A colecionadora de sonhos

Por Juliana Scheridon

clarice“Tive influência do meu pai, um imigrante japonês que assinava jornais editados em língua japonesa e fazia questão de ler em voz alta, todas as noites após o jantar. Gostava de ficar ouvindo e percebia o seu entusiasmo quando comentava o conteúdo das notícias e dos artigos”. Foi assim que na década de 70 a garota Clarice Tanaka, de 17 anos, optou por cursar jornalismo na PUC-Campinas, por pura intuição e influência.

Clarice tinha fascínio pela arte de escrever, de expressar ideias e opiniões. Porém, foi apenas no terceiro ano de curso, quando ingressou em um estágio sem remuneração no jornal Correio Popular, que a garota teve a certeza de que havia feito a escolha certa, o que foi um grande alívio. A chance de mostrar seu trabalho apareceu quando o então editor do jornal, Marcel Cheida, pediu a ela para entrevistar um cantor famoso, o falecido Jessé. Após ler sua matéria, o editor a efetivou como repórter de cultura. Foi a realização do seu primeiro sonho. Quando se formou, com 22 anos, Clarice conquistou seu segundo sonho, a garota já ocupava o cargo de editora do Correio Popular, por onde permaneceu por dez anos. Após experiência em outro veículo, Clarice ainda não se sentia realizada. Foi então que “um dia, a chegada de um jornal de bairro no São Bernardo, onde eu morava, chamou-me a atenção. Era um tabloide editado por um amador, mas que estava carregado de anúncios de comércios da minha região”. Clarice descobriu o segmento em que queria trabalhar e realizou mais um sonho e abriu seu próprio jornal de bairro, o Via Amoreiras, que está no mercado há 18 anos e, mais recentemente, o Via Dunlop.

Em mais de 30 anos de profissão, Clarice colecionou sonhos e vivenciou muitos fatos interessantes, mas o mais marcante para ela foi o advento da internet. Clarice pretende trabalhar por muito tempo ainda e realizar novos sonhos. “O que me fascina no meu trabalho hoje é o processo criativo que envolve cada edição de jornal: primeiro a elaboração das pautas, depois as matérias, as fotos, a chegada dos artigos e dos anúncios, e assim vamos montando o jornal, como um grande quebra-cabeça ou um painel de mosaico, que você vai encaixando peça por peça. Não há satisfação maior do que receber da gráfica um produto de qualidade e colocá-lo na rua”, afirma.

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