Ser autêntico nas redes sociais pode ser alavanca de sucesso profissional

Por Amanda Pattaro

A chamada “Geração Y” está em conflito na hora de saber o que deve ser publicado ou não nas redes sociais, segundo jornalista Carolina Rodrigues que há dois anos estuda o comportamento dos jovens e carreira por meio de um quadro sobre “Geração Y” na emissora de rádio CBN Campinas. Um vasto conteúdo está na web e muitas vezes os jovens não sabem que isso pode ser um fator crucial na hora de se manter no emprego, ou até conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho.

Foto: divulgação.
Aplicativos e redes sociais fazem cada vez mais parte da “Geração Y”. Foto: Divulgação.

“O fato de estar conectado lhe faz estar próximo de todos e ao mesmo tempo de ninguém”. Carolina Rodrigues, jornalista. 

Se uma pessoa já tem uma carreira definida, ou se ela ainda está em processo de descobrir a atividade na qual mais se enquadra, a etiqueta nas redes sociais serve para ambos os casos: “o importante é a sua verdade, como você se apresenta e qual pensamento é colocado nas redes sociais”, argumenta Carolina.  Ela ainda explica que na internet todos têm opinião sobre tudo e que muitas vezes algumas colocações não foram amadurecidas e que o “usuário coloca aquele pensamento sem muitas vezes saber o que está escrevendo”, diz. Estar conectado transmite falsos valores e falsas noções de vida e de realidade que estão aumentando o conflito dos jovens, como foi o caso recente de uma blogueira que cansou de postar uma realidade que não era a sua. Segundo Carolina, isso é um processo natural e eles já estão começando a entender que devem buscar um caminho mais honesto e produtivo de autoconhecimento.

Perfil jovem - Geração Y
Arte: Amanda Pattaro. Dados: Ibope/ Carolina Rodrigues

As redes sociais trazem muitos benefícios para sociedade, como por exemplo adolescentes que se uniram em prol do próximo, arrecadam dinheiro para ajudar alguém que estava passando por uma doença. Mas dentre tantos pontos positivos, este mundo virtual acaba afetando os jovens nas relações, principalmente na hora de uma entrevista de emprego, que cobra participação e conhecimento pessoal, que a maioria não tem. “Isso acontece porque o fato de estar conectado lhe faz estar próximo de todos e ao mesmo tempo de ninguém”, explica Carolina. O universo virtual não permite o “olho no olho”, conversar diretamente com alguém, porque com as tecnologias, isso foi substituído por grupos de WhatsApp e outras ferramentas que estão surgindo. Então quando ele precisa estar de frente com as pessoas, ele tem uma dificuldade enorme “e isso não acontece por timidez ou falta de conhecimento, mas é justamente por não ter experiência com determinadas situações”, conta a jornalista.

Na internet, milhares de pessoas podem comentar sobre o mesmo assunto e ao mesmo tempo. As páginas estão com muitas opiniões, que por um lado torna mais democrático, e por outro acarreta em informações desnecessárias que forma um espelho da sociedade: preconceituosa, que tem dificuldade com temas religiosos e que não aceita a diversidade. “O excesso de informações prejudica o jovem, que esquece que as redes sociais são, hoje, os novos currículos. O líder de uma empresa sempre acessa os perfis, mesmo que ele não tenha uma página, mas ele tem meios para isso”, comenta Carolina. A jornalista ainda dá dicas do que deve ser evitado para ser publicado no perfil, de acordo com o emprego que procura:

Situação:

  • Se você está se candidatando para uma empresa convencional, onde o ambiente é totalmente formal, não convém você colocar fotos de biquíni na praia, por exemplo. Isso pode transmitir uma ideia de informalidade e o líder que está selecionando precisa de alguém que seja mais conservador, focado e discreto. Aquela foto ou vídeo podem trazer outra imagem. A pessoas pode até não ser aquilo no dia-a-dia, mas na rede social é aquela mensagem que ele está passando. Já se você deseja ser um promoter, o ideal é ter um perfil com muitas fotos e vídeos em festas e eventos, para mostrar que é conhecido socialmente.  
Carolina Rodrigues
Carolina Rodrigues, jornalista e apresentadora da rádio CBN. Foto: Amanda Pattaro

“Depende de quem você é, de onde você quer estar e com quem quer estar”, que para Carolina é uma construção. Ela ainda explica que não precisa excluir tudo do Facebook e não fazer nenhum desabafo, mas a rede social não pode se tornar um divã, uma terapia, porque não é lugar para isso.

Ao longo das 70 entrevistas que Carolina realizou para o quadro na emissora, com depoimentos de recrutadores, líderes de equipe, jovens e pais de jovens, o comportamento em relação rede social-empresa varia de acordo com o que aquele ambiente demanda. Se uma empresa tem uma meta “x”, o funcionário não poderá ficar o tempo todo conectado porque assim o rendimento fica comprometido. Já se é um ambiente que exige criatividade, o “estar conectado” é o ideal.  O mundo corporativo traz uma reflexão de que no momento as coisas estão mais recicláveis do que permanentes.

“Depende de quem você é, de onde você quer estar e com quem quer estar” Carolina Rodrigues, jornalista. 

“Sucedida é aquela pessoa que é feliz, não necessariamente aquela que ganha muito dinheiro. A questão é apenas a realização”, conclui Carolina. Um jovem não precisa seguir a linha conservadora e tradicional dos pais, seguir carreira de 30 anos em uma determinada empresa. Com as mudanças, o que importa é ser verdadeiro no que faz.


Cuidado

  • Existem casos na Justiça do Trabalho de empresas que demitiram funcionários por justa causa após ver informações sigilosas sendo compartilhadas na “intranet”, local reservado apenas para conversas profissionais e que apenas funcionários têm acesso.
  • Outros casos são a favor dos funcionários, que tiveram as informações pessoais das redes sociais invadidas pela empresa enquanto estavam no horário de trabalho.

Editado por Izabela Reame

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