Parceria entre PUC-Campinas e Ministério Público Federal promove estudos entre cursos

Por Giovanni Mari

A parceria entre a PUC-Campinas e o Ministério Público Federal (MPF) tem como finalidade incentivar a produção de trabalhos acadêmicos que tenham como foco algum problema de interesse público. Iniciada há três anos, em 2012, ela foi motivada por uma necessidade do Ministério Público em compreender alguns problemas de natureza pública que são complexos que envolvem muitas disciplinas e interfaces, por isso a parceria com o MPF, diz Caio de Souza Ferreira, professor da faculdade de arquitetura e urbanismo (FAU). De inicio, apenas a faculdade de arquitetura começou com o projeto, mas hoje os cursos de administração, enfermagem, medicina, geografia, engenharia civil, engenharia ambiental, direito, serviço social, ciências sociais e biologia participam do projeto e já tem muitos trabalhos na área.

Caio Ferreira conta como o trabalho começou. “Esse trabalho começou sem pretensão alguma, sem nenhum formato estabelecido, mas foi ganhando corpo com a participação dos alunos e a troca de experiência na construção de conhecimento colaborativo, os resultados começaram a aparecer”. Ele também disse que ainda não tiveram alunos formados e levando os trabalhos adiante porque a parceria é muito recente, mas que acredita que com a colaboração entre cursos da universidade e com a Teia Social do MPF possa fazer com que esses projetos continuem caminhando fora da faculdade.Info - PUC e MPF

Os trabalhos neste ano estão divididos em quatro temáticas: Impactos de Implantação de conjuntos habitacionais de interesse social do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), impactos da ampliação do aeroporto de Viracopos, reurbanização de uma parte vendida da Fazenda Remonta, que pertencia ao exercito brasileiro, antiga coudelaria de Campinas e a análise do sistema penitenciário brasileiro como um todo. Todos esses projetos são desenvolvidos por meio de estágios supervisionados pela universidade, atividades complementares, monitorias e disciplinas dentro do currículo dos cursos da faculdade. Como esses temas são extremamente amplos, apenas uma faculdade pode não ser suficiente para realizar o estudo. Por isso, a integração de cursos é importante para fazer o projeto funcionar. Alem dessas temáticas, também está sempre aberto para discussão de novos assuntos a serem abordados desde que siga as linhas de questões de interesse público.

Na arquitetura, um dos trabalhos mais abordados e que é de interesse da faculdade é o dos impactos da reforma de Viracopos. A finalidade de seus estudos é tentar entender a mobilidade do solo, o impacto das áreas de ruído e de proximidade das aeronaves e das pistas que serão ampliadas pertos dos bairros carentes e como ficarão as áreas próximas ali com esses fatores que vão atrapalhar a vida dos moradores.

Mas a Fazenda Remonta também não fica atrás. É uma área preservada entre Valinhos e Campinas e que não permitiu a conurbação entre as cidades. A parte que foi vendida de Valinhos tem impactos ambientais muito grandes, ressalta o professor Caio. “Alem disso vamos ver o impacto ambiental de uma possível urbanização naquela área, como foi a construção, a formação desses bairros em volta e como tratar disso nas legislações existentes” comenta o professor.

A universidade trabalha com a Teia Social, que é um banco de dados na internet do MPF em que os alunos disponibilizam os trabalhos prontos para o Ministério consultar. Segundo a regra do programa, existem dois tipos de trabalhos: Abstratos que é uma formulação de conhecimento que não tem aplicabilidade direta a nenhuma coisa e a pragmática que é completamente oposto á primeira, tendo aplicação direta em situações reais do cotidiano, que está sendo utilizada nesse trabalho.

Além da arquitetura, outra faculdade que também atua em conjunto com arquitetura e as demais é o Serviço Social. Coordenada por Duarcides Mariosa, os cursos de Serviço Social e as Ciências Sociais se envolveram dentro desse projeto através das propostas da secretaria do verde de 2014, aonde estudos dos aspectos sócios econômicos e ambientais fazem parte de um conjunto que visa a Área de Proteção Ambiental do Campo Grande (APA). Sua finalidade é desenvolver um plano de manutenção evitando que a área seja degradada ou que sofra impactos negativos, alem da distribuição mais adequada das atividades comerciais, industriais e das pessoas que moram na região. Tudo isso é realizado por meio de visitas a campos, levantamentos de dados do IBGE e da própria interação dos espaços observados pelos alunos. “O trabalho ainda não está finalizado, porém é possível perceber diversas situações impactantes como a distribuição da população naquela área e problemas no curso de água e na cobertura vegetal, que são impactos ambientais” destaca Duarcides, que se preocupa com essa situação, mas que tem muitos grupos de trabalhos atuando nessa área Além disso, a expectativa para os próximos anos é de aumentar os números de alunos e projetos em todos os cursos para solidificar ainda mais a parceria.

Editado por Marcel Kassab

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