Trocar trabalho por hospedagem é a nova moda dos intercâmbios econômicos

Atualizado em 02/10/2015 às 13h52
Por Izabela Reame

Com o dólar em alta muitas pessoas resolveram prorrogar viagens e intercâmbios para fora do país. Mas hoje em dia a internet oferece inúmeras possibilidades para ninguém abandonar o sonho de explorar o mundo. O único pré-requisito é deixar de lado as ideias de turismo convencionais e se permitir novas possibilidades de entrar em contato com as mais diferentes culturas e línguas.

Confiras algumas dicas de sites/programas para colocar o pé na estrada.

Worldpackers

O site Worldpackers foi lançado em fevereiro de 2014, por dois brasileiros que tinham em comum o amor por desbravar o mundo. Mas não de uma maneira convencional e sim, trabalhando, trocando serviços por hospedagens, o possível para se divertir e ao mesmo tempo ganhar novas experiências se sustentando. Com esse propósito resolveram criar o site que até janeiro deste ano, contabilizava uma rede de 25 mil usuários de 100 nacionalidades diferentes e 700 hostels em mais de 90 países.

O que eles fizeram para atrair tanta gente? A plataforma online conecta viajantes e hospedagens em um esquema em que se troca habilidades por estadia. No site a pessoa entra e faz uma busca do lugar que deseja ir e com isso uma lista de hostels que fazem parte da rede é exibida. Em cada estabelecimento tem uma ficha dos serviços disponíveis no local e assim o interessado pode se candidatar a uma delas e em troca ganhar a hospedagem no período em que estiver trabalhando.

Além da hospedagem, varia de hostel para hostel outros benefícios dados, como alimentação, por exemplo. A quantidade de horas semanais de trabalho também varia. Mas o que chama a atenção são os trabalhos oferecidos, que vão dos mais óbvios como recepcionista, serviços gerais até os mais divertidos como fotógrafo, barman e guia turístico.

O Cambuí hostel que fica em Campinas, está no site desde janeiro deste ano. Ainda não recebeu nenhum novo “funcionário” através do Worldpackers, porém está a espera dessa experiência, que neste caso, seria para recepcionista. Eduardo Silveira, sócio/proprietário do estabelecimento, contou ao Digitais sobre os ideais da plataforma que a tornam interessantes para os hostels e intercambistas. “A experiência de vida, de conhecer novas pessoas com diferentes histórias, costumes, cultura, falar diferentes línguas, respeitar a convivência entre pessoas. Em um ambiente onde quase tudo é compartilhado e ter a oportunidade de vivenciar o dia-a-dia de um hostel ”.

Carolina Nascimento é ex-designer de Moda e atual mochileira e estagiária da Worldpackers. Já teve duas experiências de trabalho através da plataforma, uma na cidade do Rio de Janeiro e outra em Arraial do Cabo-RJ. Segundo Carolina a vontade por essas viagens começaram com o interesse por Share Economy (Economia Colaborativa), que é a ideia de você ter algo em troca do seu tempo que não seja dinheiro.

Em Arraial do Cabo auxiliava em diferentes funções: “Fazendo a limpeza pude aprender tanto, por incrível que pareça. Sabe aquele negócio de você precisa limpar a sujeira dos outros pra dar valor as pessoas que um dia já fizeram isso por você? É claro que me sinto muito mais humilde, pois eu aprendi isso me doando para as pessoas, eu estava lá para ajudar elas a terem uma experiência única no hostel, e quem acabava tendo era eu, pois recebia o carinho e agradecimento delas. Me sentia fazendo a diferença, e me viciei nisso. Minha mãe no começo não gostou muito, mas agora que eu nem reclamo de lavar aquela louça, ela amou a ideia”, afirma Carolina.

Confira o Vídeo que o Worldpackers divulgaram sobre o manifesto deste tipo de viagem:

WWOOF

O WWOOF tem uma proposta diferente. Funciona no esquema de troca de trabalho por hospedagem e oferece também alimentação, em troca de trabalho nas fazendas orgânicas. O “viajante” faz trabalho voluntário nestes locais e ganha os benefícios citados.

O primeiro passo é se cadastrar no site. A assinatura custa 20 euros (1 euro equivale a 4,46 reais) para quem vai viajar sozinho ou 25 para duas pessoas ou famílias. O valor assegura interação com o site por doze meses, com isso o interessado pode buscar fazendas em mais de 100 países que fazem parte da rede do WWOOF e negociar a estadia.

Os organizadores da plataforma tentam realizar visitas para checar os locais inscritos, mas o número de fazendas está crescendo e com isso a plataforma não dá conta de visitar todas. Por isso, o próprio site indica uma pesquisa bem aprofundada do local que foi escolhido para a maior segurança possível do futuro intercambista.

Mais opções de intercâmbios econômicos

Workaway: O Workaway segue o mesmo esquema do WWOOF, porém neste caso não é restrito a fazendas orgânicas e sim a qualquer tipo de trabalho. Como por exemplo: pintura, construção, babá, plantação, entre outros.

O casal de brasileiros Guigo Lopes e Marcela Souza são um exemplo de pessoas que colocaram o pé na estrada com a ajuda deste projeto, e hoje cuidam do site Dias Vivos para contarem um pouco de suas experiências. A viagem deles começou na Califórnia em setembro de 2014, e hoje estão no Hawaii já totalizando 12 experiências de trabalhos diferentes, utilizando não só o Workaway como também o Helpex. “Antes de começarmos a viver essa experiência não podíamos imaginar o tanto que aprenderíamos. É tão incrível sentir que pessoas de lugares tão diferentes e com personalidades tão distintas, são em muitos aspectos exatamente como nós. Essa sensação nos torna mais próximos como seres humanos e nos deixa mais otimistas em relação a um futuro melhor para nosso mundo”, conta Marcela sobre este novo estilo de vida.

Em relação aos trabalhos desenvolvidos ela conta. “Tivemos a chance de ajudar cuidando de um bebê, tarefas gerais de casa, cozinhando, dando uma força a projetos de manutenção, pintura, jardins e também apoiando uma das casas na criação e gestão de um estúdio para aluguel no airbnb”.

Casal do ‘Dias Vivos’ trabalhando e aproveitando a vida Foto: Divulgação Dias Vivos

House Sitting: Os sites que usam o sistema House Sitting funcionam da seguinte maneira, pessoas ao redor do mundo que querem viajar e precisam manter alguém cuidando de suas casas e seus animais de estimação encontram outros dispostos a arcar com essa disponibilidade em troca de hospedagem gratuita, no período em que o morador ficar fora. Ou seja, você pode “morar” na casa de alguém de graça, em troca, você cuida da residência e dos animais. O sites que oferecem este serviço são: Trusted House Sitters e House Carers.

Au Pair: Esse programa já é bem conhecido pelos brasileiros. Você pode passar um ano, normalmente nos Estados Unidos, morando legalmente com uma família e ganhando salário em dólares para ser babá. Durante sua estadia você ainda recebe uma bolsa de estudos e um salário semanal por seu trabalho. Além disso você tem um dia e meio de folga por semana além de um final de semana livre por mês e duas semanas de férias no ano. Este é um dos programas que tem mais benefícios, pois os gastos do intercambista são apenas com taxas de inscrições do programa e visto do país. Até a passagem de avião é paga pela a família.

Cusco_Créd Izabela Reame
Outra dica é viajar para destinos na América do Sul para economizar Foto: Izabela Reame

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Editado por Maria Clara Lourençon

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