Brasil fica em 2º lugar no ranking mundial de transplante de órgãos

Por Amanda Pattaro e Louise Fávaro

Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que o Brasil é o segundo país do mundo que mais realiza transplantes por ano, sendo 90% pelo Sistema Público de Saúde. Para ser um doador de órgãos não é necessário deixar nada por escrito, ou possuir algum documento. Basta apenas comunicar a família sobre a vontade da doação.

“Doar órgãos é um ato de amor ao próximo, é saber que após a morte física não iremos necessitar mais do corpo denso, é permitir que outra pessoa continue vivendo e auxiliando o próximo” Marco Karam, médico nefrologista. 

Doar Órgãos
Foto: Divulgação

Cada Estado tem uma central de notificação, captação e distribuição de órgãos que coordena a alocação dos órgãos, baseada na fila única, estadual ou regional. No Estado de São Paulo existe uma Organização de Procura de Órgãos (OPOs) que contempla 10 hospitais, na qual o Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, único na cidade de Campinas que foi escolhido para coordenar regionalmente as tarefas relativas à captação de órgãos, busca ativa, contato com as famílias e cuidado com o doador.

Transplantes em SP
Arte: Amanda Pattaro. Dados: Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

 

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Hospital de Clínicas da Unicamp. Foto: Louise Fávaro

De acordo com a assessoria do HC da Unicamp, o hospital iniciou a atividade em 1992, com a criação da Central de Captação de Órgãos. Desde então, o HC já realizou cerca de 3.000 transplantes de coração, córneas, fígado, medula óssea, rim/ pâncreas. O transplante com maior frequência é o de córneas. Por ano, o hospital faz, em média, 240 transplantes.

Procedimento

O médico nefrologista, Marco Karam conta que atualmente o principal critério para a realização do transplante é a compatibilidade imunológica entre o doador e o receptor. “Após o falecimento, cada órgão pode permanecer em uma solução conservante na geladeira por períodos diferentes, até o momento da cirurgia”, diz. Mas para que isso aconteça, a família deve autorizar a doação e que, segundo o médico, “não é uma decisão fácil, ainda mais quando os parentes são pegos de surpresa no momento de muita dor pela perda do ente querido”.

Karam explica que todo receptor entra na fila única de espera, independentemente do hospital em que esteja internado. No caso dos rins é necessário exames complementares para verificar a semelhança ente o doador e receptor.

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Arte: Amanda Pattaro. Dados: HC Unicamp

 

Tipos de doadores

Doador Vivo é qualquer pessoa saudável que concorde com a doação. “Ele deve passar, necessariamente, deve passar por uma bateria de testes de laboratório e de imagens pra certificar-se de que tudo correrá bem”, afirma Karam. Estes podem doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Já o Doador Falecido são pacientes com morte encefálica, internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Karam ainda comenta que “o receptor deve estar nas melhores condições clínicas possíveis, e pra isso precisa ser assíduo e responsável com o seu tratamento clínico”.

A secretária executiva Karla Chaves acredita que se declarar doadora de órgãos é importante para salvar outras vidas no futuro. “Sou doadora desde os 20 anos, quando tomei conhecimento disso. Já avisei toda a minha família e amigos sobre essa minha vontade”, conta. Ela tem uma caixa que guarda o papel que assinou sobre ser doadora de córneas e também o registro do tipo sanguíneo para doar sangue.

“Doar órgãos é um ato de amor ao próximo, é saber que após a morte física não iremos necessitar mais do corpo denso, é permitir que outra pessoa continue vivendo e auxiliando o próximo”, conclui Karam.

 

Infográfico Estados
Arte: Louise Fávaro. Dados: Associação Brasileira de Doação de Órgãos

 

Dados de março mostram a quantidade de pessoas que estão na fila por um transplante:

 

Infográfico Corpo
Arte: Louise Fávaro. Dados: Associação Brasileira de Doação de Órgãos

 

História da Letícia Eduarda

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Letícia Eduarda. Foto: Arquivo Pessoal

Letícia Eduarda, conhecida como Lê, descobriu aos 13 anos, com uma dor no joelho, que possuía Lúpus, uma doença autoimune que pode afetar os órgãos. Dias antes de completar 15 anos, a menina percebeu que estava ficando inchada e com alta taxa de ureia. A partir daí, ela começou a fazer hemodiálise, para ajudar no funcionamento de seu rim, que estava sendo afetado pela doença. Não demorou até Letícia conseguir um doador de rim, no dia 8 de janeiro de 2011, ela fez um transplante de rim, que não deu certo por conta dos anticorpos – suas células reagiram contra o órgão novo.

