e celular.

Marina admite que não conseguem ficar sem seu celular por perto, “hoje em dia acredito que seja impossível viver sem celular, pois consigo resolver tudo de maneira rápida e de qualquer lugar. ”

Em relação ao consumo, os jovens “sentiram” a crise. Há evidências de que eles estão cada vez menos saindo da rotina, de estudo-trabalho-casa, e acabam deixando de lado atividades como pratica de esportes, festas, shoppings e restaurantes. Laís conta que com a falta de dinheiro, foi necessário reajustar os gastos diminuindo compras e saídas. Flora diz que, com o cansaço, vai direto para a casa. A pesquisa aponta exatamente isso, não é só a falta de dinheiro que esta desencorajando a preferência por atividades fora de casa, como também a falta de segurança e o cansaço da dupla jornada de tarefas.

Segundo a pesquisa, a maior surpresa foi a mudança do hábito de seguir religiões da família, como já dito, eles priorizam a liberdade de escolha. Para 75% dos entrevistados, não é necessário todo o integrante da família acreditarem na mesma coisa, cada um tem sua filosofia de vida e tem que ser respeitado.

A maioria dos entrevistados, assim como Lígia Thiago, estudante de 23 anos, se disseram cristãos e tomaram essa decisão por vontade própria, porém, o que surpreendeu os pesquisadores foi que um terço dos entrevistados tem ausência parcial ou total de religião. Como é para Flora que afirma ser ateia por enquanto, mas estuda outras religiões que tem interesse para poder, talvez, se converter. A fé sem religião é também um fenômeno que ocupa uma parte significativa entre as principais crenças, ou seja, as pessoas acreditam em Deus, mas dispensam a instituição. Como é o caso de Rafaela, que acredita em Deus, mas não segue nenhuma religião. Também é o caso de Maria Elisa, estudante de 24 anos, ao afirmar que apesar da sua família ser católica, não achou uma religião que agrade, “Prefiro focar nas atitudes reais do que ter fé em algo ‘abstrato’”, explica.

A pesquisa conclui que as instituições religiosas, se quiserem novos adeptos ou ocupar mais espaço na vida dos jovens, terão que aceitar mais a pluralidade e, por assim dizer, buscar se comunicarem no mesmo idioma.

Por Natália Villagelin

Editado por Bianca Massafera

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