Torcedor rifa coleção de camisas para pagar tratamento de filho

Por Marcel Kassab

Abrir mão de uma antiga paixão por algo ainda mais importante, foi o que fez Marlon Neves, torcedor da Ponte Preta, em prol do filho João Vitor Neves, que sofre de alergia à Caseína (proteína do leite). Sem o dinheiro necessário para custear o tratamento, ele decidiu se desfazer da coleção de camisas de times de futebol. Desde que teve essa iniciativa, em fevereiro de 2015 foram vendidas ou rifadas 23 camisas que o fanático colecionava desde os 15 anos.

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Marlon rifou mais de 20 camisetas (Foto: arquivo pessoal)

João Vitor Neves, de 12 anos, foi diagnosticado com alergia à Caseína quando tinha três meses de vida. E desde então precisou de cuidados especiais. Recentemente, o garoto encerrou um tratamento que consiste em inserir partículas de leite diluídas em água através da pele para que o organismo se acostume e não rejeite o leite. O processo, porém, é demorado e caro: R$ 7,5 mil (15 sessões no valor de R$ 500 cada). O caso dele, por ser considerado grave, precisou de 22 sessões (R$ 11 mil).

“Foi um susto. Quando ele tinha três meses, começou a ficar roxo e teve que tomar adrenalina. É um tratamento com alto custo e, por isso, decidi me desfazer da coleção das camisas. Anunciei em redes sociais e em sites especializados na venda deste tipo de produto, e a procura foi grande. Também fiz rifas de camisas e o legal é que os ganhadores abraçaram a causa por mim. Muitos que ganharam me devolveram as camisas para que eu fizesse novas rifas. Isso foi muito bacana”conta Marlon Neves.

No Brasil, estima-se que 350 mil crianças têm alergia à proteína do leite. O SUS (Sistema Único de Saúde) disponibiliza esse tipo de tratamento, porém, a fila de espera é de cinco anos. Mesmo parecendo simples, a inserção de partículas de leite através da pele não pode ser feito em casa e, muito menos, sem o acompanhamento de um especialista. Isso porque as reações podem levar o paciente a ter falta de ar, convulsão ou, ainda, o choque anafilático, que pode levar à morte. A taxa de sucesso é muito alta, próxima de 100%.

“Vamos retornar no final deste mês para avaliar se poderá tirar o antialérgico. Se não tiver reação, a chance é maior” falou o pai do garoto.

O tratamento, a partir deste momento, consiste em ingerir 150ml diários de leite e comer algo derivado da bebida para acostumar à proteína ao organismo, que está aceitando aos poucos, sem rejeição.

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Marlon segura a única camisa que não vende (Foto: Marcel Kassab)

A causa de Marlon (pontepretano declarado) uniu até Guarani e Ponte Preta. Cada clube doou camisas para que fossem rifadas ou vendidas. O presidente bugrino Horley Senna contribuiu com duas camisas oficiais autografadas pelos jogadores, enquanto que a Macaca deu uma camisa autografada pelo elenco, enquanto que o vice da Alvinegra, Giovanni Dimarzio, deu mais nove (sem autógrafos).

“As diretorias de Guarani e Ponte Preta me ajudaram bastante. O Horley (Senna, presidente bugrino) me deu duas camisas do Guarani autografadas, enquanto que o Giovanni Dimarzio (vice-presidente da Ponte) contribuiu com outras nove camisas da Ponte. Os jogadores dos dois clubes também entraram na corrente. É uma atitude que tenho apenas que agradecer” falou.

Marlon, porém, garante ter um item da coleção que ele não se desfaz: a camisa utilizada pelo zagueiro Jorge Luiz no empate por 1 a 1 com o Náutico, pela Série B de 1997. O resultado garantiu a Macaca de volta à elite nacional depois de 11 anos. “Essa camisa eu não vendo. É uma das especiais. O juiz do jogo (Jamir Carlos Garcez) deu para o meu pai na partida do acesso à Série A, em 1997. Era do Jorge Luiz” completou.

Editado por Beatriz Bressam

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