Crise afeta construção e reduz vagas de trabalho para universitários na RMC

Por Fernanda Lavorini

Em meio à crise financeira que enfraqueceu o mercado da construção civil, universitários da Região Metropolitana de Campinas (RMC) são prejudicados pelo corte das vagas nas áreas de arquitetura e engenharia consultiva. Um balanço divulgado na quarta-feira (19/08/2015) pela Associação Comercial e Industrial (Acic) mostra que o índice geral de desemprego nas 20 cidades que compõem a região subiu de 5,34% para 8% entre junho do ano passado e junho deste ano. No total, são aproximadamente, 50,1 mil sem trabalho.

A estudante Pâmela Castro, de 21 anos, cursa o terceiro ano do curso de arquitetura pela PUC-Campinas. Ela conta que começou a buscar por uma experiência profissional no início de 2014 mas, por enquanto, encontrou portas fechadas em escritórios e companhias da cidade.
“Está muito complicado para nós. Os escritórios pequenos estão fechando porque não há obras e os grandes demitem os arquitetos e estagiários porque não há lucro suficiente”, lamenta. Para tentar equilibrar as contas, ela diz que abriu mão de gastos extras com roupas.“Antes sobrava dinheiro e dava para comprar. Agora, a gente [ela e duas amigas que dividem uma casa] economiza para lidar com finanças do cotidiano. Tudo está caro, o orçamento fica apertado”, avalia a estudante. De acordo com a pesquisa mais recente divulgada pelo Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), pelo menos 20 mil postos de trabalho foram afetados no primeiro trimestre de 2015.
Cenário pessimista
Ao ponderar sobre pedidos de orientação aos docentes da universidade, Pâmela lembra que eles também desfizeram de negócios próprios para evitarem dívidas. “Dois professores eram sócios e fecharam o escritório porque não tinham como manter aluguel”, diz. “Não havia obras, para eles não compensava”, explica.

Segundo ela, os profissionais da área com quem conversou não acreditam em melhorias a curto prazo, apesar do tom de otimismo. “Eles imaginam que isso [crise] vai acabar em dois ou três anos, e daí teremos uma nova alta na construção. A gente espera, mas está difícil”, ressalta.
Estudos ameaçados
Se os números negativos da economia brasileira tiram o sono de universitários que precisam de um estágio para dar os primeiros passos da carreira, a situação é ainda mais crítica para quem precisa de trabalho para custear os estudos. Lilian Matos, de 24 anos, que foi demitida há três semanas, teme não ter condições de bancar os próximos semestres do curso de engenharia de produção mecânica na Universidade Paulista (Unip), em Campinas.
“Ando muito preocupada. Se eu não conseguir um emprego rápido é provável que eu só consiga terminar este semestre [o curso termina em 2017]. O mercado não está bom”, falou a jovem ao ponderar que pelo menos três amigos, entre eles um gerente de produção, um coordenador de engenharia e um supervisor de produção foram dispensados nos últimos 30 dias.
De acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), 31,6% das empresas da região de Campinas perderam funcionários durante o primeiro semestre deste ano. A previsão é de que índice semelhante seja mantido para o período entre julho e dezembro diante da crise financeira. A instituição tem 500 empresas associadas, entre elas 58 multinacionais, em 19 municípios.

Declínio

Segundo relatório de mercado divulgado pelo Banco Central do Brasil, no dia 17/08/2015, o Produto Interno Brasileiro (PIB) deve diminuir, não somente neste ano, mas também em 2016. A retração prevista para 2015 é de 2,01%, o pior resultado em 25 anos, enquanto que, para o próximo ano, o índice é de 0,15%.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos em território brasileiro, independente da nacionalidade e serve de parâmetro sobre o comportamento da economia nacional.

crédito: Fernanda Lavorini
crédito: Fernanda Lavorini

Editado por Débora Lopes

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