Contrata-se: AGRONEGÓCIO

Em meio à crise, agronegócio vai salvar o PIB brasileiro mais uma vez – dizem especialistas.

Por Beatriz Bigarello

“É ele o herói sem nome que cultiva a terra que nos dá o pão”. Cantou assim, um dos maiores representantes da música popular brasileira que será sempre lembrado como o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. O álbum que leva o título de “O Homem da Terra” é de 1980, mas sua música que tem o mesmo nome nunca foi tão atual. O Brasil vive um momento de crise política aguda, onde setores da economia como a indústria, por exemplo, estão sendo atingidos pelos piores indicadores possíveis. No emprego, as seis principais regiões metropolitanas do país fecharam o semestre com a menor taxa de criação de empregos desde o início da crise financeira internacional que começou há seis anos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No entanto, algo curioso vem acontecendo – a força do emprego está crescendo nas cidades do interior em que o agronegócio corresponde à boa parte do Produto Interno Bruto (PIB) – no Paraná, o ritmo da geração de vagas com carteira assinada disse adeus à capital, Curitiba, e migrou para regiões menos centralizadas, registrando um saldo positivo de 20,3 mil postos criados durante o período, o que representa cerca de 90% de todo o emprego gerado no estado. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do próprio MTE. Acontece o mesmo em Minas Gerais – enquanto a capital mineira teve um saldo negativo de 9.260 postos, cidades do interior registraram um crescimento das vagas, mesmo em meio à crise de suas capitais.

Se na música do Rei do Baião, o herói sem nome é o sertanejo que cultiva a terra rezando para que a seca não destrua a sua plantação, o agronegócio tem sido a medalha desse herói, que tem aprendido a beneficiar-se de forma inteligente dos avanços adquiridos com pesquisa e tecnologia para disputar o mercado internacional, configurando um novo perfil do homem do campo. Imune à crise, o agronegócio não está. No entanto, é o setor que menos sofre com ela e que segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, deve crescer 1,2% até o final de 2015, salvando mais uma vez o PIB brasileiro de um completo desastre. Dados da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa) mostram que no primeiro semestre, as exportações do setor atingiram US$ 9,13 bilhões, somando um saldo positivo de US$ 8,07 bilhões para a balança comercial do país. Outro dado otimista apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são as estimativas para a safra nacional de grãos, que deve crescer 6,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Espera-se que sejam colhidas 205,8 milhões de toneladas de cereais, oleaginosas e leguminosas até o final de 2015.

Apesar do naufrágio comercial que o Brasil vive, é possível ver que a agricultura ainda sustenta o fôlego para garantir seu equilíbrio na economia brasileira. É o que garante o Ex-Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Para ele, a oferta mundial de grãos como a soja, o milho e o algodão cresceu em relação à demanda e o estoque mundial aumentou, fazendo com que os preços caíssem. De fato, houve uma redução de valor das principais commodities, reduzindo o saldo da balança comercial. Ainda assim, essa redução não representa a quebra da força nacional do agronegócio se comparada à safra recorde apresentada até o momento. Rodrigues destaca ainda a palavra competitividade para demonstrar o panorama do agronegócio brasileiro no comércio exterior. “A exportação agrícola no país triplicou nos últimos dez anos, e é preciso considerar que estivemos parte desse período sob os efeitos da crise de 2008. Nós aumentamos três vezes a exportação agrícola enquanto o comércio mundial refluiu”, afirmou o Ex-Ministro.

Outro acordo que deve aumentar a produtividade dos pecuaristas brasileiros, é a liberação para exportar carne bovina in natura para os EUA. O mercado norte-americano estava fechado para esse tipo de compra desde 2005.

É claro que os desafios do Brasil no agronegócio ainda são muitos. Questões como logística, crise hídrica e políticas públicas precisam de uma melhor apuração, que devem ser avaliadas não apenas pelo próprio governo, mas também por todos aqueles que se beneficiam desse setor com um potencial enorme de crescimento, ou seja, todos os cidadãos. Assim, Luiz Gonzaga tinha razão quando personificou o homem do campo como o próprio futuro de uma nação. Seja para cuidar dos pastos que produzem as melhores cabeças de boi ou para qualificar o técnico que conduzirá a enorme colheitadeira, garantindo uma safra inteirinha de grãos, é o homem do campo que começa o ciclo da melhor aposta brasileira mundial: o agronegócio.

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