Negligência com crianças mobiliza voluntariado em Itatiba

Por Tácila Faria

No Brasil, crianças e adolescentes são amparadas por um conjunto de normas do ordenamento jurídico. Este conjunto de normas compõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), lei instituída no país em 13 de julho de 1990. Esta lei regulamenta os direitos das crianças e dos adolescentes, garantindo proteção aos menores de 18 anos e proporcionando a eles, desenvolvimento físico, mental, moral e social. Qualquer cidadão que cometer negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade, opressão, ou qualquer ação ou omissão que afronte aos direitos fundamentais da criança e do adolescente, receberá as devidas sanções.

Em 2014, a cada dez minutos uma criança foi vítima de violência no Brasil. Segundo dados divulgados em fevereiro deste ano pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos do Governo Federal, abandono e falta de cuidados básicos, como falta de alimentação e higiene, estão em sete de cada dez denúncias. Segundo registros do Disque 100, do Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, mais de 150 mil crianças e adolescentes foram vítimas de violação de direitos no ano passado.

Violência contra a criança
Crédito: Tácila Faria

Em Itatiba

O relatório do Conselho Tutelar de Itatiba de 2014, também apresenta números preocupantes para a cidade. Foram atendidos no ano passado 266 casos de negligência contra crianças. Dentre os tipos de violência, a mais praticada foi a violência sexual, com 46 casos, seguida pela violência física, com 26 casos e violência psicológica, com seis casos. Foram encaminhados ao Poder Judiciário 27 casos.

Entidades e ONGs

Para tentar amenizar esta realidade no município, quatro instituições dedicam-se a trabalhos com crianças e adolescentes. Essas instituições diferenciam-se em suas organizações, mas mantém os mesmos princípios e objetivos, garantir assistência a menores que apresentam problemas sociais, que não recebem amparo da família, ou que sofrem qualquer tipo de violência.

São muitas as dificuldades dessas instituições e é com a ajuda de algumas pessoas que elas mantém o estímulo para continuar contribuindo com as crianças e os adolescentes. Essas pessoas são os voluntários, gente que se dedica ao próximo por amor, sem receber algo de valor material em troca, mas que em compensação, afirmam receber bem mais que uma fortuna.

SIBES – Sociedade Itatibense para o Bem-Estar Social

A SIBES – Sociedade Itatibense para o Bem-Estar Social, atua em Itatiba há 27 anos oferecendo atendimento e orientação de vida para crianças e adolescentes que vivem em situação de risco social. O principal objetivo da instituição é promover uma formação integral e prepará-los para uma vida saudável e produtiva, através de cursos e oficinas.

Hoje, a entidade atende mais de 80 crianças que frequentam a escola no horário regular e que quando saem, ao invés de ficarem nas ruas, vão para a SIBES. Essas crianças contam com acompanhamento psicológico e grupos de desenvolvimentos e competências.

Para dar continuidade neste trabalho, a SIBES conta com o apoio de voluntários, pessoas que querem passar conhecimento e amor para essas crianças e adolescentes. No total, são 20 voluntários que revelam que ajudar o próximo e educar uma criança vale muito a pena. Confira os depoimentos:

Salve Sanfra

O projeto Salve Sanfra nasceu do sonho de Keytiane Tobias, de 24 anos, e de seu marido, Fabiano Macedo, de 26 anos. O jovem casal que já teve outras experiências como voluntários, até mesmo em outros países, decidiram voltar para o Brasil e desenvolver um projeto especialmente com crianças. Conheceram o Bairro San Francisco em Itatiba e viram de perto a realidade de muitas crianças desse local, que crescem nas ruas convivendo de perto com as drogas.

Keyti e Fabiano encantaram-se pelo lugar e desde 2013 realizam um trabalho no bairro. Hoje eles recebem cerca de 20 crianças em sua própria casa e desenvolvem com elas oficinas de artes circenses, atividades de recreação, estudos religiosos e educacionais.

O objetivo desse casal é tirar essas crianças da rua e contribuir com o crescimento delas. Esse casal têm uma missão: salvar as crianças do San Francisco.