“Fiquei muito feliz ao saber que influenciei muita gente que não aceitava a doença” Letícia Eduarda. 

Com a doença, muitos amigos começaram a perguntar sobre a situação da garota em relação ao tratamento e no que ele afetava em sua vida. Assim surgiu a ideia de criar o blog LeEduarda.com, que já existe há um ano e seis meses. No site, Letícia compartilha um pouco mais de sua rotina, seu tratamento e seus pensamentos.

Em 2013, Letícia começou a se tratar no hospital Albert Einstein, onde faz hemodiálise três vezes por semana e continuou sua procura por um doador. Após muitos exames para encontrar um doador na família, ela descobriu que sua tia materna, Patrícia, tem um rim compatível com o seu.  O grande final feliz – a cirurgia -, foi marcada para o final deste ano, em São Paulo.

Conheça um pouco mais sobre a blogueira:

 

História de Márcio José Corrado

O paulistano Marcio José Corrado, de 54 anos, realizou um transplante de rim na última semana. O sobrinho Yuri Corrado conta que ele descobriu em janeiro deste ano que necessitaria da cirurgia. A causa da perda do órgão ainda é incerta e a única desconfiança para isso é uma hipertensão de muitos anos atrás. Márcio buscou ajuda no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde as consultas eram burocráticas demais e tinham longas datas de espera para atendimento.

Após isso, ele decidiu se consultar no Hospital do Rim, onde foi atendido rapidamente, por ter uma doadora viva – sua irmã Célia. A cirurgia foi um sucesso, ele ficará nove meses de recuperação e terá de tomar remédio durante toda a vida para não ter rejeição. “Agora ele tem três rins, mas só um funciona”, brinca o sobrinho.

 

História de Maria Eduarda

Maria Eduarda Zaninelli, mais conhecida como Duda, nasceu em Altônia (PR) e teve duas síndromes raras ao longo da vida.

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Maria Eduarda Zaninelli, em um concurso de miss. Foto: Arquivo Pessoal

O primo, Rodrigo Ferrari, conta que quando ela tinha 12 anos, foi descoberta com a suposta síndrome de “Guillain-Barré” depois de apresentar dores nas pernas. No primeiro momento ela realizou exames no HC da Unicamp e através de um diagnóstico de medula foi constatada a doença. A síndrome de “Guillain-Barré” é uma doença autoimune que ocorre quando o sistema imunológico do corpo ataca parte do próprio sistema nervoso. Isso leva à inflamação dos nervos, que provoca fraqueza muscular.

Aos 15 anos, após estudos das lâminas de Maria Eduarda, ela foi descoberta com a síndrome de “Chediak-Higashi”, uma condição que afeta vários sistemas do corpo, principalmente o sistema imune. “’Ela ficou 40 dias na UTI durante a realização de todos os exames e depois de muito tempo no hospital e devido à baixa imunidade, descobrimos que seria necessário realizar um transplante de medula óssea”, conta Rodrigo.

Duda conseguiu um doador dos Estados Unidos e no dia 4 de fevereiro de 2015 o transplante foi realizado. Como afirma Rodrigo, no primeiro momento ocorreu tudo bem e a cirurgia foi um sucesso, mas “por causa de efeitos colaterais, após uma semana ela perdeu muito sangue, teve de ser internada e ficou 28 dias sedada”, diz. Um procedimento de traqueostomia foi realizado, mas no dia 2 de março de 2015 ela teve uma parada cardíaca e faleceu, aos 16 anos, por contrair fungos e bactérias após o transplante.

 

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Curiosidade: 

  • O primeiro transplante renal da América Latina foi realizado pela USP, nos anos 60.

Editado por Giovane Caruso

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