Cyberbullying é o crime virtual com maior número de denúncias

Por Caroline Magalhães e Jaqueline Ramo

No último ano, o Cyberbullying foi responsável pela maior quantidade de denúncias de crimes virtuais, segundo o site Safernet.

Cyberbullying é uma palavra inglesa importada para a língua portuguesa, que manteve sua grafia original, cujo significado é relacionado a atos de maldade que ocorrem na internet. Sendo assim, o cyberbullying, significa utilizar do espaço digital, para praticar intimidação, ou agredir verbalmente alguém.

Este tipo de crime muitas vezes é feito de forma anônima, a vítima recebe mensagens ameaçadoras, conteúdos difamatórios, imagens obscenas, palavras maldosas e cruéis, insultos, ofensas e etc. Todas estas formas de ameaça podem alcançar milhões de pessoas em questão de segundos.

Denúncias de crimes virtuais
Denúncias de crimes virtuais em 2014 Arte: Caroline Magalhães

 

Possíveis motivos

Segundo o advogado especialista em crimes digitais Fernando Yamada, a maior parte dos casos envolvendo cyberbullying está relacionado a alguns fatores como:

1) Publicação de boato e ofensa à imagem de uma pessoa, seja por sua classe social, atributos físicos, orientação sexual e forma de se vestir, através de comentários, curtidas e compartilhamentos;

2) Ameaças;

3) Assédio;

4) Divulgação de fotos e/ou vídeos íntimos;

5) Criação de perfis falsos da vítima em redes sociais.

O Cyberbullying não se restringe a ameaças e vazamentos de fotos só em rede como computadores, a maior arma que esses agressores usam para disseminar mensagens de ódio ou repudio são as redes sociais, responsáveis por 67% das denúncias deste tipo de crime. E-mails e sms também são canais para que este crime seja cometido.

Meios mais usados para a prática
Meios mais usados no Cyberbullying Arte: Jaqueline Ramo

 

Agressores: 

Segundo a psicóloga, Mariana Vidal, existem estudos recentes que traçam o perfil do agressor do cyberbullying; “São pessoas poucos empáticas, tem mais dificuldade de se colocar no lugar do outro, pessoas que gostam de dominar o ambiente e podem ser pessoas com mais problemas externos, enquanto as vítimas de cyberbullying podem ser pessoas mais introvertidas, mais tímidas e ficam mais expostas a sofrer esse tipo de agressão”, diz a psicologa. 

Psicóloga.jpg
Psicóloga Mariana Vidal. Foto: Caroline Magalhães

 

Mariana ainda diz que o cyberbullying pode trazer consequências maiores do que o bullying convencional, uma vez que as informações são lançadas na rede, ela será compartilhada e curtida milhões de vezes, e, diferente de agressões em escolas, por exemplo, onde a criança que sofre esse crime vai pra casa depois ou tem um fim de semana de folga, o agredido terá que conviver com isso o tempo todo.

“O cyberbullying pode trazer consequências como sinais de ansiedade, depressão e em muitos casos, quando isso não é controlado, pode vir até a causar o suícidio”, diz Mariana.

As formas mais comuns de cyberbullying são:
Injúria: enviar repetidamente e-mail, scrap ou mensagem para uma pessoa dizendo que ela é “imbecil, asquerosa, nojenta”.
Difamação: enviar repetidamente e-mail, scrap ou mensagem para várias pessoas dizendo que “fulano é burro porque foi mal na prova”.
Ofensa: enviar mensagens eletrônicas repetidamente com linguagem vulgar.
Falsa identidade: fazer-se passar por outra pessoa para obter vantagem ou por ato ilícito.
Calúnia: publicar uma mensagem na comunidade virtual da escola dizendo “fulano roubou minha carteira”.
Ameaça: enviar repetidamente mensagens que incluem ameaças de danos físicos, fazendo a vítima temer por sua segurança.
Racismo: preconceito ou discriminação em relação a indivíduos considerados de outra raça.
Constrangimento ilegal: perseguição; pudor que sente quem foi desrespeitado ou exposto a algo indesejável.
Incitação ao suicídio: instigar, impelir, suscitar alguém a dar a morte a si mesmo.

