Trabalho voluntário aproxima pessoas e diminui diferenças

Por Mateus Badra

“A gente acha que está fazendo tão bem para as crianças e, sim, estamos. Mas para nós o bem é maior ainda”. Foi o que disse a turismóloga Graziella Guardia, que também é voluntária e coordenadora da ONG Sonhar Acordado. Essa frase mostra o significado do quanto as práticas solidárias não ajudam apenas quem recebe essa ação, mas também quem realiza e transmite valores morais, como o caso dela e de muitos outros voluntários.

Bruno Elias – Voluntário e Coordenador de Atividades do Sonhar Acordado. Foto: Mateus Badra

A prática solidária como formação pessoal

Bruno Elias, formado em Publicidade e Propaganda, leva seu jeito alegre e divertido para entreter as crianças e faz do dia delas o melhor possível. Bruno comenta que apesar de estar desenvolvendo essas atividades, é ele quem se surpreende e se diverte. “É um choque de realidade para mim, é uma reflexão enorme para a vida. Me faz rever os conceitos de amor, amizade, entre outros”.  Leonel Cândido, Analista de Sistemas, realiza esse trabalho há três anos e meio e assim como Bruno, afirma que ver no rosto dessas pessoas um sorriso é uma satisfação muito grande. “Você cresce junto com a criança. Cresce fazendo um trabalho voluntário. Ver a alegria delas te faz bem, te deixa mais inteiro, mais completo como ser humano”.

A prática solidária como formação profissional

Voluntário Rafael Otaviano ao lado do Fabrício Henrique
Voluntário Rafael Otaviano ao lado do Fabrício Henrique. Foto: Mateus Badra

Para Rafael Otaviano, que é pai e usa o voluntariado na formação de seu filho, essa prática de doação possibilita a capacidade de liderança. “Trabalhamos com pessoas diferentes, crianças carentes, que passam por dificuldades, então conseguimos lidar com esses diversos tipos de situação. Isso ajuda não só no pessoal, mas como no profissional também”. De acordo com Bruno, que é também coordenador de atividades do Sonhar, formar jovens líderes é um dos principais objetivos da instituição.

Etapas do voluntariado: a história de Graziella

“A gente acha que está fazendo tão bem para as crianças e, sim, estamos. Mas para nós o bem é maior ainda”. A frase usada por ela para definir o trabalho voluntário repercutiu muito durante toda a etapa de sua vida. Desde 2011, Graziella começou a se interessar pelas ações solidárias. “Entrei no Instituto Sonhar quando fui participar de uma atividade com as crianças no Hopi Hari, fui lá porque queria conhecer mais sobre o projeto. Não é apenas entregar comida ou recolher roupa. O voluntariado é conhecer como que realmente funciona o trabalho”.

Depois de um tempo, ela recebeu, então, um e-mail da ONG para participar do programa “Amigos para sempre”, em que os voluntários passam um sábado por mês, durante o período da manhã, em teatros, parques, museus com as crianças. “Ao invés de ficar em casa dormindo até meio dia, porque não acordar mais cedo e passar o meu aprendizado de vida pra elas?”.

A partir disso, Graziella iniciou as atividades como voluntária. Ficou um ano e meio até receber um convite para ser coordenadora de formação, em que agora, repassa o valor das atividades para os outros voluntários e também participa das brincadeiras, interpretando papeis como apresentadora de espetáculos, por exemplo. “É muito gostoso passar essa manhã com elas. Saímos com o coração transbordando de felicidade”. Ela completa dizendo que esse é um momento em que para e pensa sobre o valor da vida, já que essas crianças, mesmo passando por muitas dificuldades, estão lá felizes e muitos de nós estamos reclamando de “barriga cheia”.

“Eu acho que praticamente nasci voluntária”

Vera Longuini é voluntária da instituição M.A.E Maria Rosa, e autora dessa frase que marcou toda sua vida. Sua mãe era também voluntária desde que Vera tinha sete anos, e como não havia empregada ou babá, a levava junto quando ia trabalhar na entidade, servindo sopa para mais de duas mil crianças ou separando e costurando as roupas a serem doadas. “Eu nasci nesse meio. Desde pequena na sala da minha casa, o sofá, poltronas e TV tinham que dividir espaço com caixas e caixas de doações para serem levadas à instituição”.

Ela é jornalista, e como outra forma de contribuir com a M.A.E  escreveu a biografia da Vandir Dias, que criou a entidade e foi considerada a dama da caridade de Campinas na década de 1970. “Escrevi a história com a ajuda de outros voluntários, imprimimos e vendemos os livros para arrecadar verbas. Nem eu tenho livros. Se quero presentear alguém, eu o compro do instituto e faço a doação”.

Instituições

São várias as ONG’s que proporcionam esse espaço de interação entre jovens e até idosos com o voluntário, e a M.A.E Maria Rosa é um exemplo disso. Em parceira com o Sonhar Acordado, a instituição, de acordo com a Educadora Física, Cecília Barbieri, tem como objetivo disponibilizar esse lugar de diversão e de integridade com os diversos públicos, para que as crianças e adolescentes não fiquem sozinhas em casa ou na rua espalhadas pela comunidade, mas que venham para o instituto, a fim de ter esse momento de recreação. E no caso dos idosos, oferecem atividades voltadas a expressão corporal e de ginástica. “Ou seja, todas as oficinas são voltadas ao esporte, lazer e também para a saúde”, disse Cecília.

Galeria de fotos: Visita do Sonhar Acordado no M.A.E Maria Rosa (26/09/2015)

Crédito: Mateus Badra

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Editado por Maria Clara Lourençon

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