Existente há mais de um século, esclerose múltipla ganha destaque na mídia

Por Alan Duenha e Fábio Reis

Apesar da falta de noção sobre a doença por parte da sociedade, ela já existe há mais de 100 anos e agora está em alta nos meios de comunicação social. Há aproximadamente vinte dias a atriz Claudia Rodrigues, uma das famosas portadora da deficiência, voltou a ser notícia ao evidenciar que a Globo cortou parte do seu plano de saúde. Fato este que ocorreu após o fim de seu contrato, mesmo a emissora tendo prometido informalmente que o manteria.

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Atriz está afastada da televisão e teve de ser internada após um surto em Agosto. Foto: Portal Projac

Além disso, a novíssima novela das 21h do canal traz o tema em debate através do personagem principal, Romero Rômulo, interpretado por Alexandre Nero. Ainda, no último dia 30 (domingo), celebrou-se o Dia Nacional da Conscientização Sobre a Esclerose Múltipla.

Desconhecida ou mal compreendida pela grande maioria das pessoas, a esclerose múltipla não é uma doença mental nem contagiosa, é uma doença crônica do sistema nervoso central, caracterizada também como doença desmielinizante, pois lesa a mielina, prejudicando a neurotransmissão. Portanto, interfere na capacidade do cérebro e da medula espinhal para controlar funções, como caminhar, enxergar, falar, urinar e outras.

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Personagem de Alexandre Nero questiona médico ao ser diagnosticado com esclerose múltipla. Foto: TV Globo

Os sintomas podem ser leves, moderados ou intensos e surgem de maneira imprevisível. É o caso de Ana Carolina Ruiz, publicitária de 26 anos, que no ano passado descobriu ser portadora, ao sofrer uma paralisia ocular. “Foi assustador, eu enxergava tudo duplicado, em alguns momentos quadriplicado. Procurei o oftalmologista, tive de passar por quinze exames em dois dias e ele então me recomendou que procurasse um neurologista. Fui internada imediatamente e depois de uma semana recebi a notícia.”

Principais dificuldades

Já não bastasse os entraves enfrentados por Ana graças à doença, ela ainda tem de lidar com o preconceito e a ridicularização por parte de terceiros.

Confira no vídeo abaixo mais detalhes dessas experiências

Vanessa Stael Pelá, 52 anos, casada e mãe de dois filhos diz que vivencia também os mesmos tipos de situação, porém nem sempre se esforça em contar e explicar a sua deficiência para as pessoas . Segundo ela, as pessoas “não entendem”, o que torna mais difícil. “Prefiro ir na fila normal de um mercado, por exemplo, do que começar uma discussão e criar um clima embaraçoso no ambiente.” – afirma. Vanessa descobriu a esclerose múltipla da mesma forma, através de uma paralisia ocular, no entanto um pouco mais tarde. Apesar disso, ela dirige e trabalha normalmente, como funcionária do setor administrativo da Unicamp.

Rotina comum esta que ainda não foi reestabelecida por Ana. Porém, as mudanças drásticas impostas no seu dia-a-dia de forma inesperada não a abalaram. Ela procurou saber o máximo possível sobre o que estava acontecendo consigo e mostrou serenidade e determinação desde os primeiros meses de convívio com a doença. Através das redes sociais, principalmente o Facebook, compartilha momentos de sua nova vida, como exercícios de Pilates e sessões de acupuntura que realiza regularmente, além de todas as etapas de confecção da sua enorme fênix tatuada nas costas, símbolo maior do seu renascimento.

“Desde que melhorei, comecei a estudar sobre coaching e tenho o desejo de palestrar. Quero contar o que eu passei e como estou hoje. Muitas vezes, as pessoas reclamam de problemas que não são tão grandes. Acredito que a minha estória possa motivá-las e trazer força pra uma superação interna.”, finaliza.

Galeria de Fotos:

(Fotos: Fábio Reis)

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A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) estima que, atualmente 35 mil brasileiros são portadores de esclerose múltipla. Até o momento, a causa é desconhecida. Uma teoria defendida por pesquisadores, é a de que o desencadeante responsável, é um vírus e, neste caso, que o sistema imunológico interpreta uma parte da proteína mielínica como sendo um vírus de estrutura similar e a destrói (mimetismo molecular).

Serviço:

Embora não exista prevenção e nem cura para a esclerose múltipla, há tratamentos que visam reduzir surtos e assim o acúmulo de incapacidade com o tempo. Quanto antes for diagnosticada, melhor é o controle dos seus efeitos. É recomendável procurar um neurologista, o mais rápido possível, se você ou alguém ao seu redor apresentar os seguintes sintomas:

– Alterações fonoaudiológicas
– Fadiga excessiva
– Transtornos cognitivos (memória e execução de tarefas) e emocionais (sintomas depressivos, ansiosos, transtorno de humor, irritabilidade, flutuação entre depressão e mania)
– Problemas de bexiga e intestinais
– Transtornos visuais
– Problemas de equilíbrio e coordenação
– Espasticidade
– Sexualidade (disfunção erétil ou diminuição da lubrificação vaginal)

O diagnóstico deve estar baseado em uma história sugestiva, em que sintomas aparecem dentro de um tempo e espaço (isto significa que dentro do raciocínio médico consegue-se detectar regiões diferentes do sistema nervoso acometido com o decorrer do tempo), além de um exame neurológico bem detalhado.

Editado por Caroline Magalhães

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