Casos:

Um dos casos mais famosos de Cyberbullying é o da canadense, Rehtaeh Parsons, de 17 anos, que se enforcou em abril de 2014 após meses de assédio e ofensas pela internet. O caso ficou tão famoso em todo o mundo que motivou a aprovação de uma lei na província canadense de Nova Scotia para punir este tipo de crime. Dois anos antes de tirar a própria vida, Rehtaeh havia sido abusada sexualmente por quatro jovens que fotografaram o episódio e postaram imagens nas redes socais. O Estado de Nova Scotia é o único do Canadá a ter criado a primeira unidade de polícia que cuida exclusivamente de queixas de cyberbullying.

Rehtaeh3
Rehtaeh Parson, 17 anos. Foto: thechronicleherald.ca

Outro caso de cyberbullying mais recente, foi o das ofensas a atriz Taís Araujo, em Outubro de 2015.

A atriz  foi alvo de comentários racistas numa rede social desde a noite do dia 31 de outubro em uma foto que foi publicada um mês antes dos ataques. A foto passou a receber comentários preconceituosos de diferentes perfis.

taisaraujo
Foto de Taís Araújo que sofreu comentários racistas. Foto: Reprodução Facebook.

Apesar de ser um assunto ainda recente, com a popularização das redes sociais, as denúncias de Cyberbullying tiveram um aumento considerável nos últimos anos. Em São Paulo, foi criada uma delegacia especializada em crimes virtuais para dar uma atenção especial a esse tipo de crime. Uma arma mais recente para o cyberbullying também é o WhatsApp, o aplicativo que tem como plataforma o rápido compartilhamento gratuito de mensagens, fotos e montagens, que no mau uso dos agressores se torna uma grande arma. Esse tipo de crime é julgado com o mesmo processo de ofensas feita em público.

Segundo o advogado Ícaro Batista, também especialista em crimes digitais, o cyberbullying não ocorre somente quando é destinado para uma única pessoa, mas também para um grupo, tendo como exemplo páginas do facebook com conteúdo machista, homofóbico ou racista. Nesses casos, a pena pode ser duplicada por além de agressão, ter conteúdos injuriosos.

12334299_755429101229342_1098526337_o
Advogado Ícaro Batista. Foto: Jaqueline Ramo

O advogado ainda afirma que: “uma maneira para prevenir o cyberbullying é ter discussão nas escolas, pois os perfil mais comuns para começar com algum tipo de agressão é a idade escolar, jovens que consideram uma simples brincadeira. Informando este público das consequências deste tipo de “brincadeira” acredito que haverá uma diminuição.”

Em entrevista, o advogado Fernando Yamada diz como a pessoa que sofre esse tipo de crime pode reagir:

“Em primeiro lugar, é essencial que sejam registradas e preservadas as provas do ocorrido. Devem ser tirados prints de tela relativos ao fato. A vítima, neste momento, não deve apagar a postagem, mesmo após ter tirado os prints de tela. Com relação a mensagens de e-mail, não devem ser apagadas. Em seguida, a vítima deverá dirigir-se à uma Delegacia de Polícia, para que seja lavrado o Boletim de Ocorrência e procurar um profissional especialista em Direito Digital, que orientará a vítima quanto à elaboração de ata notarial e medidas judiciais e extrajudiciais a serem tomadas. Conforme a situação, serão realizados trabalhos de remoção do conteúdo, identificação do autor do fato e ação indenizatória pelos danos sofridos”.

Quando questionado sobre a eficácia em resolver esse tipo de denúncias o advogado afirma que desde que as provas sejam preservadas, é possível, na maioria dos casos, identificar o autor do fato e remover o conteúdo ofensivo, e as indenizações variam conforme o fato e sua gravidade.

 

Editado por Fábio Reis

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s