Canja instrumental: da cantina da Unicamp para as ruas de Barão Geraldo

Por Vinícius Bognone
Música ao ar livre, ritmos variados e muito improviso. É assim que organizadores e frequentadores definem a canja instrumental de Barão Geraldo. As “Jam Sessions” acontecem toda segunda-feira, a partir das 21h, na Praça Angelina Caselatto Antoniolli, que fica no distrito de Barão Geraldo, em Campinas-SP.

A iniciativa, que teve início há mais de uma década, partiu de alunos e professores do curso de música do I.A (Instituto de Artes) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Segundo relatos, alunos do curso tocavam seus instrumentos nos corredores do instituto, pois não havia um espaço próprio fora das salas de aula. Vendo a prática musical em corredores, Antonio Dias, o “Seu Naná”, que possuía uma banca de livros e CD’s que ficava ao lado da cantina do I.A, se juntou com um dos alunos, Jorge Cirino, e ambos idealizaram apresentações no gramado do instituto de artes. Assim surgia a Canja Instrumental.

Apesar da grande participação dos alunos, a canja sofreu um duro golpe. A universidade precisava de mais espaço e determinou que a cantina fosse demolida. O projeto, então, começou a ser organizado fora da Unicamp, na casa de professores e alunos que participavam da canja, mas a graça não era a mesma. Foi então que Alexandre D’Ávila, um dos frequentadores assíduos do I.A deu a ideia de realizar as apresentações em espaços públicos de Barão Geraldo. A ideia foi bem aceita pelos fundadores do projeto e logo a canja ganhava as ruas do distrito.

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Trio-x se apresenta no Centro de Convivência de Campinas (Foto: Arquivo pessoal)

Foi então que as apresentações começaram a chamar atenção e atraíram mais pessoas. Mas logo outra preocupação surgia: a vizinhança. Inicialmente a canja era realizada em frente à Banca Central de Barão Geraldo e após reclamações, passou por outros lugares até se “instalar” na Praça Angelina Caselatto Antoniolli, que fica próxima à Moradia da Unicamp e do Terminal de Barão Geraldo.

De acordo com Rodrigo Eisinger, um dos organizadores da canja, as apresentações são sempre lotadas e contam com um público predominante de estudantes universitários, mas não há restrições, já que é possível observar vizinhos, adultos e pessoas com mais idade acompanhando as sessões de música, que tem o estilo instrumental como ponto principal.

Ainda segundo Eisinger, o grande sucesso gerou uma parceria entre a canja e a Secretaria de Cultura Municipal de Campinas. O secretário de cultura Ney Carrasco e o diretor da pasta Gabriel Rapassi compareceram a algumas apresentações e decidiram, então, levá-las também para Campinas, no centro de convivência, além de auxiliar no fornecimento de aparelhagem de som e “patrocinar” algumas bandas para abrirem as noites de canja.

A boa música, juntamente com o ambiente agradável, trazem momentos de aprendizagem para os músicos e lazer para quem prestigia as apresentações. Deste modo, a Canja Instrumental de Barão Geraldo, ocupa um espaço público que antes era inutilizado e leva uma programação cultural diversificada para uma cidade que carece de programação do segmento.

Confira a reportagem:

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