Contaminação pela cinomose aumenta no segundo semestre do ano

Por Mariana Dandara

Os relatos de atendimento a animais contaminados com cinomose são maiores no segundo semestre do ano.De acordo com a médica veterinária Verônica Moraes, não existe raça e época do ano mais propensos a contaminação, porém, os relatos de atendimento a animais contaminados são maiores no segundo semestre do ano.

Ela explica que a doença acomete cães que não foram vacinados ou que estejam com seu sistema imunológico debilitado por alguma razão. “A contaminação se dá por contato direto com outros animais já infectados, ou pelas vias respiratórias, pelo ar contaminado ou por objetos que já tiveram contato com o portador da cinomose. A transmissão direta é por secreção do nariz e boca de animais infectados, que dividem o mesmo espaço e vasilhas de alimentos”, diz.

Verônica explica que os sintomas são: perda de apetite, corrimento ocular e nasal, diarréia, apatia, tosse, espirros, vômito e sintomas nervosos como tiques nervosos, convulsões e paralisias, dificuldade de respirar, febre, falta de coordenação motora, e em um estágio avançado, o óbito.

“O tratamento da cinomose costuma ser bem agressivo, de acordo com a agressividade da doença, o que implica em ter certeza, com exames específicos, de que o animal realmente está contaminado”, afirma.

Crédito: Mariana Dandara
Crédito: Mariana Dandara

A veterinária afirma que a doença se apresenta em fases, podendo pular uma delas. “Eventualmente, no entanto, grande parte dos animais contaminados apresentam a mesma evolução clínica. O primeiro sintoma é a fase respiratória e oftálmica. E então segue para a fase neurológica”, complementa.

A cinomose possui um alto índice de mortalidade. De acordo com Verônica, isso se deve ao fato da doença acometer vários sistemas do corpo, fazendo com que o animal morra em decorrência das complicações secundárias à infecção com o vírus da cinomose.

Prevenção

A veterinária diz que a única forma efetiva de prevenção e controle da doença é a vacinação. Ela explica que é de extrema importância que a vacina tenha procedência garantida e seja aplicada por um profissional técnico. “Vacinas que não são bem armazenadas, sem controle de temperatura, sem uma boa técnica para aplicação, podem não ter efeito algum e prejudicar o animal. Os cães iniciam as vacinas com 30-45 dias de vida, reproduzindo o protocolo vacinal, com intervalos de 21 dias em cada dose, sendo essa vacina reaplicada anualmente”, explica.

Pablo em sua cadeira de rodas para facilitar sua movimentação. Foto: Arquivo Pessoal/Juliana Damásio
Pablo na cadeira de rodas para facilitar a movimentação. Foto: Arquivo Pessoal/Juliana Damásio

Importância do prognóstico

A produtora audiovisual Juliana Damásio tutelou um cão com a doença. Ela afirma que os primeiros sintomas foram espasmos musculares, que começaram quando ele ainda era um filhote, seguidos de diarréia e secreções oculares e nasais. “Levei no veterinário e ele não diagnosticou a tempo, então meu cachorro ficou em observação definhando até que retirei ele de lá e levei numa outra veterinária que me disse ser cinomose. Então comecei o tratamento com o soro anti-cinomose e com fisioterapia e acupuntura toda semana”, afirma.

Devido a agressividade da doença, alguns animais sobrevivem, mas ficam com sequelas. Foi o caso de Pablo, o cão de Juliana. Ele teve a parte neurológica comprometida, perdendo assim os movimentos e o equilíbrio. “Eu abria a boca dele a força pra fazê-lo comer com uma seringa. E conforme foram passando os meses e o tratamento foi se intensificando, ele começou a comer com a minha ajuda, o colocava em posição de esfinge e ele comia dentro do potinho que eu colocava entre as patinhas dele”, explica.

Após quatros anos de vida, Pablo morreu. O motivo, segundo sua tutora, foi uma infecção que se expandiu rapidamente. “Ele sempre tinha infecções diversas, mas esta veio muito forte e ele não conseguiu reagir”, conta.

Editado por Fernanda Lavorini

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