Quando a informação é só o começo do prazer

Por Raíssa Bazzo Zactiti

11 de setembro, assassinato de jogador de futebol, buraco na estação Pinheiros e, claro, amor. Muito amor para seguir a carreira de jornalismo num mundo onde a informação faz reféns. É assim que o assessor do governador Geraldo Alckmin mostra como o jornalista trabalha: como refém da informação.

Após dois anos na faculdade, o Cleber de Oliveira Mata, de 34 anos, foi para os Estados Unidos, por quatro anos, procurar por experiência e estudar inglês. E conseguiu. Em menos de um ano em Nova York ele se viu atordoado pelo ataque terrorista que aconteceu em 11 de setembro de 2001. Ele estava lá. E sentiu muito entre o antes e depois na segurança americana. Patrulha aumentada, vigilância e perseguição a imigrantes. Claro, para eles, todo mundo era suspeito até que se provasse o contrário.

Mas a vasta experiência do jornalista não para por aí. No início da carreira, ele fez a cobertura do assassinato do jogador de futebol Antônio Carlos César Freira, que jogou pela seleção brasileira no ano de 1976. Tá aí uma experiência e tanta. Conhecidos da vítima, que foi morto pela esposa, ligavam para dar informações ao jornal Todo Dia – onde trabalhava na época.

O buraco que foi aberto na estação Pinheiros, em 2007, onde ocorreu desabamento e três vítimas fatais, fez com que houvesse uma crise no governo, a segunda desde que ele estaria lá.  Mata começou a carreira no governo em 2006.

No mesmo ano, caiu um avião da TAM com 199 pessoas a bordo, em Congonhas. Nesse evento, ele passou a noite em plantão com autoridade pública no local que, na época, era o governador José Serra. Foram convocados peritos do exterior e, para reconhecimento dos corpos, foram feitos exames de DNA, devido ao não reconhecimento dos familiares pois os corpos estavam todos carbonizados e desfigurados.

Mas nem tudo são rosas. No começo da carreira, Cleber não se preocupou em ganhar dinheiro. Encontrou no trabalho voluntário a facilidade para a inserção no mercado. Trabalhou dessa forma tendo a primeira oportunidade na rádio Paraíso, em Nova Odessa, logo no primeiro ano de faculdade, em 1999. Ele trabalhava na sessão de esportes, portanto era muito freqüente passar o final de semana cobrindo jogos.

“Jornalista só é bom se tiver informação” é no que acredita o ex aluno da PUC-Campinas. Segundo ele, você precisa ser muito informado e criterioso para viver numa era em que as “informações são muito grandes e que engolem você”. Jornalista também escolhe essa profissão por amor e não para enriquecer. “De dez jornalistas que eu conheço, nove tem vida simples.”

Atualmente está na assessoria do governo, há oito anos, e tem acesso direto ao atual governador do estado de SP, Geraldo Alckmin que, ao falar sobre, fica perceptível tamanha admiração, dizendo ser uma pessoa que trata informação como coisa séria e como estratégia. “Eu não posso derrapar, pois o governador toma decisões com base nas informações que recebe de seus jornalistas”.

Em relação à faculdade, Cleber se considera um aluno mediano e diz ter aproveitado muito seus dois primeiros anos, já que a turma com quem começou não foi a mesma que terminou. Ele concorda, ainda, que entrar no mercado de trabalho hoje em dia é muito mais difícil do que há 15 anos, já que, com a economia encolhendo, a comunicação é o primeiro setor a ser cortado em uma empresa.  Para ter sucesso na vida profissional você precisa apenas aprender e se dar oportunidades; agarrá-las e se doar ao máximo, afirma Mata.

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