Campinas recebe 900 imigrantes

Por Andressa Simão e Giovanna Breve

Dados da Cidadania Prefeitura divulgou que Campinas recebe 900 imigrantes para morar, entre eles haitianos e sírios, esse último que vêm ganhando páginas de diversos jornais do mundo após a guerra civil e o episódio do menino sírio de 3 anos encontrado morto em uma praia na Turquia.

No mundo afora, os sírios estão utilizando diversas formas para entrar em países, sendo por avião ou pela rota do tráfico, indo desde as terras mais gélidas da Rússia até o mais quente calor como o Brasil. Segundo dados do Ministério da Justiça, o Brasil é o país que mais recebe refugiados sírios na América Latina, 2.097 refugiados sírios vivem no país atualmente – o maior grupo entre os 8.530 refugiados do Brasil, à frente dos angolanos, que são 1.480.

O mundo se chocou com o fato, mas não devemos esquecer os nossos refugiados, aqueles que vivem em solo brasileiro desde antes da guerra civil síria, depoimentos de diferentes etnias que vivem no país, mais especificamente em Campinas, sobrevivendo e encarando as barreiras de cada dia e que forma eles encaram a realidade brasileira.

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O garoto sírio que comoveu o mundo, Aylan de três anos que morreu em uma praia turca. Foto: AFP

Visto

Diante da crise imigratória, o Brasil está facilitando a entrada de imigrantes sírios e o visto de permanecia é valido por dois anos. A emissão do documento nós países refugiados é concedido nas embaixadas brasileiras nas cidades de Beirute no Líbano, em Amã na Jordânia, Istambul na Turquia.

Adaptação

A adaptação dos imigrantes na região de Campinas para parte dos sírios está tranquila, pois o que conseguiram visto para o Brasil, já tinham conhecidos e amigos morando aqui na região, o que facilitou a adaptação das famílias na região de Campinas. Segundo a advogada Carolina Roni, os países da Europa não estão dando conta dos números de refugiados que querem entrar nos países. ”Já visitei as famílias e a família de sírios disseram que vieram para o Brasil, pelo fato de ter um amigo que morava aqui e que gostava do nosso país.” Explica.

Já para os haitianos não está sendo fácil, por conta do Brasil ter o português como idioma e ainda ter que encontrar um trabalho na região. Em julho de 2015 foi criada um evento para ajudar os refugiados caribenhos que se chama “ Campinas de todos os povos” com a ajuda da Prefeitura de Campinas e da Secretaria Municipal, Cidadania e Inclusão Social de Campinas. O foco do evento foram as comunidades que vivem na região de Campinas e o combate ao preconceito e integração com a população da cidade.

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O gráfico mostra a imigração na região de campinas. Art: Andressa Simão/Giovanna Breve

Xenofobia

Xenofobia é crime e determina que qualquer tipo de discriminação ou preconceito por raça, cor, religião e etnia e quem cometer será tipificado pela lei de nº 7.716 desde 05 de janeiro de 1989. A lei ainda prevê prisão de um a três anos e multa para quem praticar qualquer tipo de ofensa contra imigrantes ou migrantes. O que, nos casos dos imigrantes, é feito de forma para constranger e humilhar. Para a advogada Carolina Roni, os haitianos estão temorosos com a exposição, pois não querem sofrer com a violência. “Eles têm medo, porque mataram um haitiano e picharam o muro com a suástica do Hitler. ” Conta.

Veja parte da entrevista com a Pâmela Castro que fala sobre como é a xenofobia pode ser combatida.

Confira uma série de reportagens que aborda o preconceito na atualidade, entre os depoimentos de pessoas que sofreram com a humilhação e entenda qual é a origem do preconceito e soluções para combater as diferentes formas de discriminação.

CHARLES VIERA – HAITI
Com sotaque misturado com o nosso país e longe do estereótipo que se imagina ao falar sobre o Haiti, Charles teve oportunidade de viajar e estudar para diversos lugares do mundo. Nascido em Jérémie, sul do Haiti, formado em ciências sociais, hoje faz doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Paris, França, e diz que quando veio ao Brasil pela primeira vez sentiu insegurança. “Quando cheguei aqui queria ir embora no dia seguinte, não conhecia ninguém, não tinha amizade, outra cultura também é uma experiência muito difícil, mas depois de eu encontrei com uns colegas na Unicamp e a gente consegue se apoiar um ao outro e consigo equilibrar minha vida de uma maneira diferente, mas a experiência de viver sozinha é uma boa (risos) mas não é fácil.” Conta com detalhes.

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Charles sentado em seu escritório numa pequena kitnet onde mora em Barão Geraldo. Foto: Giovanna Breve

Coragem

Apesar da oportunidade de viajar fora, a saudade nunca deixa. Apenas a língua portuguesa conseguiu traduzir em palavra esse sentimento que quebra barreiras e pega todos, incluindo o estudante haitiano, não é fácil para ninguém estar longe de sua casa e é preciso ter coragem. “Como falo para meus colegas ‘vai lá pra ver se é doce’ (risos) se você não for experimentar e ficar no seu mundo, não vai sair para ver o que é o mundo, porque o seu mundo não é o mundo inteiro(…) ter outras experiências para quando sair do seu país, para morar ou viver sozinho tem que ter coragem”

Um novo dia, a mesma luta, Charles tenta se relacionar puxando conversa com as pessoas, mesmo em outro idioma é preciso arriscar. “Quando cheguei aqui, eu procurei me relacionar com quem quiser, porque ás vezes você conversar com uma pessoa e a pessoa não está querendo, mas não é uma razão que você vai desistir de outras com outras pessoas. Eu tento muitas vezes conversar com as pessoas, como falo francês ou inglês eu conseguia me relacionar, mas meu objetivo era poder conversar com na língua das pessoas, essa habilidade, vai me permitir de sair do meu mundo, poder conversar, trocar ideias para poder entender, isso foi uma ferramenta muito importante para mim, mas não é fácil. Para mim o que é mais importante é querer conversar (…) porque isso faz você encontrar pessoas. ”

Ajuda

Muitos abandonaram tudo no país de origem para tentar a sorte aqui no Brasil. Muitos haitianos que tem apenas cursos técnicos estão em péssimas condições. Grupos de imigrantes alugam casas em bairros de periferia da região de Campinas e dividem o aluguel entre eles. Os itens que os haitianos mais precisam são comidas, móveis, colchões e roupas e calçados. “ Eu fico consternada a cada visito que faço para os haitianos, eles não têm nada” Fala a advogada.

Nordestinos

O estado de São Paulo recebe muitos nordestinos, que assim como, os estrangeiros refugiados buscam uma vida melhor. Porém, sofrem  discriminação e são mal vistos por parte da população. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a migração de nordestinos em São Paulo é mais intensa chegando a 63.091 mil apenas em Campinas. Para a estudante Pâmela Castro, a adaptação foi tranquila, mais o preconceito em relação à cidade natal era muita e piadas sempre estavam presentes. “A minha adaptação foi bem tranquila, mas quando eu colocava uma roupa colorida, os meus amigos logo falam que eu era muito baiana.” Conta.

Em 2014, nas eleições presidenciais vimos um grande ataque de xenofobia em relação a preconceito aos nordestinos, muitos reclamavam dos votos que o Partido dos Trabalhadores (PT) recebeu dos estados do Nordeste. O que muitos casos acabaram se tornando crime de ódio virtual.

Confira o áudio da estudante Pâmela Castro que fala sobre os estereótipos e a cultura do brasileiro.

Editado por Giovane Caruso

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