Ações voluntárias ganham força nas redes sociais

Por Alan Duenha

A internet têm se mostrado, desde a sua criação, um meio que torna muito mais prática a comunicação entre as pessoas. No entanto, muitas vezes ela não é utilizada da maneira adequada: inúmeras discussões, ofensas e desentendimentos vão a público e causam constrangimento a quem promove e a quem presencia tais episódios. Mas esta é uma história surpreendente de como a rede virtual pode ser benéfica para a humanidade. Na semana passada, um grupo de quatro jovens mulheres resolveu fazer a diferença na vida de uma amiga da faculdade.

Amanda Bertolini, jovem de 20 anos, estudante de Ciências Sociais da Unicamp, descobriu em 2008 ter contraído a Doença de Lyme durante uma viagem para Bonito, no Mato Grosso do Sul. O mal é causado pela bactéria Borrelia e foi transmitido através da picada de um carrapato-estrela. No final do ano passado, os sintomas se agravaram e ela teve de trancar o curso. Atualmente, quase não sai de casa, já que convive com fadiga extrema, crises de nervosismo, desmaios e perda de consciência.

Larissa Cascaldi, também de 20 anos, idealizou a criação de uma página no Facebook, com o intuito de arrecadar fundos para o único tratamento no mundo para o estágio avançado da doença em que Amanda se encontra. Trata-se de uma clínica especializada, localizada no interior da Alemanha, que já obteve sucesso na destruição da bactéria. São necessários 30 mil euros, aproximadamente 150 mil reais, para custear as passagens, as internações, o procedimento médico em si, entre outras despesas.

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Larissa exibe cartaz da campanha que está sendo espalhado pelos departamentos da Unicamp. Foto: Alan Duenha

Em menos de 24 horas, a campanha “Fica bem, Amanda” já tinha mais de 1.000 curtidas. Hoje, no seu nono dia no ar na rede social, estava com mais de 6.700 curtidas até o fechamento desta matéria. O valor arrecadado, por sua vez, está batendo na casa dos 70.000 reais, quase metade da meta. Larissa, que estuda Jornalismo na PUC-Campinas, conta como pensou a ideia para o projeto:

E o “burburinho” conquistou o seu objetivo: o Correio Popular trouxe ontem, dia 8, uma matéria sobre a Doença de Lyme e a causa em prol de Amanda. Além disso, o portal G1 já entrou em contato com os administradores da campanha virtual, solicitando o telefone da jovem. Larissa falou também sobre o seu sentimento com a veloz ascensão de sua iniciativa:

Além da arrecadação virtual e das transferências bancárias, a página “Fica bem, Amanda” também divulga formas de contribuição em dinheiro que estão ocorrendo pela Unicamp. “Já teve venda de bolo vegano e tem caixinhas para depósito de qualquer valor. Ainda não decidimos a data, mas vamos promover também uma sorvetada. Está muito quente e provavelmente venderemos bastante. Além disso, uma outra amiga dela está organizando um brechó de roupas doadas. Tudo está sendo postado na página e a verba será revertida para a Amanda”, conta Larissa.

O lado de lá

Segundo a própria Amanda, este brechó será realizado no sábado, 24 de Outubro, dia de seu aniversário. Ela espera e acredita que até a data já tenha conseguido os recursos suficientes para que possa embarcar com a mãe, rumo a sua cura. Na visita do Digitais à sua casa, Meire Bertolini, 50 anos, relatou que a filha tem sofrido com novos sintomas da doença e reafirmou a necessidade da contribuição financeira, apresentando uma nova possibilidade para quem quiser ajudar: a doação de milhagem:

Mãe e filha se mostraram otimistas e aproveitaram para agradecer toda a mobilização. “Tivemos algumas doações de 5 mil reais, a maioria foi de 100 reais. Mas o que realmente me emocionou mais foi uma transferência bancária de 5 reais e outra de 19. As pessoas talvez tivessem pouco, mas ainda assim quiseram colaborar.”, afirma Amanda. Elas já se preparam inclusive para enfrentar a dificuldade de terem de lidar com um vocabulário técnico em outro idioma – no caso, usarão o inglês. “Já orientei minha mãe pra que ela grave o que os médicos falarem para depois eu escutar e entender, caso ela não consiga”, diz.

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Amanda e sua mãe, Meire, utilizando um botton da campanha pela saúde da filha. Foto: Alan Duenha

A jovem aproveitou ainda para demonstrar toda a sua gratidão às amigas que estão se esforçando para tornar realidade o que antes era improvável:

O sucesso da campanha Anda Logo Leo

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Pais de “Leo” circulam com o jovem após sua cirurgia em hospital português. Foto: Facebook – Anda Logo Leo

Coincidentemente – ou não, pra quem não crê – a campanha “Anda Logo Leo”, também realizada pelo Facebook e divulgada pelo Digitais em Setembro, se encaminhou para um final feliz na mesma época em que a esperança de cura de Amanda começou a se concretizar. Leonardo Aranha de Matos partiu com sua família para Portugal no último domingo, 4, e a sua cirurgia foi realizada com sucesso na terça, 6. Ele ainda está em recuperação, no período pós-operatório. A página da campanha tem postado inúmeras mensagens de agradecimento aos colaboradores da causa, que arrecadou mais de 115 mil reais. Leo, ainda em Setembro, prometeu aos seguidores que manteria todos informados sobre a sua evolução motora.

Editado por Mariana Dandara

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