Abrigo do Silvio e da Marlene

O sonho de fazer mais pelas crianças surgiu em 1998. Silvio e Marlene são um casal como todos os outros, mas com uma família completamente diferente. Pais de duas filhas biológicas, o casal também são pais de 80 crianças, muitas delas já se tornaram adultas, constituíram famílias e presentearam Silvio e Marlene com netos.

Tudo começou na cidade de São Paulo, onde o casal tinha uma rotina de ajudar os moradores de rua, levando para essas pessoas alimentos, vestimentas e palavras de conforto. Sempre que prestavam essa ajuda, não se conformavam com a realidade das crianças que viviam nas ruas com seus pais, a grande maioria dependentes de drogas. Silvio relata que essas crianças pediam para que fossem retiradas daquele lugar.

Eles decidiram mudar a trajetória dessas crianças e entraram em uma associação que fazia o registro de casais dispostos a adotar.

Hoje, Silvio e Marlene dão continuidade neste trabalho em Itatiba. Acolhem dentro de sua própria casa, crianças e adolescentes de rua, ou até mesmo, aqueles que são obrigados a sair do Lar quando completam 12 anos.

Vivem com o casal atualmente 16 crianças e adolescentes. Quando questionados do porquê realizar este trabalho, mudando a história e a vida de muitas pessoas, eles responderam: “Queremos mostrar para essas crianças a intensidade da família, o valor da família. Essas crianças não sabem como é viver com um pai e uma mãe, mas aqui elas aprendem esse convívio, aqui nós somos os pais delas.” Veja o depoimento do casal:

 Lar Itatibense da Criança

Fundado em julho de 1952, o Lar Itatibense da Criança é uma sociedade civil, com personalidade jurídica, de utilidade municipal, estadual e federal. Tem como objetivo amparar crianças órfãs, desprotegidas pelo pais e por familiares, vítimas de maus tratos e abandono.

Hoje, o Lar de Itatiba abriga 25 crianças, que foram encaminhadas por um processo judiciário. Todas as crianças abrigadas no Lar, mesmo as que são encaminhadas pelo Conselho Tutelar, passam por um processo na justiça.

Para manter este trabalho o Lar conta com um grupo de voluntários, chamados de GALI, o Grupo de Apoio ao Lar Itatibense da Criança, primeiro grupo de voluntários a ser instituído na cidade. São 60 pessoas que se revezam nas mais variadas funções, desde o atendimento no bazar da instituição, confeccionando artesanatos, ajudando nas barracas das festas, na cozinha, limpeza, até mesmo, cuidando das crianças.  Pessoas como Aline Favorito, voluntária recente na entidade, ajudando desde 2009. Confira o depoimento no vídeo abaixo:

FIQUE INFORMADO!

Você sabia que existe a Lei do Voluntariado?

A Lei do Voluntariado (n° 9.608, de 18 de fevereiro de 1998), publicada no Diário Oficial da União em 19/02/1998, caracteriza como trabalho voluntário a atividade não remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, recreativos ou de assistência social, inclusive de mutualidade.

Crédito: Tácila Faria
Crédito: Tácila Faria

 

O perfil do voluntário no Brasil

De acordo com a última pesquisa do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), feita em 2011, uma em cada quatro pessoas, no Brasil, faz ou já fez serviço voluntário. Este número representa 25% da população brasileira.

Crédito: Tácila Faria
Crédito: Tácila Faria

Seja também um voluntário

Ajudar o próximo faz bem tanto para quem presta a ajuda quanto para quem recebe. Você já ajudou alguém hoje? Têm vontade de contribuir com o próximo? Confira abaixo dicas simples que explicam o que é o trabalho voluntário. Muitas pessoas estão precisando da sua ajuda, basta apenas que você diga um SIM.

Crédito: Tácila Faria
Crédito: Tácila Faria

 

Em cima, Fabiano com as crianças do Salve Sanfra. Em baixo, Silvio e Marlene com seus filhos. Foto: Tácila Faria
Em cima, Fabiano com as crianças do Salve Sanfra. Embaixo, Silvio, Marlene e seus filhos.
Foto: Tácila Faria

Editado por Maria Clara Lourençon

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